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Paulistas não controlam hipertensão, diabetes e colesterol, de acordo com estudo

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Os paulistas não controlam os principais fatores de risco para o coração, de acordo com o Epico (Estudo Epidemológico de Informações da Comunidade), da SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo). Para tal constatação, foram avaliados quase 9 mil pacientes, de 32 municípios em 300 unidade básicas de saúde. O mais alarmante é saber que a hipertensão, o diabetes e o colesterol chegam a ter índices de controle zero.

 

Os números assustam

 

Até os pesquisadores foram pegos de surpresa com os números revelados pelo estudo. Cerca de 48% dos pacientes não controlavam a pressão arterial, apenas 25% estavam com a glicemia dentro dos valores considerados normais e somente 16% dos que apresentaram colesterol alto, preocupavam-se em controlá-lo.

 

Tais dados refletem-se diretamente no fato de que, na última década, o Estado de São Paulo não teve queda no número de mortes cardiovasculares. Esses dados são ainda mais preocupantes em meio à pandemia do novo coronavírus, já que a covid-19 causa mais impacto nos cardiopatas, ou seja, eles se enquadram nos grupos de risco da doença.

 

O perigo está em todo o mundo

 

Não é só em São Paulo que as doenças cardiovasculares preocupam. Elas matam milhares de pessoas no Brasil e no mundo todos os anos. Em nosso país, estima-se que 400 mil pessoas vão a óbito devido à doença e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo, esse número é de 17,9 milhões.

 

É preciso cuidar do coração

 

Mudanças de hábitos já são grande parte da resolução do problema. É claro que idas regulares ao médico também são necessárias, mas mudar os hábitos é, com certeza, um primeiro passo. Lembre-se de:

 

  • Praticar atividades físicas regulares;

  • Levar uma vida balanceada;

  • Focar em uma dieta saudável;

  • Não fumar;

  • Não exagerar no sal, açúcar e gordura.

 

Se você mora com outras pessoas, incentive-as! Em grupo, essas escolhas se tornam bem mais fáceis.

Novo rótulo de alimentos: o que muda na sua casa?

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Você lê os rótulos nas embalagens dos alimentos?

 

Sabia que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou um novo rótulo para alimentos industrializados? Sim, aquela parte da embalagem que nós batemos o olho de primeira, a frontal, terá um sinal de alerta muito importante a partir de agora.

 

E, hoje, dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, é o melhor dia para falarmos sobre isso.

 

O que muda para o consumidor

 

Foram seis anos para que a decisão fosse tomada, mas no último dia 7 de outubro houve o veredito unânime e a Anvisa aprovou a nova rotulagem nutricional para os alimentos industrializados. A mudança em nossas casas é a escolha que faremos; afinal, agora teremos exposto nas embalagens, de forma clara, um alerta quando houver quantidade exagerada de gordura, sal ou açúcar naquele alimento.

 

A escolha do formato desse alerta se deu por meio de um levantamento realizado pelo Datafolha, em outubro de 2019. 1.384 adultos, entre 18 e 55 anos, votaram. O alerta será feito por um desenho de lupa, ao lado da descrição desses ingredientes (imagem a seguir), apesar de discussões científicas sobre o símbolo ser ou não a melhor opção.

 

novos rótulosHaverá mudança também no padrão das tabelas presentes nas embalagens, visto que as atuais são consideradas de difícil compreensão.

 

É importante saber o que sua família consome

 

Os alertas de hipertensão, colesterol, diabetes e obesidade só aumentam. Portanto, é essencial sabermos o que consumimos, para termos mais controle sobre a saudabilidade dos alimentos em nossas mesas.

 

É claro que a recomendação principal ainda é a alimentação in natura, mas para os momentos em que a única opção é o alimento industrializado, é nosso direito saber o que está presente em sua fórmula.

 

Somente após 24 meses da publicação das normas é que a resolução entrará em vigor; portanto, fique de olho!

Hipertensão pode afetar o envelhecimento da função cognitiva

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Os fatores de risco cerebrovasculares (hipertensão, hipercolesteremia, tabagismo, diabetes e obesidade) aumentam a probabilidade de demência em idosos, mas seu impacto no envelhecimento cognitivo ainda não está bem estabelecido.

 

função cognitivaDe acordo com um novo estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra, a estrutura do cérebro e a função cognitiva podem ser afetadas pela pressão alta.

 

O estudo foi publicado na Nature communications1.

 

A memória é afetada

 

O Biobanco do Reino Unido tem medidas de cognição e imagens cerebrais na maior coorte populacional estudada até o momento. Foi possível demonstrar que as habilidades cognitivas de indivíduos saudáveis (N = 22.059) são prejudicadas por fatores de risco cerebrovasculares.

 

Além disso, verificou-se que o risco cerebrovascular está associado à redução da integridade da substância cinzenta cerebral e da substância branca. É importante notar que a pressão arterial sistólica mais elevada foi associada a uma pior função cognitiva na meia-idade (44-69 anos). Essas descobertas sugerem que os fatores de risco cerebrovasculares impactam a estrutura do cérebro e a função cognitiva em pessoas saudáveis.

 

Mantenha-se ativo e cuide da saúde

 

Por mais que o estudo tenha revelado mudanças sutis, elas tendem a piorar com o avanço da idade e ninguém quer um declínio na cognição, certo?

 

Alimentação saudável, atividades físicas frequentes (mínimo de 150 minutos por semana) e idas regulares ao médico são medidas para uma pressão controlada e envelhecimento com qualidade de vida.

 

O maior segredo é a prevenção: consulte seu médico e siga as orientações em relação ao tratamento e exames.

 

Acesse o estudo completo aqui.

 

Quer dicas para exercícios em casa? Já falei sobre isso aqui no blog, acesse. É importante saber que o sedentarismo é um problema silencioso, como a hipertensão. Fique atento!

 

  1.  Veldsman, M., Tai, X., Nichols, T. et al. Cerebrovascular risk factors impact frontoparietal network integrity and executive function in healthy ageing. Nat Commun 11, 4340 (2020). https://doi.org/10.1038/s41467-020-18201-5

Alerta: consulte seu médico e faça os exames de rotina durante a pandemia

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Nos últimos seis meses, as consultas e os exames de rotina foram deixados de lado por muitos brasileiros e pessoas ao redor do mundo.  Assim, cabe a mim, como médico, reforçar a importância de retomar as consultas e os exames para cuidar da saúde mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus. É de suma importância que você agende suas consultas e exames o mais breve possível.

 

Doenças não esperam

 

Nós sabemos que existe risco de contágio da covid-19, mas é preciso ter em mente que as doenças silenciosas, como câncer e hipertensão, não esperam. Imagine uma pessoa que teve um câncer e que precisa dos exames de rotina para saber se a doença voltou ou não. Se ele volta nesse intervalo de exames, as chances de cura são menores, com a descoberta tardia.

 

Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Oncologia (SBOC), com 120 médicos em todo o Brasil, revelou que 74% dos especialistas tiveram um ou mais pacientes que interromperam ou adiaram o tratamento por mais de um mês durante a pandemia. Isso compromete o tratamento. Ainda, a entidade estima que quase 60 mil pessoas estão com câncer sem saber, ou seja, sem diagnóstico e, consequentemente, sem tratamento também.

 

Mortes em casa

 

Entre março e agosto de 2020, o número de mortes em casa por doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, aumentou quase 30%. Como são problemas que poderiam ser evitados com tratamento correto, é assustador que tenham crescido tanto – e isso ocorre também porque muitas pessoas pararam, inclusive, de praticar exercícios físicos.

Foi publicado no New England Journal of Medicine1 que a incidência de Infarto do coração caiu a metade no início da pandemia comparado ao mesmo período de 2019, indicando que as pessoas não estavam indo para o Hospital e provavelmente, morreram em casa.

 

Incidência de infarto na pandemia Covid-19

Precauções devidas

 

Não podemos ignorar a covid-19. Assim, todos os cuidados recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Anvisa devem ser seguidos:

 

  • Use máscara;

  • Carregue álcool gel e passe nas mãos sempre que encostar em alguma superfície;

  • Não fique próximo de outras pessoas; mantenha, no mínimo, 1,5 m de distância;

  • Não tire a máscara para falar ao telefone ou espirrar;

  • Evite aglomerações;

  • Tire toda a roupa e acessórios e tome um banho ao chegar em casa.

 

  1. Solomon, Matthew et al. – The Covid-19 Pandemic and the Incidence of Acute Myocardial Infarction 10.1056/NEJMc2015630 [doi]4100 https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc2015630

Quercetina reduz rigidez de artérias causada pela hipertensão

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Talvez você nunca tenha ouvido falar em quercetina, um flavonoide responsável por dar cor aos vegetais, mas recentemente descobriu-se que a substância oferece um enorme benefício para a saúde. Sua ingestão por meio de uma boa dieta já era recomendada; agora, com um estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, sabemos que ela também diminui os malefícios que a hipertensão provoca nas artérias.

 

Como todos os estudos que estão no inicio, os resultados ainda são experimentais. Isso significa que ainda não foram testados em humanos; os testes foram realizados em animais de laboratório hipertensos.

 

O tratamento com quercetina sobre as paredes das artérias aortas dos animais foi realizado durante três semanas, e então os pesquisadores puderam avaliar os resultados promissores. Sendo assim, não podemos concluir que os bons efeitos observados resultarão na reversão total da hipertensão.

 

Hipertrofia vascular

 

Um dos fatores analisados pelos pesquisadores foi o de uma metaloproteinase da matriz, chamada MMP-2. Trata-se de uma enzima que renova as células de diversos tecidos. Nos hipertensos, a enzima causa hipertrofia vascular, ou seja, o estreitamento da parede arterial. Como consequência, o coração precisa trabalhar mais para fazer com que o sangue circule pelo corpo. A boa notícia é que foi possível observar uma diminuição da atividade da MMP-2, causando um efeito de remodelamento da aorta dos ratos estudados.

 

O estudo é da professora Michele Mazzaron de Castro, do Departamento de Farmacologia da FMRP, e tem como objetivo investigar o remodelamento e as disfunções cardiovasculares que a hipertensão arterial provoca. Dentro disso, o foco é nas ações dos flavonoides no controles das disfunções.

 

Alimentos ricos em quercetina

 

Para já fazer a sua parte e ter uma alimentação rica em quercetina, você precisa caprichar nas frutas e vegetais! Exemplos:

 

  • Maçã;

  • Cebola;

  • Cereja;

  • Alcaparras

  • Brócolis;

  • Pimentão;

  • Uva;

  • Mirtilo.

 

Vale lembrar que não pode exagerar no sal!

 

Acesse o artigo completo, publicado em inglês na revista Aterosclerose, aqui.

Na saúde e na doença: hipertensão e diabetes em casais

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Em junho, foi publicado um estudo no site British Medical Journal open access sobre a concordância das principais doenças em casais no Japão, usando um banco de dados bastante representativo – o original em inglês está aqui.

 

Foi o primeiro estudo desse tipo naquele país. Ele foi estimulado pelo fato de que, ao compartilhar influências ambientais, os casais podem desenvolver doenças semelhantes. Assim, os autores buscaram determinar se haveria a concordância de hipertensão, diabetes e dislipidemia (colesterol alto ou gordura no sangue), que são os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, entre casais japoneses.

 

Mas então você vai questionar: justo no Japão, que propaga ter uma alimentação saudável e é um dos países com a maior longevidade do mundo? Pois é, mas nem tudo são flores: de fato, a hipertensão tem diminuído por lá devido à redução na ingestão de sal que pode ser atribuída a intervenções de saúde pública. No entanto, a ocidentalização da dieta tradicional japonesa aumentou as prevalências de obesidade, diabetes e dislipidemia.

 

Riscos se espelham, mas são evitáveis

 

Espera-se que não haja conexão genética entre um casal, mas o fato de morar junto faz com que compartilhe refeições e um influencie no estilo de vida do outro, com bebida, fumo, atividade física e rotinas em geral. Se um não come determinado alimento, raramente ele será preparado para o outro – a tendência é deixar de prepararmos, a não ser que seja algo que o outro faça questão.

 

E, por isso, quando um dos cônjuges tem hipertensão, diabetes ou dislipidemia, o estudo mostrou que o outro parece ter um risco maior de desenvolver a mesma doença, em comparação com alguém cujo cônjuge não foi afetado. Assim, ao determinar a concordância conjugal para essas doenças, foi possível identificar riscos evitáveis que poderiam ser reduzidos com a mudança de hábitos.

 

hipertensão e diabetes em casaisO estudo em questão foi feito com 86.941 – como disse, uma amostra muito representativa! – acima de 40 anos de idade.

 

E o resultado foi esse mesmo: se os homens têm hipertensão, diabetes ou dislipidemia, suas esposas são suscetíveis à mesma doença com probabilidade de 1,8 vezes para hipertensão, 1,4 vezes para diabetes e 2,5 vezes para dislipidemia. Isso mostra que nós, médicos, precisamos avaliar não apenas a saúde de familiares de uma pessoa, mas também de seu cônjuge. Para promovermos a saúde e a prevenção de doenças, devemos obter informações sobre o cônjuge e até mesmo a rotina do casal. E mais: se identificamos uma dessas doenças em um, podemos rapidamente incentivar que o outro procure fazer seus exames preventivos.

 

Watanabe T, Sugiyama T, Takahashi H, et al Concordance of hypertension, diabetes and dyslipidaemia in married couples: cross-sectional study using nationwide survey data in JapanBMJ Open 2020;10:e036281. doi: 10.1136/bmjopen-2019-036281

Relação entre hipertensão e doença renal crônica

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Os rins têm papel essencial em nossa saúde: são eles que filtram o sangue para eliminar substâncias que fazem mal ao nosso organismo, como ureia e ácido úrico. Eles mantêm equilibrados os níveis de sódio, potássio, cálcio, fósforo e magnésio, mantém o sangue com pH constante e contribuem para a produção de hormônios. Eles também são importantes na regulação da pressão arterial: se o indivíduo tem uma elevação de pressão porque comeu muito sal, seus rins, sendo saudáveis, ajudam a expelir sódio e água – o que reduz o volume do sangue e, assim, ajuda a manter a pressão dentro dos valores normais.

Por essa relação tão forte, o que ocorre com um pode influenciar no outro. Por isso, todo cuidado e atenção!Relação entre hipertensão e doença renal crônica

Causa e consequência

Sabe-se que a hipertensão arterial pode levar o paciente a desenvolver doença renal crônica. E quem tem algum problema renal tem grande probabilidade de ter hipertensão, que aumenta progressivamente conforme o rim se deteriora. Ou seja, um pode causar o outro, que piora o primeiro.

Os rins doentes retêm mais sal, produzem substâncias vasoconstritoras e aumentam a atividade do sistema nervoso simpático. Todos estes mecanismos ocasionam elevação da pressão. 

Portanto, há necessidade de manter a pressão controlada para preservar os rins e cuidar dos rins para prevenir a elevação da pressão arterial.

Como muitas das doenças de que falamos, a prevenção das doenças renais crônicas está ligada ao estilo de vida e hábitos. O ideal é manter boa alimentação, praticar atividades físicas e fugir dos vícios para não desenvolver diabetes, hipertensão, obesidade ou doenças cardiovasculares.

Racismo pode influenciar no risco de hipertensão

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Infelizmente, o racismo se mantém na moda. Continuamente, vemos notícias de injustiça e violência contra negros em todo o mundo – sem contar os episódios que vivenciamos na nossa rotina: racismo velado nos salários mais baixos, nos cargos subalternos, na falta de representatividade e de oportunidades.

E, como se não bastasse tudo isso, um estudo norte-americano nos mostra que afro-americanos têm mais risco de desenvolver hipertensão por causa da discriminação.

Parece pouco viável? Acompanhe comigo!

 

Discriminação e enfrentamento

O estudo foi publicado recentemente, em julho de 2020, e desenvolvido pelo Jackson Heart Study – o Jackson Heart é a maior investigação epidemiológica de um local já realizada; baseia-se na comunidade, em fatores ambientais e genéticos associados a doenças cardiovasculares entre afro-americanos.

O próprio estudo alerta que poucas pesquisas até hoje olharam para a associação entre discriminação e incidência de hipertensão – e eles fizeram um trabalho completo: avaliaram a discriminação cotidiana e a discriminação ao longo da vida. Ainda, se o estresse da discriminação estava associado à hipertensão incidente, e se essas associações diferiam por gênero, idade, atribuição de discriminação e respostas de enfrentamento à discriminação.

O estudo funcionou da seguinte forma:

  •       Foi feito com 1.845 afro-americanos entre 21 e 85 anos sem hipertensão no início;

  •       Eles receberam três visitas dos pesquisadores: em 2000 a 2004; 2005 a 2008; e 2009 a 2013;

  •       Usou-se a regressão de riscos proporcionais de Cox para estimar associações de discriminação com hipertensão incidente – trata-se de um tipo de análise de sobrevivência usada para estimar o tempo até a ocorrência de um evento, muito empregada pelas ciências da saúde, biológicas e engenharias.

Na primeira visita, os participantes que relataram experiência de discriminação no dia a dia, foram solicitados a identificar a estratégia que usaram para lidar com a discriminação de uma lista de 12 estratégias. As respostas foram usadas para atribuir a cada participante um dos três estilos de enfrentamento:

  •       Enfrentamento ativo (falar, tentar mudar, trabalhar mais para provar que estão errados ou orar);

  •       Enfrentamento passivo (aceitar, ignorar, guardar para si, evitar ou esquecer);

  •       Enfrentamento externo / outro (culpe-se, seja violento ou outro).

Os participantes que relataram discriminação ao longo da vida também foram convidados a identificar se usaram cada uma das 12 estratégias. Foi criada uma pontuação média (contínua) das respostas para cada um dos estilos de enfrentamento, somando o número de estratégias que os participantes relataram usar em cada estilo de enfrentamento.

E o resultado?

Durante o período de acompanhamento, 954 (52%) participantes desenvolveram hipertensão. Em comparação com participantes que não desenvolveram hipertensão, aqueles que desenvolveram hipertensão eram mais velhos, menos propensos a ter ensino superior, tinham um índice de massa corporal mais alto, eram mais propensos a serem fumantes ou ex-fumantes e praticavam menos atividades físicas. Os participantes que desenvolveram hipertensão, em comparação com aqueles que não desenvolveram, relataram mais estresse de discriminação ao longo da vida.

Por isso, convido todos a pensar nas suas atitudes. O racismo é irracional e, agora, se prova também que, além de fazer mal à saúde psicológica, afeta a hipertensão – doença que não tem cura. A pessoa que a desenvolve precisa se tratar pelo resto da vida.

Você já parou para pensar se você é o motivo de pressão alta em alguém?

 Black lives matter!

Referência: Forde AT, Sims M, Muntner P, et al. Discrimination and Hypertension Risk Among African Americans in the Jackson Heart Study. Hypertension. 2020;76:715–723

Sete indicadores para ter saúde!

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Podemos nos sentir bem e saudáveis, simplesmente porque não temos sintomas de nenhuma doença, crônica ou não, no momento. Mas há muitas doenças silenciosas, especialmente as cardiovasculares. Ainda recebo no consultório pacientes que não sabem se são hipertensos, porque não sentem nada.

A Universidade de São Paulo (USP) realiza um estudo de longo prazo com funcionários da USP, e constatou recentemente que só 7% dos paulistanos tinham saúde cardiovascular ideal – é muito pouco e estar em dia com ela reduz muito os riscos de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

Esse estudo é de longa duração: ele monitora, desde 2008, índices de hábitos de saúde de 15 mil adultos de faixa etária variada em todo o País. É chamado “Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto”, ou ELSA. Da cidade de São Paulo, há 4 mil participantes. E, para definir o que seria uma saúde cardiovascular ideal, o estudo acompanha sete indicadores para ter saúde, que trago hoje para você, e convido a se questionar: quais são os seus parâmetros para cada um deles?Set indicadores para ter saúde

1 – Pressão arterial

É a que eu sempre recomendo: 12 por 8.

2 – Açúcar no sangue

Em jejum, o indivíduo não deve ter glicemia maior do que 100 mg/dL.

3 – Colesterol

O colesterol total deve ser abaixo de 200 mg/dL.

4 – Tabagismo

O ideal é nunca ter sido fumante. Se você foi, para sua saúde estar melhor, é preciso que tenham se passado, pelo menos, dois anos sem fumar. Agora, se você ainda fuma… está na hora de parar!

5 – Peso

O índice de massa corpórea (IMC) deve ser de 18, 5 a 25. Seu cálculo se faz dividindo o seu peso por sua altura ao quadrado.Por exemplo: uma pessoa que pesa 60 quilos e mede 1,60 m (o quadrado de 1,60 será 2,56). Então, 60 dividido por 2,56 = 23,4 é o IMC, que está na faixa ideal.

6 – Exercícios físicos

Procure fazer 150 minutos por semana de atividade física, se for mais moderada, como caminhar, ou pelo menos 75 minutos por semana de uma atividade mais intensa. Não fique parado!

7 – Alimentação

Para consumir uma dieta ideal, você deve comer:

  • 4,5 porções de frutas e legumes por dia – cada porção é cerca de 80 gramas: uma banana ou uma pera, por exemplo;

  • 3 porções de grãos integrais por dia;

  • Até 5 gramas de sal por dia (equivale a 2 gramas de sódio/dia) – os sachês de restaurante têm, em média, 1 grama. Aqui, um alerta: a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda até 5 gramas de sal/dia, e o brasileiro consome 10 g de sal/dia! Já falei sobre isso aqui no blog – precisamos tomar muito cuidado com o sal e os alimentos industrializados e processados.

A tecnologia do seu celular pode salvar sua vida!

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As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte em todo o mundo – a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que mais de 17 milhões e meio de pessoas morreram de doenças cardiovasculares em 2017, o que corresponde a 31% dos falecimentos mundiais. Com estes números tão altos de pessoas que necessitam de auxílio para seguir o tratamento, tudo o que puder contribuir de modo fácil e barato para a adesão de milhões de pessoas é bem-vindo.

Pensando nisso, pesquisadores estudaram como aplicativos de celular, telemonitoramento e SMS permitem gerenciar as doenças cardiovasculares crônicas – inclusive a hipertensão -, bem como como conduzir e dar apoio à reabilitação cardíaca.

Na palma da sua mão

O celular – mais especificamente o smartphone – oferece  possibilidades para cuidar remotamente de pacientes com problemas cardíacos. Antes, a telemedicina exigia o fornecimento de equipamentos especializados para monitorar o paciente em casa. 

Agora, o celular e outros tipos de tecnologias “vestíveis”, como relógios, oferecem um potencial para monitorar a saúde por chamadas telefônicas, mensagens de texto, gravação de dados e monitoramento de atividades, que podem ser úteis para novos modelos de prestação de cuidados com a saúde.

Assim, um grande estudo, publicado em julho passado, na JMIR Publications, foi conduzido para verificar, entre outros objetivos, se as tecnologias de telefonia móvel podem reduzir os fatores de risco para eventos cardíacos, especificamente adesão à medicação e hipertensão.

Digo um “grande estudo” porque, na verdade, ele fez uma análise de trabalhos publicados em 12 países – da América do Sul, estava presente o Chile.

Menos internações e maior controle da pressão arterial

Essa metanálise demonstrou que, em pacientes com insuficiência cardíaca, a intervenção por aplicativos de celular reduziu a taxa de internações hospitalares, tanto em relação ao total de internações quanto em relação às internações por insuficiência cardíaca. Já em pacientes com hipertensão, aqueles que usaram os recursos do telefone tiveram uma pressão arterial sistólica significativamente mais baixa e se tornaram propensos a atingir a pressão ideal.

Dentre os tipos de tecnologia usados, estavam as mensagens recebidas por SMS, monitoramentos com avisos automáticos e aplicativos criados especificamente para a saúde.

Os pesquisadores concluíram que a tecnologia do celular pode melhorar a adesão à medicação em pacientes com doença cardíaca isquêmica, a pressão alta em indivíduos com hipertensão e as taxas de hospitalização em pacientes com insuficiência cardíaca. E que, devido ao risco e custo relativamente baixos dessas intervenções, elas devem ser consideradas como uma terapia auxiliar no tratamento dos pacientes.

Mobile Phone Technologies in the Management of Ischemic Heart Disease, Heart Failure, and Hypertension: Systematic Review and Meta-Analysis. JMIR Mhealth Uhealth 2020;8(7):e16695) doi: 10.2196/16695