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Exames de rim e o que cada resultado quer dizer

Doença renal se descobre no exame, não no sintoma. Estas são as perguntas sobre o que cada valor significa, o que muda a conduta e o que costuma alterar o resultado sem que haja doença.

Exames de sangue

O que é a creatinina e por que ela é tão importante?

A creatinina é um resíduo produzido naturalmente pelos músculos. Rins saudáveis filtram a creatinina do sangue e a eliminam pela urina. Quando os rins não funcionam bem, ela se acumula. É o exame mais usado para avaliar a filtração renal, e valores elevados em geral indicam que os rins não estão trabalhando como deveriam.

A taxa de filtração glomerular é a melhor medida de quanto os rins estão filtrando, e representa o volume de sangue que eles conseguem limpar por minuto. Como medir diretamente é complexo, ela é estimada por fórmula a partir da creatinina, da idade e do sexo. A fórmula atual, a CKD-EPI de 2021, não usa coeficiente de raça, que foi abandonado justamente por não ter base biológica. É essa taxa que define os estágios da doença renal crônica, e é ela, e não a creatinina isolada, que deve constar do laudo com valor numérico real.

A ureia também é um resíduo filtrado pelos rins, vinda do metabolismo das proteínas da dieta. Valores altos podem indicar filtração reduzida, mas a ureia sofre muito mais influência da alimentação e da hidratação do que a creatinina. Os dois exames se usam em conjunto, e a ureia informa também sobre estado nutricional e hidratação.

Os rins mantêm o equilíbrio dos eletrólitos. O sódio importa para o controle da pressão e do volume de líquido. O potássio é vital para a função dos nervos e dos músculos, incluindo o coração. Quando os rins falham, pode faltar capacidade de eliminar o excesso de potássio, com risco de arritmia, ou de manejar o sódio de forma adequada, o que influencia pressão e inchaço.

Os rins participam do metabolismo dos dois e da saúde dos ossos. O rim doente tem dificuldade em eliminar fósforo e em ativar a vitamina D, necessária para absorver cálcio. O desequilíbrio, em geral com fósforo alto, leva à doença mineral e óssea da doença renal crônica, com enfraquecimento dos ossos e calcificação de vasos.

Os rins mantêm o equilíbrio entre ácidos e bases, eliminando ácidos. Quando funcionam mal, os ácidos se acumulam, no que se chama acidose metabólica. O bicarbonato no sangue reflete essa capacidade. Valores baixos indicam acidose, que piora a doença óssea, a perda de massa muscular e a própria progressão da doença renal.

A albumina é a principal proteína do sangue e mantém o líquido dentro dos vasos. Em algumas doenças renais, os rins a perdem pela urina. Inflamação crônica e desnutrição, comuns na doença renal, também reduzem os níveis. Albumina baixa é indicador de gravidade e de risco nutricional.

O paratormônio, ou PTH, é produzido pelas paratireoides e regula cálcio e fósforo. Na doença renal crônica, o desequilíbrio entre cálcio, fósforo e vitamina D faz as paratireoides produzirem PTH em excesso, o que retira cálcio dos ossos. Medir o PTH permite diagnosticar e acompanhar essa complicação.

Porque são os rins que transformam a vitamina D na forma ativa, necessária para absorver cálcio no intestino. Na doença renal essa ativação fica prejudicada. A dosagem orienta a suplementação, quando indicada, como parte do tratamento da doença mineral e óssea.

Os rins produzem eritropoetina, hormônio que estimula a medula óssea a produzir glóbulos vermelhos. Na doença renal crônica essa produção diminui e aparece anemia. Medir hemoglobina e hematócrito é essencial para diagnosticar e acompanhar essa anemia, que causa cansaço e fraqueza e tem tratamento próprio.

São exames que investigam se a causa da doença renal é autoimune, ou seja, se o próprio sistema de defesa está atacando os rins. O FAN pode estar positivo no lúpus. O ANCA pode estar positivo nas vasculites. As frações do complemento, C3 e C4, podem estar consumidas em certas glomerulonefrites. Servem para identificar doenças específicas dos glomérulos.

Interfere, e essa é uma confusão frequente. Em pessoas com rins saudáveis e na dose usual não há evidência de dano renal, mas a creatina eleva a creatinina do sangue, que é justamente o exame usado para estimar a função dos rins. O resultado é um exame alterado sem doença, e às vezes uma investigação inteira desnecessária. Se você usa creatina, avise antes de coletar. Quem já tem doença renal deve conversar antes de usar.

Alteram a ureia, que sobe com a ingestão de proteína, e podem elevar discretamente a creatinina. Em quem tem rins normais não há demonstração de que causem doença renal. Em quem já tem doença renal, o excesso de proteína acelera a perda de função. A quantidade adequada é individual e deve ser definida com médico e nutricionista, porque restringir demais também prejudica, por perda de massa muscular.

Traga todos os exames, inclusive os antigos. Uma creatinina de três anos atrás pode mudar por completo a leitura da creatinina de hoje.

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Exames de urina

O que o exame de urina tipo 1 mostra sobre os rins?

É um exame simples e muito informativo. Analisa características físicas como cor e aspecto, químicas como pH, densidade, proteína, glicose e sangue oculto, e microscópicas, com células vermelhas, células brancas, bactérias, cristais e cilindros. Pode indicar infecção, inflamação dos glomérulos, perda de proteína, presença de sangue, risco de cálculo e a capacidade de concentração dos rins.

Porque os filtros saudáveis impedem que proteínas grandes como a albumina passem do sangue para a urina. A presença de quantidade anormal de proteína, ou especificamente de albumina, é sinal precoce e importante de lesão nos glomérulos. Quanto maior a perda, em geral mais grave é a lesão e maior o risco de progressão. Pode ser medida em amostra isolada, pela relação proteína ou albumina sobre creatinina, ou em urina de 24 horas.

A hematúria, visível a olho nu ou apenas no microscópio, indica sangramento em alguma parte do trato urinário. As causas são diversas: infecção, cálculo, inflamação dos glomérulos, tumor e até exercício extenuante. A investigação usa os outros exames e a forma das hemácias vistas no microscópio, que ajuda a distinguir sangramento do glomérulo de sangramento das vias urinárias.

É o exame específico para diagnosticar infecção urinária. A urina é colocada em meio de cultura para verificar crescimento de bactérias. Havendo crescimento significativo, o exame identifica a bactéria e faz o antibiograma, que testa quais antibióticos são eficazes contra ela, orientando o tratamento.

São moldes microscópicos formados dentro dos túbulos renais, compostos por células, proteínas ou outras substâncias. O tipo encontrado, hialino, granuloso, hemático ou leucocitário, dá pistas do que está acontecendo dentro do rim. Cilindros hemáticos, por exemplo, sugerem sangramento vindo dos glomérulos.

Pode ser. Espuma que persiste, forma uma camada e demora a desaparecer sugere perda de proteína, que é a proteinúria. Espuma que se desfaz rápido, sobretudo com jato forte, em geral não significa nada. Na dúvida, o exame de urina resolve, e é barato.

Se a sua pressão não controla ou o seu exame de rim alterou, vamos investigar a fundo.