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Condição que atendo
Infecção urinária de repetição
Infecção que volta três, quatro vezes por ano não é azar. É um quadro que pede investigação da causa, e não mais uma caixa de antibiótico escolhida pelo sintoma.
CRM-SP 28.828 · RQE 8.813 · Presencial e Telemedicina
O que é
Repetir é diferente de ter uma vez
Uma infecção urinária isolada é comum, principalmente em mulheres, e costuma se resolver com tratamento simples. O que muda a conduta é a repetição, definida em geral por dois episódios em seis meses ou três em um ano.
Quando isso acontece, o problema deixa de ser apenas tratar o episódio e passa a ser entender por que ele volta. As causas incluem fatores anatômicos, esvaziamento incompleto da bexiga, cálculo urinário, alterações após a menopausa, diabetes mal controlado e uso repetido de antibiótico, que seleciona bactérias resistentes.
Do ponto de vista do rim, o que preocupa é quando a infecção sobe para o trato urinário superior. Episódios repetidos de pielonefrite podem deixar cicatriz renal e, ao longo do tempo, comprometer a função dos rins, principalmente se houver refluxo ou obstrução.
Também é frequente o caminho oposto: tratar como infecção o que não é infecção. Bactéria na urina sem sintoma, na maior parte das situações, não precisa de antibiótico, e tratá-la traz mais dano do que benefício.
O método
Como eu investigo
Investigar significa saber qual bactéria, por que ela volta e se o rim está envolvido.
01
Documentar com cultura
Urocultura com antibiograma antes de tratar, sempre que possível. Tratar de forma repetida sem cultura é o que produz resistência e falha de tratamento.
02
Procurar a causa mecânica
Avaliação do esvaziamento da bexiga, pesquisa de cálculo e de obstrução, com imagem quando indicada, em conjunto com a urologia quando necessário.
03
Avaliar o rim
Função renal com valor numérico, exame de urina e pesquisa de cicatriz renal quando houve episódios com febre e dor lombar.
04
Revisar fatores que favorecem
Controle da glicemia, hidratação, hábito intestinal, alterações da mucosa após a menopausa e revisão dos medicamentos em uso.
Quando procurar
Sinais de que a investigação é necessária
Você teve três ou mais infecções urinárias no último ano.
Os episódios vêm com febre, calafrio e dor nas costas, e não apenas ardência para urinar.
A infecção volta poucos dias depois de terminar o antibiótico.
Você já usou vários antibióticos diferentes e a cultura mostra bactéria resistente.
Existe cálculo renal conhecido, ou dificuldade para esvaziar a bexiga.
Você tem diabetes, ou apareceu alteração nos exames de rim junto com as infecções.
Tratamento
Como conduzo
Trato o episódio guiado pela cultura sempre que possível, e não pelo antibiótico que funcionou da última vez. Isso encurta o tratamento e reduz a chance do próximo episódio ser causado por bactéria resistente.
Em paralelo, ataco a causa da repetição, que pode ser mecânica, metabólica ou hormonal. É essa parte que muda a frequência dos episódios, e é a que costuma ficar de fora quando o atendimento acontece só no pronto-socorro.
Existem estratégias de prevenção com evidência, incluindo medidas comportamentais, hidratação orientada e, em situações selecionadas, esquemas preventivos definidos por indicação específica e acompanhados de perto.
Não trato bactéria na urina sem sintoma fora das poucas situações em que isso está indicado, como na gestação. Tratar sem indicação seleciona resistência e não previne novos episódios.
Para ler
Sobre este assunto, no site
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