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Hipertensão arterial

A pressão alta não dói e não avisa, e é justamente por isso que ela é perigosa. Aqui estão as perguntas que mais ouço, desde as mais simples até as de quem já tentou de tudo e a pressão não cede.

O básico, e o que quase todo mundo pergunta

Hipertensão é a mesma coisa que pressão alta? Acima de que valor?

Sim, hipertensão é o nome técnico. A pressão arterial é a força que o sangue exerce nas paredes das artérias enquanto o coração bombeia. Quando essa pressão fica constantemente acima do normal, chamamos de hipertensão. No consultório, considera-se hipertensa a pessoa com pressão igual ou acima de 140 por 90 mmHg. Fora do consultório os valores são mais baixos, e estão na página de medida da pressão.

Não tem cura, mas tem controle. Com tratamento adequado é possível manter a pressão em níveis normais, com mudanças de hábito, redução de sal e álcool, atividade física, perda de peso e medicamentos. Mesmo com a pressão normalizada, o tratamento continua, porque é ele que a mantém assim.

Sim, e é o mais comum. A pressão alta costuma não dar sintoma, mesmo em níveis perigosos. Muita gente descobre em exame de rotina ou depois de uma complicação séria, como infarto ou AVC. Por isso a medida regular importa, sobretudo com histórico familiar, excesso de peso, sedentarismo ou diabetes.

Não. Esperar o sintoma é arriscado justamente porque ele não vem. Pressão alta sem controle causa infarto, AVC, insuficiência renal e perda de visão, e nada disso avisa antes. O acompanhamento regular existe para ajustar o tratamento antes de a complicação aparecer.

Podem ser, em elevação abrupta e para valores muito altos. Mas no dia a dia a hipertensão em geral não dá sintoma, e a relação costuma ser inversa: a dor, o estresse e a ansiedade elevam a pressão no momento da medida. Medir a pressão porque está com dor de cabeça tende a gerar um número alto que assusta e não representa a sua pressão habitual.

Pode haver dor de cabeça forte, em geral na nuca, visão turva, tontura, palpitação e, em alguns casos, falta de ar e dor no peito. Diante desses sintomas, procure atendimento, porque pode ser uma emergência hipertensiva.

Com a pressão em valores como 180 por 120 mmHg, o risco de dano ao coração, ao cérebro e aos rins aumenta muito, e as consequências vão de infarto e AVC a insuficiência renal. É a razão pela qual o tratamento não é opcional.

Alguns medicamentos usados no passado causavam disfunção erétil. Com os medicamentos atuais o efeito é raro, e quando acontece não é permanente nem vale para todas as classes: o médico troca o remédio. Vale falar sobre isso na consulta, sem constrangimento, porque é uma das causas mais frequentes de abandono silencioso do tratamento.

Não. Medicamento para pressão não causa dependência. Ele é necessário porque a hipertensão é crônica. O que não se deve fazer é interromper sem orientação, porque a pressão volta a subir.

A pressão normalizou porque o remédio está agindo. Parar traz a pressão de volta, em geral em semanas. O que pode acontecer, e é decisão médica, é reduzir dose ou número de remédios em quem perdeu peso, reduziu sal e álcool e manteve a pressão bem abaixo da meta por um período.

Não. Cada pessoa responde de forma diferente, e o tratamento depende da idade, das outras doenças, da função renal, dos exames e da tolerância aos medicamentos. Por isso combinações e doses variam tanto de um paciente para outro.

Não. A maioria tolera bem, e quando aparece efeito colateral ele costuma ser leve. Avise o médico em vez de suspender por conta própria: quase sempre se resolve com ajuste de dose, de horário ou troca de classe.

Não, e essa é uma ideia perigosa. Álcool em excesso interfere no controle da pressão e reduz a eficácia dos medicamentos, mas interromper o remédio para beber faz a pressão subir. Se for beber, modere, e mantenha a medicação.

Alguns podem potencializar o efeito hipotensor e causar queda de pressão. Informe sempre tudo o que você toma, inclusive o que não foi prescrito por mim.

A cafeína pode elevar a pressão de forma temporária, principalmente em quem não tem o hábito. O efeito costuma ser leve e passageiro. Para quem tem hipertensão, o consumo recomendado fica em até 200 a 300 mg de cafeína por dia, o equivalente a três ou quatro doses de café expresso. Como a sensibilidade varia, observe como o seu corpo reage, e lembre que chá, refrigerante e chocolate também entram na conta.

Sim. No frio os vasos se contraem e a pressão tende a subir. No calor eles dilatam e a pressão tende a cair. É comum precisar ajustar a medicação entre o inverno e o verão, justamente para evitar elevação em um e queda no outro.

Em algumas pessoas as crises podem ser desencadeadas por alteração da pressão, e alimentos ricos em sal, cafeína e bebida alcoólica pioram as duas coisas. O controle da pressão e a dieta equilibrada ajudam a reduzir a frequência das crises.

Sim. A pressão muito elevada danifica os vasos e pode levar a hemorragia, principalmente no cérebro, resultando em AVC hemorrágico. É uma das complicações que o controle da pressão evita.

Nos olhos, retinopatia hipertensiva, com risco de perda de visão. Nos rins, perda de função e insuficiência renal. No coração, aumento do risco de infarto e de insuficiência cardíaca. No cérebro, AVC e contribuição para demência vascular. São órgãos diferentes lesados pelo mesmo mecanismo.

É a interrupção do fluxo de sangue para uma parte do coração, em geral por bloqueio de uma artéria coronária, o que danifica o músculo cardíaco. A hipertensão é um dos principais fatores de risco, e é por isso que o controle da pressão é central na prevenção.

Sim, com a pressão controlada. Se a pressão estiver muito descontrolada, ou se houver tontura e visão turva, evite dirigir até a situação estabilizar.

A hipertensão descontrolada aumenta o risco cirúrgico, com complicação cardíaca, sangramento e dificuldade de cicatrização. Por isso vale garantir o controle antes de um procedimento eletivo, e informar o cirurgião e o anestesista.

Sim, embora seja menos comum. Em crianças costuma estar associada a obesidade, sedentarismo e dieta rica em sal, e também pode ser consequência de problema renal. O acompanhamento pediátrico permite diagnosticar cedo.

É mais frequente, mas não é consequência natural do envelhecimento. Com os anos os vasos ficam mais rígidos e a pressão tende a subir, e mesmo assim ela precisa ser controlada, porque a redução de risco de infarto, AVC e perda de função renal também vale para o idoso. O que muda é o cuidado com queda de pressão ao levantar.

A hipertensão tem componente genético importante. Filhos de pais hipertensos têm probabilidade significativamente maior de desenvolver a doença, e os estudos apontam algo entre 30 e 50 por cento mais de chance do que quem não tem histórico familiar. Isso não é destino: peso, sal, álcool, atividade física e sono pesam muito, mesmo em quem tem predisposição.

Sim, e ela explica parte do risco. Mas hábito também explica, e é sobre ele que se pode agir. Ter pai e mãe hipertensos é motivo para medir a pressão mais cedo e com mais frequência, não para aceitar a doença como inevitável.

O exercício regular ajuda a dilatar os vasos, facilita a circulação e reduz a pressão arterial. Também fortalece o coração, que passa a bombear com mais eficiência. As atividades aeróbicas, como caminhada, natação e ciclismo, são as mais estudadas nesse efeito.

Reduz a pressão, reduz o estresse, melhora a circulação e ajuda no controle do peso. Também reduz o risco de diabetes e de dislipidemia, que agravam a hipertensão. É a medida não medicamentosa com melhor relação entre esforço e resultado.

Pode, com orientação. Cargas leves a moderadas, sem manobra de esforço com a respiração presa. O que se evita é o esforço máximo, que provoca elevação abrupta da pressão durante a execução.

Depois do exercício os vasos permanecem dilatados por algum tempo, e a pressão fica mais baixa do que antes. É um efeito esperado, chamado hipotensão pós-exercício, e é parte do benefício. Quando a queda é acentuada pode dar tontura, e aí ajudam a hidratação e o desaquecimento adequado.

Alimentação equilibrada, rica em frutas e vegetais e com pouco sal, atividade física leve e regular como caminhada, manutenção do peso e parar de fumar. No idoso, cuidado especial com a queda de pressão ao levantar, que é causa importante de queda e de fratura.

Se você usa três ou mais medicamentos e a pressão continua fora da meta, o que costuma faltar não é um remédio novo, e sim uma investigação que ainda não foi feita.

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Quando a pressão não cede

Hipertensão resistente e as causas que precisam ser investigadas antes de aumentar mais um remédio.

O que é hipertensão resistente?

É a pressão que continua acima da meta mesmo com três medicamentos de classes diferentes, em doses adequadas e um deles sendo um diurético. Também é considerada resistente a pressão que só fica controlada com quatro ou mais remédios. Não é um caso perdido, é um caso que ainda não foi investigado até o fim.

Não, e essa é a parte mais importante. Antes de chamar de resistente, é preciso descartar três coisas muito comuns: medida de pressão feita de forma incorreta, doses abaixo do necessário ou combinação inadequada de remédios, e o paciente que não está conseguindo tomar a medicação como foi prescrita. A maioria dos casos rotulados como resistentes é uma dessas três situações.

Com medida fora do consultório, MAPA ou MRPA. Sem isso não dá para separar a hipertensão resistente verdadeira daquela que sobe só na presença do médico. Aumentar remédio com base apenas na pressão do consultório é um erro que leva a tontura, queda e abandono do tratamento.

As causas secundárias, ou seja, aquelas em que a pressão alta é consequência de outro problema. As mais frequentes são a apneia do sono, o excesso do hormônio aldosterona, a doença renal, o estreitamento das artérias do rim e problemas da tireoide. Algumas dessas causas têm tratamento específico, e em parte dos casos a pressão melhora muito ou normaliza.

Têm, e mais do que a maioria das pessoas imagina. A apneia obstrutiva do sono é uma das causas mais comuns de pressão alta difícil de controlar, e uma das mais esquecidas. Quem ronca alto, para de respirar durante o sono, acorda cansado ou dorme durante o dia deve ser investigado, principalmente se a pressão não cede ou se ela não cai durante a noite na MAPA.

É a produção excessiva de aldosterona, um hormônio da glândula suprarrenal que faz o corpo reter sal e perder potássio. Deixou de ser considerado raro: em pessoas com hipertensão resistente, aparece em cerca de uma a cada cinco. Vale investigar principalmente quando há potássio baixo no exame de sangue, mas o potássio normal não afasta o diagnóstico. O tratamento é específico, com medicamento próprio ou, em casos selecionados, cirurgia.

Anti-inflamatórios, corticoides, descongestionantes nasais, anticoncepcionais, alguns antidepressivos, ciclosporina, eritropoetina, cocaína e anfetaminas. Também alcaçuz e alguns suplementos e chás emagrecedores. Sempre leve a lista completa do que você toma, incluindo o que comprou sem receita, porque essa é uma das causas mais fáceis de resolver.

É comum e, em muitos casos, correto. Cada classe age em um mecanismo diferente, e combinar mecanismos costuma controlar melhor a pressão com menos efeito colateral do que empurrar a dose de um único remédio. O que precisa ser avaliado é se a combinação faz sentido e se alguma causa secundária foi deixada para trás.

Muda. Pressão alta que começa antes dos 30 anos ou depois dos 55, ou que piora de forma rápida depois de anos bem controlada, levanta suspeita de causa secundária e pede investigação mais ampla.

É o contrário da hipertensão do avental branco: a pressão está normal no consultório e alta na vida real. Só é descoberta com MAPA ou MRPA. Importa porque o risco cardiovascular dessas pessoas é semelhante ao de quem tem hipertensão evidente, e elas costumam ficar anos sem tratamento.

O dia a dia do tratamento

As dúvidas práticas que aparecem depois que o tratamento começa.

Devo tomar o remédio de pressão de manhã ou à noite?

Para a maioria das pessoas, o horário que importa é o que você consegue cumprir todos os dias. Estudos que compararam tomar de manhã e tomar à noite não mostraram diferença consistente de proteção. Existem situações específicas, como pressão que não cai durante o sono, em que o médico escolhe o horário de propósito. Fora essas, escolha o horário que você não esquece.

Tome assim que lembrar, no mesmo dia. Se já estiver perto do horário da próxima dose, pule a esquecida e siga normalmente. Nunca tome dose dobrada para compensar.

A pressão normalizou porque o remédio está agindo. Parar traz a pressão de volta, em geral em semanas. O que pode acontecer, e aí é decisão médica, é reduzir dose ou número de remédios em quem perdeu peso, reduziu sal e álcool e manteve a pressão bem abaixo da meta por um período.

É um sinal de que a pressão pode estar caindo demais, principalmente ao mudar de posição, e é mais comum em idosos. Não é para suportar nem para abandonar o tratamento por conta própria: avise o médico, porque quase sempre se resolve com ajuste de dose ou de horário. Tontura com queda tem consequência séria em pessoa idosa.

Na maioria das vezes, não. A relação é mais na direção contrária: a dor, o estresse e a ansiedade elevam a pressão no momento da medida. Medir a pressão porque está com dor de cabeça tende a gerar um número alto que assusta e não representa a sua pressão habitual. Por isso a avaliação se faz com MAPA ou MRPA, e não com medidas tiradas nos piores momentos.

Depende do estágio da doença e da quantidade de proteína na urina. Quem tem função normal e nenhum fator de risco pode repetir junto do check-up anual. Quem tem diabetes, pressão alta ou já tem alteração renal precisa de intervalos menores, definidos caso a caso. O que não faz sentido é acompanhar doença renal só com creatinina, sem nunca olhar a urina.

Precisa, e de preferência todos. Em doença renal e em pressão alta, a tendência ao longo do tempo vale mais do que qualquer exame isolado. Uma creatinina de três anos atrás pode mudar completamente a interpretação da creatinina de hoje.

Gravidez

Planejamento, pré-eclâmpsia e os remédios que precisam ser trocados antes de engravidar.

Quem tem pressão alta pode engravidar?

Pode, com planejamento. O ponto crítico é que alguns remédios muito usados para pressão não podem ser mantidos na gravidez, porque afetam o feto. A troca precisa ser feita antes de engravidar, não depois de descobrir a gestação. Se você tem pressão alta e pretende engravidar, avise o médico antes.

Os inibidores da enzima de conversão e os bloqueadores do receptor de angiotensina, que estão entre os mais prescritos, são contraindicados. Existem alternativas seguras e bem estudadas na gestação. A substituição é simples, mas tem que ser feita por médico.

É uma complicação da segunda metade da gravidez, com elevação da pressão associada a perda de proteína na urina ou a sinais de comprometimento de outros órgãos. Pode evoluir de forma rápida e é uma das principais causas de risco para a mãe e para o bebê, por isso o pré-natal mede a pressão em toda consulta.

Sim, e isso costuma passar despercebido depois do parto. Quem teve pré-eclâmpsia tem risco aumentado de hipertensão, doença cardiovascular e doença renal ao longo da vida. Merece acompanhamento com medida de pressão e exames de rim mesmo anos depois, e não apenas alta obstétrica.

Depende do estágio da doença, do controle da pressão e da quantidade de proteína na urina. Muitas mulheres com doença renal em fase inicial e bem controlada têm gestações bem-sucedidas. A avaliação antes de engravidar, com nefrologista e obstetra juntos, muda o desfecho.

Hábitos, dieta e substâncias

Sal, álcool, cigarro eletrônico e os suplementos que descontrolam a pressão de gente jovem.

Quanto sal eu posso comer por dia?

A recomendação para a população em geral é de até 5 gramas de sal por dia, o equivalente a uma colher de chá rasa, somando tudo. A maior parte do sal que ingerimos não vem do saleiro, e sim de pão, embutidos, queijos, temperos prontos e alimentos industrializados. Ler rótulo rende mais do que tirar o saleiro da mesa.

O menor tempo possível e sempre com orientação. O risco não é só para quem já tem doença renal: uso prolongado, doses altas, desidratação e associação com outros remédios podem causar lesão renal em quem tinha rins normais. Dor que exige anti-inflamatório por mais de alguns dias precisa de diagnóstico, não de repetição da caixa.

São uma causa frequente de pressão descontrolada em pessoas jovens. Costumam concentrar cafeína em dose alta e, em alguns casos, substâncias estimulantes não declaradas no rótulo. Se você tem pressão alta, evite e informe o médico se estiver usando.

Sobe, e o efeito é dose dependente. Reduzir o consumo é uma das mudanças de hábito com efeito mais rápido sobre a pressão. Álcool também interfere no efeito de vários remédios e é uma causa comum de pressão que não fecha a meta apesar do tratamento correto.

Não é uma alternativa segura. A nicotina eleva a pressão e a frequência cardíaca independentemente da forma de consumo, e o dano vascular é o que mais importa para rim e coração. Parar de fumar, em qualquer formato, é uma das medidas de maior impacto.

Se a sua pressão não controla ou o seu exame de rim alterou, vamos investigar a fundo.