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Quanto mais chocolate, mais prêmios Nobel

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O texto de hoje é baseado em uma curiosidade, contida em um estudo publicado no The New England Journal of Medicine. Descobriu-se que os flavonoides presentes na dieta ajudam a melhorar a função cognitiva – eles são os compostos bioativos do grupo dos polifenois encontrados em hortaliças, frutas, cereais, chás, café, cacau, vinho, suco de frutas e soja. E uma subclasse desses flavonoides, presente no cacau, chá verde, vinho tinto e algumas frutas, parece ser ainda mais eficaz.

 

A partir do dado de que o consumo de chocolate poderia, hipoteticamente, melhorar a função cognitiva não apenas em indivíduos, mas também em populações inteiras, o autor decidiu estudar a relação entre o consumo de chocolate de um país e a função cognitiva de sua população.

 

E foi assim que ele descobriu que, quanto mais um país consome chocolate, mais prêmios Nobel ele conquista. É claro que alguns fugiram à regra ou não estavam exatamente na colocação correta, mas resumidamente, quanto mais chocolate, mais prêmios Nobel.

 

Consumo no Brasil

 

Você já parou para averiguar como é o consumo de nós, brasileiros?

 

quanto mais chocolate, mais prêmios nobel

Considerando-se outros países, como reino Unido, Suíça e Alemanha, em que o consumo médio per capita é de mais de 8 quilos por ano, o Brasil está bem atrás. Aqui, o consumo por pessoa é de cerca de 1,2 quilo ao ano. E, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), 75% da população brasileira o consome, sendo que as mulheres representam 56% desse montante.

 

O chocolate preferido do brasileiro é ao leite e o segundo é o chocolate branco. Em terceiro lugar, está o meio amargo.

 

Chocolate e a pressão arterial

 

Se você é fã de chocolate, mas sofre de hipertensão, saiba que o chocolate amargo pode ajudar a diminuir a pressão arterial. O amargo é aquele que contém entre 65% e 80% de cacau e tem menos gordura e açúcar. Ele também é responsável por outros benefícios à saúde.

 

Mas é preciso cuidado. O consumo excessivo de chocolate pode causar problemas e, até mesmo, o aumento da pressão arterial. Portanto, coma com moderação e, sempre que possível, opte pelo meio amargo.

Ao hipertenso tratado, é melhor fazer exercícios físicos de manhã ou à noite?

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O nosso grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), liderado pela Profa. Claudia Forjaz, publicou em dezembro de 2018, estudo que comparou os efeitos do treinamento aeróbico, de exercícios físicos de manhã e à noite na pressão arterial das pessoas que têm hipertensão, mas que estão devidamente tratadas.

 

Para realizar o estudo, houve o acompanhamento de 50 homens hipertensos tratados alocados aleatoriamente em três grupos:

 

  • Treinamento matinal;

  • Treinamento noturno; e

  • Controle.

 

Os grupos fizeram treinamentos em bicicleta, por 45 minutos em intensidade moderada (progredindo da frequência cardíaca do limiar anaeróbio para 10% abaixo da frequência cardíaca do ponto de compensação respiratória), enquanto o grupo controle fez alongamentos por 30 min.

 

As intervenções foram realizadas três vezes por semana durante dez semanas. Foi avaliada a pressão arterial no consultório e pela MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), além dos mecanismos hemodinâmicos e autonômicos antes e após as intervenções.

 

A diminuição da pressão arterial aguda foi maior após exercícios realizados à noite do que de manhã. Ou seja, o artigo sugere que exercícios físicos noturnos podem ter um efeito hipotensor maior.

 

O estudo concluiu que em homens hipertensos tratados, o treinamento aeróbico realizado à noite diminui a pressão arterial clínica e na MAPA, devido a reduções na resistência do sistema vascular e na modulação simpática vasomotora.

 

Que preguiça de treinar à noite!

 

hipertenso treinar à noiteNão tenha! Pense que é possível, depois de um dia com suas atividades regulares, jogar energias pra fora, reduzir estresse e ainda perder peso.

 

Além do melhor controle da pressão aos hipertensos, praticar exercícios físicos oferece muitos benefícios a todos em geral: inicialmente, dorme-se melhor, o que ajuda a combater a insônia – já falamos do assunto neste blog.

 

Manter o treino no mesmo período do dia ajuda a criar a rotina; em pouco tempo, o seu corpo e mente estarão acostumados a treinar naquele horário, e, mesmo que você não goste tanto assim da atividade, sentirá falta dela. Então, se é para escolher um período, já dê preferência para a noite.

 

E, por falar em não gostar da atividade, sejamos espertos: não insista em correr se você odeia correr. Procure opções – esportes, como futebol ou tênis, andar de bicicleta, fazer atividades na água e até treinamento circense são possíveis, também em academias e centros de esporte. Pesquise e escolha o que te dá prazer!

 

Informações adicionais sobre o efeito dos exercícios físicos na pressão arterial

 

Os autores do artigo citado relatam que o efeito hipotensor do treinamento aeróbico tem sido amplamente relatado na literatura. Uma metanálise clássica, que incluiu 26 ensaios clínicos randomizados com hipertensos, concluiu que o treinamento aeróbico diminui a pressão sistólica em -8 (-11 a -6) mmHg e a pressão diastólica em -5 (-7 a -3) mmHg, com as maiores reduções obtidas com as sessões de treinamento realizadas 2-3 vezes por semana, com duração de 30 a 45 minutos e com intensidade moderada.

 

No entanto, apesar desse conhecido efeito hipotensor crônico, as reduções da pressão arterial após o treinamento aeróbico variam entre os estudos, e alguns fatores, como pressão arterial inicial mais alta, intensidades de treinamento moderadas a altas e redução de peso concomitante induzido pela dieta, foram identificados como promotores de maior diminuição da pressão arterial. Além disso, até 25% dos hipertensos parecem não responder ao exercício e não demonstram diminuição da pressão arterial devido a características genéticas e/ou outros fatores não reconhecidos. Por esses motivos, outros fatores que potencializam o efeito hipotensivo do treinamento aeróbico devem ser investigados.

Dieta rica em proteínas pode prejudicar até mesmo rins saudáveis

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Dois estudos recentes revelam que uma uma dieta rica em proteínas pode prejudicar até mesmo rins saudáveis de acordo com um artigo publicado no portal médico Medscape, em novembro do ano passado. Dietas desse tipo são, frequentemente, recomendadas por diversos profissionais para a perda de peso e até mesmo saudabilidade.

 

Os estudos são da Holanda e Coreia e foram publicados online, originalmente, no Nephrology Dialysis Transplantation. Estudos anteriores já haviam sinalizado que uma dieta rica em proteínas poderia prejudicar os rins e, por isso, nefrologistas já recomendavam uma dieta com pouca proteína a pacientes com tendência a ter doença renal crônica.

 

O artigo diz que acreditava-se que obter muita proteína ajudaria a manter o músculo magro e reduzir a massa gorda. Entretanto, de acordo com esses dois estudos e outros dados coletados, é o momento de quebrarmos esse tabu e esclarecer que uma dieta rica em proteínas não é tão segura como diziam, e que pode sim prejudicar rins saudáveis, resultando em declínio mais rápido da função renal.

 

carne proteínas rinsAlém disso, é preciso evitar a recomendação da alta ingestão de proteínas para perda de peso em pacientes obesos ou diabéticos ou, ainda, àqueles com problemas cardiovasculares ou com apenas um rim.

 

De acordo com o estudo holandês, o risco de doença renal crônica é ainda maior em indivíduos com diabetes. Já o estudo coreano explica que a alta ingestão de proteínas aumenta o risco de hiperfiltração renal que pode ir lesando o rim.

 

Por fim, o próprio artigo destaca que países ocidentais consomem mais proteínas do que o necessário, principalmente a população adulta. Em média, o consumo é de 20% a 25% ou mais do consumo total de energia, enquanto o recomendado pela maior parte das diretrizes é de 10% a 15% do consumo total.

 

Confira o artigo em inglês.

 

Fique de olho na sua proteína!

 

A proteína é, na verdade, uma substância formada de um conjunto de aminoácidos ligados entre si; são feitas de moléculas de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio.

 

Ela está amplamente presente no cardápio do brasileiro:

  • Proteínas animais: carne vermelha;peixes; ovos; leite; queijo e iogurte;

  • Proteínas vegetais: feijão; ervilha; soja; lentilha; nozes e grão-de-bico;

  • Proteína sintética: suplemento alimentar, como o Whey Protein.

 

Fique atento à composição das suas refeições: quanto mais equilíbrio no prato, mais equilíbrio na vida!

Durma melhor, e serão menores as chances de ter doenças cardíacas ou AVC

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Dormir bem pode reduzir riscos cardiovasculares (RCV) e de acidente vascular cerebral (AVC), de acordo com um artigo de dezembro de 2019, publicado pela Medscape. Segundo o texto, padrões de sono saudáveis foram associados a uma redução de um terço do risco a de doenças cardíacas e derrames, mesmo entre pessoas com alto risco genético.

 

Foram oito anos e meio acompanhando 7.280 casos cardíacos e de AVC documentados. Pacientes que dormiam de 7 a 8 horas por dia, e que nunca ou raramente apresentavam insônia, sem ronco e sem sonolência diurna excessiva e frequente, tiveram um risco 35% menor de doença cardiovascular incidente; 34% menor de doença cardíaca coronária; e um risco 34% menor de AVC do que os pacientes que relataram nenhum ou apenas um dos comportamentos saudáveis de sono mencionados. Para acessar o artigo completo, em inglês, clique aqui.

 

O intuito desse trabalho era investigar se os padrões de sono saudáveis poderiam modificar o efeito da predisposição genética à a doenças cardiovasculares. E, para tal, os pesquisadores utilizaram dados do Biobank do Reino Unido – um estudo amplo de indivíduos com idades entre 37 e 72 anos que forneceram amostras de sangue para genotipagem e relataram por meio de questionários online informações sobre sono, entre outros comportamentos relacionados à saúde.

 

relógio e cama durma bem e diminua as chances de doenças cardíacas e avcSabendo que fatores alimentares e atividade física poderiam modificar o risco genético, os pesquisadores assumiram que veriam algo semelhante com o comportamento do sono. Entretanto, não encontraram nenhuma interação estatística entre a pontuação do sono saudável e o risco cardiovascular genético.

 

Acabaram descobrindo o chamado efeito aditivo entre comportamento do sono e risco genético, ou seja, aqueles com maior risco genético e o menor número de comportamentos saudáveis do sono apresentavam o maior risco de doenças cardíacas e derrame.

 

Este estudo foi de natureza observacional, e a associação entre padrão de sono e eventos cardiovasculares não pode ser considerada causal. No entanto, os pesquisadores avaliaram o risco atribuível à população e sugeriram que se as associações fossem realmente causais, “mais de 10% dos eventos cardiovasculares, coronarianos e AVC não teriam ocorrido se todos os participantes estivessem no grupo de baixo risco nos cinco fatores do sono”.

 

Não consigo dormir!

 

Consegue, sim! Se você mudar hábitos do seu dia e de momentos antes do horário do sono, vai conseguir dormir. Isso é muito importante: sempre enfatizo a necessidade de um bom sono quando atendo meus pacientes, como muitos outros especialistas. Lembre-se de que hábitos saudáveis se refletem diretamente no sistema cardiovascular.

 

Descrevo aqui algumas dicas:

 

  • Tá na hora de dormir: procure se deitar todos os dias no mesmo horário; o corpo se acostuma ao sono;

  • Desligue as telas – nada de TV, tablet, celular; esse estímulo visual não ajuda em nada;

  • Leitura é bem-vinda, desde que seja leve e, de preferência, em veículo impresso ou em dispositivo que limita a luminosidade, imitando as páginas impressas de fato;

  • Faça exercícios físicos: a vida toda muda drasticamente quando você se entrega a uma atividade física – inclusive o sono;

  • Garanta um ambiente adequado, escuro e em silêncio;

  • Respeite o horário de acordar, assim, a roda vai girar de forma completa!

O efeito do avental branco: quando a emoção mascara a saúde

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O efeito do avental branco demorou a ser descoberto pela comunidade científica, mas hoje sabemos que é bastante comum e pode fazer toda a diferença no caso do diagnóstico da hipertensão.

 

Mas afinal, do que se trata esse efeito?

 

Trata-se de uma curiosa condição: a pressão do paciente se eleva significativamente no consultório com a presença do médico, escondendo sua pressão real. Há uma elevação momentânea de sua pressão arterial por emoção ou ansiedade – inclusive no paciente normotenso, ou seja, que tem pressão arterial normal, dentro da média esperada.

 

Pode acontecer, ainda, do paciente ir além do efeito e desenvolver a hipertensão do avental branco – ou seja, sua pressão perante o médico se eleva tanto, que ele passa a ser hipertenso na presença do médico e continua normotenso fora do consultório. Possivelmente, seu lado emocional o leva à condição de hipertenso na presença do médico.

 

E como descobrimos que os números apresentados devem-se ao efeito do avental branco? Precisamos monitorar todas as medidas do paciente durante 24 horas, ou seja, também fora do consultório.

 

Efeito conhecido desde o século XIX

 

A primeira descrição do efeito do avental branco foi feita em 1896(!) por Scipione Riva-Rocci, médico italiano.

 

Na ocasião, Riva-Rocci fez a seguinte descrição: “O estado mental do paciente tem um efeito transitório mas considerável na pressão sanguínea. Falar com o paciente, convidá-lo a ler ou olhar de repente para ele, assim como um barulho repentino, fazem a pressão subir.”

 

E completou: “A simples colocação do aparelho pode causar um aumento temporário da pressão sanguínea. É necessário tomar não uma leitura, mas várias sucessivas. Como 3 medidas em 3 minutos, ou 5 em 5 minutos, até que, na média, a pressão obtida seja constante”.

 

Como evitar?

 

efeito do avental brancoAos colegas de profissão, geralmente, é recomendado que evitem realizar a medida da pressão arterial com pressa, nos primeiros minutos da consulta. Aos pacientes, não há muito o que recomendar, pois o efeito do avental branco é inconsciente. Muitas vezes, o paciente não sente nervosismo, nem nada do tipo, que leve à crença de que uma aferição está descompensada por isso.

 

Além do efeito do avental branco, nos deparamos também com o cenário oposto: a hipertensão mascarada, em que a pressão arterial do paciente mostra-se menor durante a consulta, mas ele é hipertenso fora do consultório. Também é preciso mapear e tirar uma média, principalmente em pacientes com histórico familiar de hipertensão.

 

Por isso é importante confiar no seu médico: resultados no consultório podem enganar! Se ele sugere um monitoramento mais expressivo, exames ou medicamentos, é preciso seguir para obter os melhores resultados. Não deixe de cumprir o que lhe é solicitado durante uma consulta – os benefícios serão sentidos pela vida!

Jejum intermitente traz benefícios à saúde?

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Há algum tempo temos ouvido que “está na moda” seguir a dieta do jejum intermitente. Entretanto, o tema não é novidade e há artigos e estudos científicos que buscam entender cada vez melhor o impacto que ele tem em nosso corpo. Aqui, vou me basear em um artigo de 2019, escrito por Rafael de Cabo e Mark P. Mattson e publicado no The New England Journal of Medicine.

 

Nele, os autores falam que os resultados mostraram que muitos dos benefícios do jejum intermitente à saúde não são devidos apenas a produção reduzida de radicais livres e a perda de peso. Ele provoca respostas adaptativas celulares, colaborando para melhor regulação da glicemia, aumenta a resistência ao estresse e suprime inflamações. Ou seja, suas consequências podem ser melhores do que uma mera dieta para perder peso.

 

O jejum intermitente melhora vários indicadores da saúde cardiovascular em animais e humanos, incluindo pressão sanguínea; frequência cardíaca em repouso; níveis de lipoproteína de alta e baixa densidade (HDL e LDL) colesterol, triglicerídeos, glicose, e insulina; e resistência à insulina. Além disso, o jejum intermitente reduz marcadores de inflamação sistêmica e estresse oxidativo associados à aterosclerose.

 

Entendendo o que é jejum intermitente

Em suma, o jejum intermitente é nada mais, nada menos do que deixar de comer, ou reduzir drasticamente a alimentação durante um certo período de tempo. Esse período pode ser de 6 horas, 8 horas, 12 horas, podendo chegar a 18 horas diárias. Esse tipo de dieta, de acordo com o Conselho Internacional para Informação sobre Alimentos (IFICsigla em inglês), foi mais popular em 2018.

 

Como exemplo, pode-se escolher um regime alimentar diário de jejum de 6h podendo progredir para 8, 12 ou 18 horas e um período de alimentação correspondente de 18h, podendo progredir para 16, 12 ou 6 horas ou o regime de jejum intermitente de 5:2, lê-se 5 por 2, ou seja jejum (ingestão de 500 calorias) 2 dias por semana, com um período de transição de quatro meses para atingir a meta.

 

jejum intermitente representado por um prato vazio numa mesaO efeito disso no corpo é o seguinte: a glicose e os ácidos graxos são as principais fontes de energia para as células e, após as refeições, a glicose é responsável por dar energia e a gordura é armazenada no tecido adiposo na forma de triglicerídeos. Nos períodos de jejum, os triglicerídeos são quebrados em ácidos graxos e glicerol, usados para energia. O fígado converte esses ácidos graxos em corpo cetônicos, que se tornam os principais fornecedores de energia para muitos tecidos, principalmente para o cérebro.

 

Diferente de como vivemos hoje, nossos ancestrais não faziam três refeições diárias, intercalando as refeições principais com lanches e petiscos. Por isso, nosso corpo ainda aceita bem e responde quando fazemos o jejum intermitente.

 

Entretanto, é preciso estar atento, pois os resultados podem ser diferentes de acordo com o sexo, dieta, idade e fatores genéticos de cada um.

 

Apesar de ainda não entendermos completamente mecanismos específicos do jejum intermitente, sabe-se que os efeitos benéficos envolvendo mudança metabólica e resistência ao estresse celular existem. Não é à toa que a prática tem crescido e conquistado tantos adeptos ao redor do mundo.

 

Na dúvida, não inicie nada sozinho: converse com seu médico, até para ajustar um cardápio ideal para você. Hipertensos devem ter ainda mais cuidado, pois não podem errar quando chega a hora de comer. Vamos emagrecer, mas com consciência e sempre com saúde!

 

Fonte: N Engl J Med 2019;381:2541-51.

DOI: 10.1056/NEJMra1905136

Ano novo, vida nova: vamos cumprir a promessa de emagrecer?

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Economizar dinheiro, frequentar uma academia, parar de fumar: estas, talvez, sejam as mais populares promessas de ano novo, ao lado, claro, da campeã: este ano vou fazer dieta e emagrecer!

E não se engane: mesmo que você não tenha prometido perder peso em 2020, deve ter ganhado algo com as comilanças e eventos de fim de ano. Então, é bom não relaxar: se você ganhar um quilo em todo fim de ano e não mais perder, em cinco anos estará cinco quilos mais pesado – e, acredite, isso vai literalmente pesar negativamente para um envelhecer com saúde.

E uma pessoa hipertensa deve tomar ainda mais cuidado: dietas e exercícios são diferentes para quem precisa controlar a pressão.

 

Passe no médico antes de iniciar exercícios para emagracer

emagrecerHipertensos devem focar em atividades aeróbicas para ajudar a emagrecer – estou falando aqui de caminhada, corrida leve, hidroginástica, natação ou até mesmo aulas de dança.

Atividades com peso, como a musculação, também podem ser realizadas, sem muito peso. Levantar peso faz a pressão aumentar.

O lado bom do exercício, além de ajudar a emagrecer, é que, depois de realizado, ele tende a contribuir para a baixa da pressão, um ponto muito positivo para o hipertenso.

Se você tem pressão alta, seja qual for a atividade que você vá iniciar, lembre-se de checar se sua pressão está sob controle, de preferência passando em consulta com seu médico. Ele irá avaliar se você deve realizar algum exame antes de iniciar os exercícios. De qualquer forma, geralmente só liberamos para o exercício aqueles pacientes com pressão abaixo de 16 por 10.

Se você recebeu o aval para a prática esportiva, não se esqueça de se hidratar constantemente; a falta de líquido no organismo pode prejudicar os rins.

 

Equilíbrio no prato, e nada de sal

A dieta para emagrecer, seja você hipertenso ou não, deve sempre ser acompanhada por um profissional da saúde. Não caia na tentação de repetir o cardápio de um conhecido; o seu organismo é único e merece cuidado.

Não é segredo que o sal é o grande inimigo de quem tem pressão alta. Ele faz o corpo reter líquido, o que faz aumentar o volume de sangue circulando pelo corpo, sobrecarregando as artérias – e é aí que vem a pressão alta. O sal também incha, então não é nada indicado para quem quer perder peso. E lembre-se que, por sal, estamos falando de sódio; muitos alimentos, especialmente industrializados, carregam grandes quantidades de sódio e devem ser simplesmente deixados de lado.

Além disso, interferem na pressão:

  • Frutas e vegetais – principalmente a banana – são importantes pelo potássio, pois ele ajuda a baixar a pressão;

  • Álcool: cuidado! Uma dose ajuda a relaxar os vasos, mas muitas têm o efeito oposto, e os contraem!

Sempre considere que, quanto mais colorido o prato, melhor para sua saúde. Busque consumir todos os grupos alimentares e nunca coma mais do que precisa para saciar a fome. Novamente, o acompanhamento médico ou de um nutricionista para construir o melhor cardápio para o hipertenso é o ideal! Bom exercício e bom apetite!

Você é o que você come, e sua pressão também

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Começa com um inocente panetone, recebido no início de dezembro de algum conhecido. Daí pra frente, é “ladeira abaixo”: almoço de confraternização do trabalho, churrasco, feijoada, caipirinha, mais refrigerante do que o normal, happy hour com os amigos, uma cerveja ou talvez outro vinho, outro almoço de fim de ano com outros amigos, leitão a pururuca, um pudinzinho de sobremesa, e chegam as festas de fim de ano, peru, arroz com passas, arroz sem passas, maionese, chester (que é um frango modificado), vizinha deu um chocotone, sobrou pavê, que tal passar um cafezinho?

Cansou? Pois imagina seu organismo – afinal, você é o que você come.

Essa é a época em que grande parte das pessoas se permite exagerar – afinal, são encontros que nunca acontecem, sabores diferenciados, cardápios únicos, tempo de celebrar e se preparar para o reinício, tudo com cara de dezembro. E devemos nos permitir? É claro – comer faz parte da construção da nossa felicidade. Mas devemos nos permitir até quanto?

 

Depois eu resolvo

É preciso ter em mente que ganhar peso, para um adulto, é muito mais fácil do que perder – o “depois eu resolvo” vira um capítulo eterno. E ganhar peso é algo que seu organismo simplesmente não merece.

A obesidade faz com que o sistema nervoso autônomo que regula o calibre dos vasos fique hiperativo e, com isso, cause vasoconstrição – as artérias se fecham e a pressão sobe. Além disso, a obesidade promove retenção de sódio que também contribui para elevação da pressão.

Quando a pessoa não tem obesidade, a elevação da pressão estimula os rins a eliminar mais sódio e a pressão se normaliza, mas nos obesos ocorre o oposto: neles não é feita a eliminação de sódio como deveria, ou seja, o rim de quem está acima do peso vai reabsorver mais sódio. Vira um círculo vicioso.

Eu não diria que a obesidade causa a hipertensão, mas sim que ela desempenha um papel importante em seu desenvolvimento, especialmente nas pessoas que têm tendência hereditária de ter a pressão alta. Outros fatores que colaboram para esse desenvolvimento são o sedentarismo, o excesso de álcool e de sal. E nunca se esqueça: a hipertensão pode surgir sem anunciar, pois ela não causa sintomas. Os sintomas da pressão só ocorrem quando existe comprometimento dos vasos, principalmente, do coração, cérebro ou rins.

Sendo assim, em um descuido de fim de ano, pequenos exageros seguidos podem contribuir para uma piora na sua saúde. Vale a pena?

 

É para passar vontade? 

Não quero aqui fazer o papel do chato dizendo para comer alface enquanto  seus colegas repetem o peru com maionese. Como eu disse, comer nos deixa mais satisfeitos e felizes. Mas por que não se cuidar também nesse período? você é o que você come

Considere o que vai consumir: o que tem na mesa? Eu preciso comer “tudo de tudo”? E, se fizer questão, não é possível reduzir um pouco as quantidades em geral? Uma colher de arroz, ao invés de duas? Revezar o álcool com copos de água? O doce folhado está maravilhoso, mas será que cabe mesmo o segundo pedaço? Descubra a satisfação de comer conscientemente! Experimente!

É um cuidado que você pode ter consigo mesmo: se pensar com calma que você é o que você come, talvez se assuste um pouco com o estado de seu corpo e de sua saúde. E é só você mesmo quem decide o que come. Outro famoso ditado diz que a vida é feita de escolhas…Um brinde a sua saúde!

Conheça os diferentes remédios para a pressão alta

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Decidi explicar aqui os diferentes tipos de remédios para a pressão alta para que vocês entendam por que o remédio de um paciente nem sempre é igual ao de outro. Há muitas condições de saúde paralelas que influenciam nossa decisão na hora de definir o melhor medicamento para aquela pessoa; por isso, é essencial que cada um visite seu médico e faça seu acompanhamento.

Em primeiro lugar, é importante saber que o tratamento para pressão alta é empírico porque, na maioria dos pacientes, não sei qual o mecanismo que está elevando a pressão. Assim, dou preferência a medicamentos que sejam bem tolerados e atuem sobre mecanismos que, de modo geral, estão implicados na elevação da pressão.

Além disso, a estratégia que eu emprego para o tratamento da pressão alta é baseada em dois princípios. Inicialmente, administrar medicamentos em doses baixas para evitar efeitos colaterais e, depois, associar medicamentos que atuem em mecanismos diferentes. Utilizando dois ou mais medicamentos em doses baixas, podemos controlar a pressão de praticamente todos os pacientes. Sempre digo: “Não há pressão que eu não controle”. Com os medicamentos disponíveis, podemos colocar a pressão em níveis ótimos sem efeitos colaterais.

remédios para a pressão altaAntes de falar sobre os remédios para a pressão alta, um alerta: deve-se evitar a automedicação. Não existe tomar o remédio que sobrou do vizinho; não existe experimentar uma semana o comprimido do seu pai, porque você acha que está com pressão alta e ele já trata a condição. Simplesmente, não existe! Automedicação é um convite para a piora. Exatamente porque cada organismo é único, o tratamento precisa ser individualizado e o seu médico é quem pode saber qual o melhor medicamento para você.

Sei que parece perda de tempo falar sobre isso em um país onde, a cada hora, três pessoas são vítimas de automedicação, segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF). Mas precisamos insistir. Conhece quem se automedica? Pare tudo e alerte essa pessoa já: ela pode estar indo para o caminho contrário do que imagina!

Cada caso é um caso

Listo, a seguir, os remédios para a pressão alta mais comuns para que vocês entendam como a condição global do paciente é importante para a escolha do medicamento. Todos os remédios para a pressão alta são vasodilatadores por diferentes mecanismos:

  1. Inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA): são medicamentos muito utilizados para o tratamento, pois impedem que o hormônio que aumenta a pressão, chamado angiotensina, seja produzido; a angiotensina é um vasoconstritor, ou seja, fecha os vasos e faz a pressão subir. Quando inibimos a angiotensina, evitamos a vasoconstrição e temos vasodilatação, ou seja, vasos relaxados e, com isso, a pressão abaixa; o principal efeito colateral dos IECA é a tosse;

  2. Bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA): são medicamentos que também inibem a ação da angiotensina, mas diferente dos IECAs, que inibem a produção da angiotensina, os BRAs bloqueiam a sua ação no receptor de angiotensina e também promovem vasodilatação; são muito bem tolerados e praticamente não têm efeitos colaterais;

  3. Diuréticos Tiazídicos: são diuréticos suaves que, no primeiro mês, eliminam um pouco mais de sal e água, mas depois abaixam a pressão por mudar a reatividade dos vasos levando a vasodilatação que, como vimos, abaixa a pressão. Não promovem aumento da quantidade de urina habitualmente eliminada. Os principais efeitos colaterais são fraqueza, câimbras e disfunção erétil. Os diuréticos chamados “diuréticos de Alça” são muito potentes e utilizados para provocar o aumento da quantidade de urina e, consequentemente, ajudar a reduzir o inchaço; são pouco utilizados para controlar a pressão;

  4. Vasodilatadores periféricos e de ação central: são medicamentos potentes que causam vasodilatação por agirem diretamente na parede dos vasos – vasodilatadores periféricos – ou no cérebro, inibindo os estímulos elétricos que causam vasoconstrição – vasodilatadores de ação central; os principais efeitos colaterais dos vasodilatadores de ação central são sonolência e boca seca; os de ação periférica são potentes e podem abaixar muito a pressão;

  5. Bloqueadores dos canais de cálcio: dilatam os vasos sanguíneos por impedir que o cálcio promova vasoconstrição. Assim, ocasionam vasodilatação que abaixa a pressão; o principal efeito colateral é o inchaço de tornozelo;

  6. Betabloqueadores: promovem vasodilatação agindo em vários locais, como coração, rins e nervos. Os principais efeitos colaterais são redução dos batimentos do coração (bradicardia), pesadelos e disfunção sexual.

Pelas breves descrições, já é possível perceber como um remédio pode ser ideal para um paciente e, para outro, maléfico. Imaginem o risco de uma pessoa com frequência cardíaca baixa tomar um betabloqueador…

Cada paciente recebe seu remédio de uma forma; por isso, há os que sofrem mais com efeitos colaterais e há os que não percebem alteração após a ingestão do remédio.

E até quando você vai tomar seu comprimido? Possivelmente, até o fim da vida, já que a hipertensão é uma doença crônica, sem cura. Parece ruim, mas não é. A boa notícia é que, se você controlar a pressão, não terá sua vida encurtada e nem as complicações da doença – AVC, infarto e paralisação dos rins. Se houver algum caso em que você deva parar de tomar, é o seu médico quem vai indicar. E, também, se você precisar mudar o tipo de medicamento, adivinha? Sim, seu médico saberá quando e o que fazer.

Devo medir a pressão arterial em casa?

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Devo medir a pressão arterial em casa? Sem dúvida! Atualmente, estima-se que 35% da população brasileira tenha pressão alta – é muita gente! Ela é o principal fator de risco para doenças como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC) – é importantíssimo, portanto, controlar sua pressão. Os aparelhos de uso doméstico podem ser úteis não apenas para quem está fora dos padrões de pressão normal, mas também para aqueles que estão sob tratamento, para que possam acompanhar o controle da pressão.

Porém, é preciso ter alguns cuidados para que a medição seja feita de forma correta e traga resultados confiáveis.

 

Quem deve medir?

Tendo o aparelho em casa, pode-se medir a pressão de toda a família, claro. Porém, ressalto aqui quem deve ter mais atenção com esse acompanhamento:

  • A pressão ideal é abaixo de 12 por 8. Estando nessa média, sugiro que a pessoa meça sua própria pressão uma vez por ano;

  • Pressão entre 12 por 8 e 14 por 9 significa uma situação limite – recomendo que a medição seja feita a cada seis meses;

  • Pressão igual ou acima de 14 por 9 – é a pressão alta. O indivíduo precisa medir diariamente no início do tratamento, antes do desjejum e do jantar. É preciso manter a medição até a pressão se estabilizar – o que ocorre quando a última difere menos de 5 pontos da anterior.

Há dois anos, tive o prazer de ter essa discussão com o Dr. Roberto Kalil no Programa Bem Estar da Rede Globo – confira mais dicas no vídeo:

 

Como medir a pressão arterial em casa?

Ao medir a pressão arterial em casa, é essencial se sentar e estar tranquilo, em estado de repouso. Fazer a medição em uma situação tensa, de correria ou ansiedade não vai traduzir a verdadeira pressão arterial da pessoa. 

Por isso, não recomendo confiar naquela checagem que, por vezes, nos oferecem nas ruas, pois, além da pessoa não estar sentada e em condições de repouso, esse nem é o local para isso. Aqueles equipamentos automáticos de farmácia também não são ideais – a pessoa coloca o antebraço na máquina, o que já está errado, e se mantém em pé. A chance de obter um resultado errado e levar um susto é grande…

Com aparelho digital automático, que é o que mais recomendo, coloque a braçadeira 2 a 3 cm acima da dobra do braço, e aperte-a, mas não excessivamente – pode passar um dedo entre a braçadeira e o braço. Apoie o cotovelo em uma mesa e vire a mão para cima. 

Neste vídeo, há um passo a passo bem detalhado:

https://globoplay.globo.com/v/7010629/

 

Há aparelhos digitais com bomba, mas não são ideais para a automedição, porque o próprio paciente terá que fazer esforço para pressionar a bomba. Existem, também, os que medem pelo pulso, mas não acho muito confiáveis… Se for usar, o aparelho no pulso esquerdo com o monitor virado para dentro, também com o cotovelo apoiado na mesa e a palma da mão para cima É essencial que o punho esteja na altura do coração para um resultado mais seguro.

 

Atenção: seu aparelho deve estar calibrado!

Os aparelhos para a medição devem ser calibrados uma vez por ano, e há lojas especializadas que fazem esse serviço, além de alguns hospitais e até mesmo o Inmetro.

Calibrar não significa fazer um conserto ou ajuste, mas comparar os valores de um instrumento com uma referência padrão. Ao calibrar, você garante a qualidade e precisão dos resultados – aparelhos há muito tempo sem calibração podem dar resultados errados. 

Com tudo em mãos, faça as medições necessárias, mas não se esqueça: apenas o acompanhamento médico profissional pode garantir o tratamento correto e a manutenção da qualidade de vida e da saúde. Não confie que apenas o seu controle em casa possa garantir que tudo esteja certo. Mesmo quem parece ser saudável e não sente sintomas deve fazer um check up anual.