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Dietas inflamatórias podem causar pressão alta e doenças cardiovasculares?

By 18 de novembro de 2020 No Comments

Você sabia que inflamações têm um papel importante em doenças cardiovasculares e também para a pressão alta? As inflamações são moduladas pela dieta. E, apesar de não sabermos ainda se padrões alimentares com maior potencial inflamatório estão associados ao risco de doenças cardiovasculares em longo prazo, precisamos nos atentar ao que comemos.

 

Foi desenvolvido um estudo chamado Dietary Inflammatory Potential and Risk of Cardiovascular Disease Among Men and Women in the U.S. (Potencial inflamatório alimentar e risco de doença cardiovascular entre homens e mulheres nos EUA) e publicado neste mês de novembro de 2020 no Journal of the American College of Cardiology (JACC). O estudo durou 32 anos e foi feito com:

 

  • 74.578 mulheres (1984–2016);

  • 91.656 mulheres (1991–2015);

  • 43.911 homens (1986–2016).

 

No início do estudo, nenhum deles apresentava problemas cardiovasculares ou câncer. A forma de avaliar a alimentação de cada foi por meio de questionários de frequência alimentar a cada 4 anos. E o potencial inflamatório foi medido com base em uma pontuação de padrão inflamatório alimentar empírico pré-definido a partir de níveis de 3 biomarcadores inflamatórios sistêmicos.

 

Doenças cardiovasculares: as conclusões são um alerta

 

Ao fim do estudo, os padrões alimentares com maior potencial inflamatório foram, sim, associados a maior risco de doenças cardiovasculares. Inclusive, a prevenção dessas doenças pode ser potencializada a partir de uma redução do potencial inflamatório da dieta, tornando-se uma estratégia eficaz!

Dietas inflamatórias

A pressão alta não fica para trás

 

Em junho, outro estudo já tinha sido publicado na área, dessa vez, focado na hipertensão. Ele foi feito na França e intitulado Dietary Inflammatory Index, Risk of Incident Hypertension, and Effect Modification from BMI (Índice Inflamatório Alimentar, Risco de Hipertensão Incidente e Modificação do Efeito do IMC – índice de massa corporal).

 

Além de avaliar a associação entre o índice inflamatório alimentar e o risco de hipertensão, este também verificou os efeitos que o IMC possa oferecer à questão.

 

O estudo começou em 1990, na França, e reuniu 46.652 mulheres que completaram um questionário detalhado sobre o histórico de dieta. Nenhuma delas apresentava hipertensão ou doença cardiovascular prevalente no início do estudo. A regressão spline foi utilizada para determinar as possíveis relações dose-resposta. Além disso, os casos de hipertensão foram autorrelatados e verificados por meio de um banco de dados com reembolsos dos medicamentos. Por fim, modelos de risco proporcional de Cox foram usados para calcular as razões de risco.

 

A conclusão foi de associações positivas fracas entre uma uma dieta altamente pró-inflamatória e o risco de hipertensão, particularmente em mulheres saudáveis e magras. Um alto índice inflamatório alimentar foi associado aos alimentos previamente implicados com resultados adversos à saúde (carnes processadas, fast food e açúcares, por exemplo). Ou seja, pessoas com risco de hipertensão e doenças cardiovasculares precisam fazer escolhas alimentares mais saudáveis para reduzir esse potencial inflamatório da dieta.

 

O que se deve comer? 

 

Quem acompanha o blog semanalmente, já está careca de saber, mas vou reforçar:

 

  • Alimentos in natura;

  • Frutas;

  • Vegetais;

  • Legumes;

  • Fibras.

 

E, é claro, não pode exagerar no sal e é preciso praticar atividades físicas! Nunca é tarde para mudar um hábito. Comece agora mesmo!

Decio Mion

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