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Qual a ligação entre enxaqueca e pressão arterial?

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Muitas pessoas me perguntam qual a ligação entre enxaqueca e pressão arterial. Aliás, perguntam se ela sequer existe. E, sim, existe. Entretanto, ao longo do tempo, descobrimos que não era exatamente como se pensava.

 

Antigamente, achávamos que a pressão alta dava dor de cabeça. Na verdade, acontece o oposto. Hoje, sabemos que qualquer dor eleva a pressão porque a pressão arterial é uma variável fisiológica, influenciada por vários fatores. Ela tende a se elevar com emoções fortes, durante a prática de exercícios físicos, durante o uso do cigarro ou de bebida alcoólica e com sensações dolorosas.

 

A enxaqueca, por se tratar de uma dor de cabeça de moderada a forte intensidade, pode determinar a elevação da pressão arterial como um fenômeno secundário, ou seja, a pressão alta é uma consequência, e não a causa da enxaqueca. A pressão alta por si só, geralmente, não costuma causar dor de cabeça, a não ser que esteja em níveis muito elevados.

 

Entendendo a enxaqueca   

 

Estima-se que, no Brasil, 31 milhões de pessoas sofram de enxaqueca e, ao contrário do que muitos pensam, o distúrbio não é frescura e pode ocorrer em qualquer idade. As mulheres são as mais afetadas, quando adolescentes ou jovens adultas.

 

Sua causa ainda é indefinida pela ciência, mas existem alguns fatores considerados gatilhos, como insônia; jejum prolongado; fumo, estresse; consumo de açúcar, café, chocolate e bebidas alcoólicas; alguns tipos de perfumes e alterações hormonais.

 

Nem toda dor de cabeça é enxaqueca. São alguns sintomas que definem o quadro de migrânea, como também é chamada. São eles:

 

  • enxaqueca

    Dor com intensidade moderada ou muito forte, com características pulsátil e latejante;

  • Depressão;

  • Agitação;

  • Vômitos;

  • Náuseas;

  • Irritabilidade;

  • Hipersensibilidade à luz e a certos sons.

 

Após o diagnóstico, o tratamento é definido de acordo com as características das dores do paciente e a frequência de suas crises. Infelizmente, não há uma cura, portanto o objetivo do tratamento é suprimir os sintomas e evitar que novos eventos ocorram, melhorando a qualidade de vida do paciente.

Quantas cervejas posso tomar por dia?

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Cuidados que os hipertensos devem ter durante a quarentena

 

As bebidas alcoólicas em excesso  – cervejas, vinhos e destilados – são inimigas da pressão arterial. Quando falamos em consumidores pesados de álcool, aqueles que ingerem mais de 3 doses de álcool/dia, a prevalência de hipertensão arterial é o dobro da observada em abstêmios e consumidores leves, de acordo com o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA). É possível observar redução da pressão arterial após uma semana de abstinência.

 

Uma dose padrão de álcool contém aproximadamente 15 g de etanol, que equivale a uma lata de cerveja (330 ml), ou uma taça de vinho (150 ml) ou uma dose de destilado (50 ml). Assim, o consumo pesado é definido como a ingestão de pelo menos 3 doses de álcool/dia e o consumo leve-moderado quando a ingestão é menor do que 3 doses de álcool/dia, ou seja, duas doses/dia.

 

Há evidências que o consumo de cervejas, vinhos ou destilados pode reduzir o efeito de medicamentos para hipertensão, e que a redução deste consumo pode exercer papel semelhante ou maior na hipertensão que a perda de peso, atividade física e redução na ingestão de sal. Por fim, podem piorar a gastrite e dificultar a perda de peso levando a obesidade, outra inimiga do organismo, que também contribui para a hipertensão.

 

É sempre preciso consumir essas bebidas com moderação e não interromper o uso da medicação Entretanto, sabe-se que, durante esse período de quarentena e distanciamento social, o consumo de bebidas alcoólicas tem aumentado significativamente.

 

Álcool e pressão arterial

 

Primeiro, precisamos entender como o álcool afeta a pressão arterial. Cervejas, vinhos e destilados promovem vasoconstrição, ou seja, os vasos ficam mais estreitos. Quando o coração precisa impulsionar o sangue contra um vaso mais estreito a pressão sobe dentro do vaso.

 

Não há efeito agudo do álcool na pressão arterial dentro de minutos a horas – inclusive pode haver redução, após 8 horas de sono, nas pessoas que bebem à noite. As pesquisas mostram que a pressão arterial tende a se elevar de forma subaguda, dentro de dias a semanas.

 

Aumento do consumo

 

cervejas dr decio mionEm abril passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou preocupação com o aumento do consumo de álcool na quarentena e sugeriu que seu acesso fosse restringido. E, de acordo com a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), as distribuidoras tiveram um aumento de 38% em suas vendas; para os mercados, esse crescimento foi de 27%.

 

Apesar da euforia inicial, o álcool é capaz de estimular comportamentos violentos, pois libera nossos impulsos e emoções.

 

É preciso lembrar que as bebidas alcoólicas são lícitas, mas podem causar dependência. Portanto, seu consumo precisa ser feito com moderação.

 

Quanto é considerado aceitável? Quantas cervejas posso tomar por dia?

 

A orientação básica é não beber. No entanto, para que bebe, é aceitável ingerir no máximo duas doses de álcool/dia para homens (30g de álcool) que equivale a duas latas de cerveja (350ml/lata) ou dois copos de vinho de 150ml ou duas doses de 50ml de destilados como uísque, vodka ou aguardente; para mulheres ingerir no máximo uma dose de álcool/dia (15g de álcool);

 

E então: vamos nos cuidar nessa quarentena? Não beber ou para quem bebe, no máximo duas latas de cerveja/dia. 

Diabetes e hipertensão na idade avançada: é normal?

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Muita gente acha que ter diabetes e hipertensão na idade avançada “é normal” porque envelheceu e a vida é assim mesmo. Não, não é bem assim!

 

diabetes e hipertensão na idade avançadaDiabetes e hipertensão não são doenças inerentes aos idosos. Há aqueles que não têm nada disso – pasme! Essas são doenças que precisam de um controle rigoroso, às vezes, por décadas. O que isso quer dizer? Que as visitas regulares ao médico são fundamentais. Portanto, é preciso cuidar da saúde a vida inteira para que, no futuro, outros problemas não surjam por causa dessas doenças. E se você já é mais velho, saiba que o futuro é agora e você precisa se cuidar.

 

Hipertensão

 

A hipertensão também é responsável por insuficiência cardíaca, paralisação dos rins, infarto do coração e derrame cerebral (AVC – acidente vascular cerebral). Estas últimas são as principais causas de mortalidade.

 

  • Derrame cerebral ou AVC (acidente vascular cerebral);

  • Infarto no coração.

 

No mundo, estima-se que 1,13 bilhão de pessoas sofre com a doença, de acordo com a  Organização Mundial da Saúde (OMS). E, no Brasil, 24,7% da população é diagnosticada com a condição, segundo pesquisa Vigitel, divulgada pelo Ministério da Saúde. Entretanto, devemos nos lembrar de que a doença é silenciosa e muitas pessoas não têm conhecimento de que são atingidas por ela.

 

Diabetes

 

O diabético tem um compromisso diário consigo mesmo: medir sua glicemia. Sua vida depende disso, pois maiores complicações podem surgir caso ele não o faça. E, assim como a hipertensão, é uma doença silenciosa e traiçoeira e, em suas fases mais avançadas, pode causar:

 

  • Derrames cerebrais;

  • Ataques cardíacos;

  • Problemas oculares;

  • Neuropatias periféricas;

  • Insuficiência renal.

 

E os números são preocupantes. De acordo com dados de 2017, da Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo são mais de 422 milhões de pessoas com a doença. No Brasil, entre 2006 e 2016, os casos cresceram 61,8%, de acordo com o Ministério da Saúde. O que, em 2018, representava cerca de 13 a 15 milhões de pessoas, ou 10% da população. Isso nos torna o quarto país com o maior número de diabéticos no mundo, segundo o International Diabetes Federation (IDF). O grande detalhe é que nem todas as pessoas sabem que têm a doença, portanto, esse número pode variar e chegar a 18 milhões.

 

O mais importante, nos dois casos, é o cuidado com a qualidade de vida e evitar riscos que aumentam com o passar do tempo. Ir ao médico e fazer checks ups é o básico. É necessário. Faça isso. Por você e por aqueles que ama.

 

E não use o passar dos anos para se acomodar: ter diabetes e hipertensão não é coisa que vem com a terceira idade…

Coronavírus: voltando ao assunto porque temos novo estudo!

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Os hipertensos precisam mudar a medicação durante a pandemia por coronavírus?

 

Volto a este assunto porque foi publicado um estudo retrospectivo chinês (Circulation Research 23/4/20) mostrando que pacientes hipertensos que tomavam os anti-hipertensivos da classe dos IECA ou BRA tiveram mortalidade menor do que os que não tomavam. Estudo com muitas limitações, mas é o primeiro que compara estas duas populações sugerindo que o bloqueio da angiotensina II por IECA ou BRA pode contribuir para desfecho favorável da COVID19. A angiotensina II é um potente vasoconstritor que pode piorar o quadro de pneumonia.

 

coronavírusA dúvida se os pacientes hipertensos deveriam continuar a tomar ou suspender o uso de IECA ou BRA surgiu porque o uso destes anti-hipertensivos aumenta a quantidade do receptor ECA2 em animais. Como o coronavírus se liga ao receptor ECA2 para entrar nas células, o aumento destes receptores causado por IECA ou BRA fez com que se levantasse a hipótese de que estes anti-hipertensivos deveriam ser suspensos porque poderiam facilitar a entrada do SARS-CoV-2 ou aumentar a gravidade da doença.

 

Como são dados verificados em animais, decidiu-se recomendar que os pacientes mantivessem os medicamentos porque a sua suspensão traria consequências graves na evolução das doenças cardiovasculares.

 

Por outro lado, uma vez iniciada a infecção a quantidade do receptor ECA2, diminui o que resulta em aumento de angiotensina II, vasoconstritor muito potente que pode contribuir para a piora da pneumonia. Assim, o uso de IECA ou BRA poderia ser benéfico por bloquear o aumento da angiotensina II.

 

Daí a necessidade de estudos que avaliem os desfechos nos pacientes hipertensos com COVID19. Na realidade estes estudos não são importantes somente para os hipertensos porque os IECA ou BRA são utilizados também no diabetes, infarto, insuficiência cardíaca e outras condições.

 

Portanto, no momento ainda não se conhece a estratégia ideal para o tratamento de hipertensos com COVID-19, e a orientação é que os hipertensos devem continuar tomando suas medicações como IECA ou BRA. Qualquer dúvida, consulte seu médico.

 

Medicamentos da classe dos BRA (bloqueadores do receptor da angiontensina)

 

  • Candesartana – Atacand®, Blopress®

  • Irbesartana – Aprovel®

  • Losartana – Aradois®, Cozaar®, Losartec®, Losatal®, Redupress®, Zartens®

  • Olmesartana – Olsar®, Olmetec®

  • Telmisartana – Micardis®, Pritor®

  • Valsartana – Diovan®, Tareg®

 

Medicamentos da classe dos IECA (inibidores da enzima de conversão da angiotensina)

 

  • Captopril – Capoten®, Capotril®, Catoprol®, Capril®, Hipotensil®

  • Cilazapril – Vascase®, Cardiopril®, Inibace®

  • Enalapril – Renitec®, Eupressin®, Pressotec®, Vasopril®, Atens®, Enaprotec®, Angiopril®

  • Lisinopril – Zestril®, Prinivil®, Ecapril®, Lipril®

  • Perindopril – Coversyl®

  • Ramipril – Triatec®, Verzatec®

  • Trandolapril – Gopten®, Odrik®

Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão

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O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão é comemorado em 26 de abril. A data visa chamar atenção para a Hipertensão, assassina silenciosa que, no Brasil, provoca a morte de cerca de 300 mil pessoas por ano. Sim, eu sei que é um número assustador, por isso você precisa se cuidar e ter muita atenção com a sua saúde e, principalmente, com seus hábitos, pois eles estão dentro do seu controle.

 

Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão

Entendendo a hipertensão

 

Quando o coração bomba o sangue e os vasos estão estreitados, a pressão fica alta dentro dos vasos. É assim que acontece a hipertensão. Na maior parte das pessoas este estreitamento ocorre por fatores genéticos que interferem em muitos mecanismos de regulação da pressão e fazem com que os vasos fiquem estreitados. É como uma torneira ligada a um esguicho. Com a torneira aberta, se fechamos a ponta do esguicho, a pressão sobe dentro do esguicho. Com o tempo, vai ocorrendo lesão dos vasos e eles ficam endurecidos e podem romper ou entupir. É assim que acontecem o AVC ou derrame, o infarto do coração e a paralisação dos rins.

 

Por ser uma doença silenciosa, de acordo com o Ministério da Saúde, 50% dos brasileiros hipertensos não sabem que têm o problema. Dos que sabem, somente 50% toma remédios e dos que tratam, somente 50% está com pressão controlada. Daí a hipertensão ser um grande problema de saúde pública.

 

E como descobrir? A medição da pressão é o único modo de diagnosticar a hipertensão. Todos, acima de 20 anos, devem medi-la, ao menos uma vez por ano. Aqueles que têm histórico de familiares hipertensos recebem a recomendação de medição duas vezes ao ano.

 

A grande ironia da hipertensão

 

Doença muito comum com graves consequências, de fácil diagnóstico e com tratamento eficaz para evitar as consequências, mas somente 10 a 15% das pessoas que tem pressão alta está com a pressão controlada e se beneficia de todo conhecimento que temos da doença.

 

Fatores de risco – A hipertensão é democrática!

 

Os riscos são maiores em idosos, mas não é por isso que os jovens podem se descuidar! Afinal, a Hipertensão é muito democrática. Ela pode acometer jovens ou idosos, magros ou obesos, brancos ou pretos ou amarelos, diabéticos ou não diabéticos, nervosos ou calmos e homens ou mulheres. É lógico que ela é mais comum em idosos, obesos, pretos e amarelos, diabéticos e nos homens até a quinta década de vida quando passa a ser mais comum em mulheres. O consumo excessivo de álcool e sal, o sedentarismo e o excesso de peso são os maiores vilões quando falamos no aumento das chances de hipertensão. Portanto, está ao seu alcance evitar todos esses itens e levar uma vida mais saudável.

 

Mude seus hábitos

 

Adotar um novo estilo de vida é primordial para evitar o aparecimento da hipertensão. Seguem algumas recomendações:

 

  • Não abuse do sal;

  • Modere o consumo de álcool;

  • Pratique atividades físicas regularmente.

 

Além destas recomendações para evitar o aparecimento da hipertensão, hábitos saudáveis ajudam a evitar outras doenças. Assim, anote também:

 

  • Largue o cigarro;

  • Tenha uma alimentação saudável;

  • Evite alimentos gordurosos;

  • Durma bem;

  • Aproveite os momentos de lazer e mexa-se!

Aproveite o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão e o ano todo para combater a doença.

Abril Azul: conviver com meu neto autista me fez entender melhor as pessoas

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O Abril Azul levanta a bandeira pela conscientização sobre o autismo. No dia 2, comemorou-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, mas como o tema precisa de muito mais atenção, decidiu-se dedicar o mês todo a ele.

 

Você sabe o que é o autismo? Convive com alguém que é autista? Dependendo da sua proximidade com o transtorno, você sabe mais ou menos do que se trata. Na verdade, o autismo é o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma condição de saúde associada à dificuldade em duas importantes áreas: comunicação social e comportamento. De acordo com o Center for Disease Control and Prevention (CDC), aproximadamente 1 em 54 crianças de 8 anos de idade nos EUA é diagnosticada com TEA, com dados de 2016, sendo 1 em 34 meninos e 1 em 144 meninas identificadas com autismo – é bastante!

 

abril azulEu convivo com o autismo porque meu neto Romeo faz parte do espectro e meu filho Marcos Mion está muito envolvido com a causa pela conscientização sobre o autismo. Quando meu neto foi diagnosticado como autista, eu estava na consulta e presenciei o médico firmar o diagnóstico. É sempre um choque, mas meu filho teve uma reação espetacular e passou a encarar o fato de ter um filho autista como uma bênção. Esta postura fez toda diferença.

 

Na realidade, meu filho teve um papel importante na maneira como o autismo é visto no Brasil. O fato de encarar a vinda de um filho autista como uma bênção e divulgar em todas as mídias que meu neto faz parte do espectro, fez com que muitos pais, irmãos e parentes de autistas passassem a declarar que também tinham um parente autista sem aquela ponta de vergonha que antes existia. Houve uma mudança muito grande na maneira como os parentes de autistas passaram a se comportar. Hoje vejo muitos vídeos em escolas pelo país onde os autistas e seus coleguinhas dizem, sem constrangimento: “Hoje é meu dia: Dia dos autistas!”.

 

Meu neto sempre foi muito carinhoso, amoroso e muito ligado aos irmãos, pais e avós. Adora dormir na minha casa no fim de semana. A pureza que ele tem chama atenção porque ele é incapaz, por exemplo, de entender uma competição numa brincadeira, de fazer qualquer mal a alguém. Quando criança, era muito tímido e não conseguia participar das festinhas da escola junto com os coleguinhas. Hoje, já com 14 anos, superou grande parte das limitações e, recentemente, fez uma apresentação de sapateado numa festa da escola de dança onde ele estuda. Tem os seus interesses focados; por exemplo, adora o Barney – dinossauro roxo -, e assistir à peça dos Saltimbancos – em que o jumento é a figura preferida. Adora ver fotos e vídeos da família comigo e brincar com jogos no computador. É um garoto alegre e adorável.

 

Não há apenas um tipo de autismo, por isso cada pessoa tem uma singularidade de acordo com o grau que a afeta. Além disso, sessões de terapia ocupacional, psicologia e fonoaudiologia podem ajudar, principalmente na infância, para que a criança consiga participar de rotinas diárias e se tornar mais independente. Já casos mais severos exigem medicação.

 

Abril azul: por que falar sobre o tema?

 

Um dos principais motivos da existência da data e do mês é para a conscientização da população, pois, infelizmente, ainda há um estigma, preconceito e discriminação. A falta de informação, muitas vezes, é um fator relevante, já que temos medo do desconhecido, o que acaba se refletindo no preconceito. Mitos, como o de que determinadas vacinas poderiam ser responsáveis pelo autismo, tomaram o mundo. Entretanto, já se sabe que as vacinas não têm nenhum papel no aparecimento do autismo.

 

Por isso, precisamos falar sobre essa condição especial e deixar claro que não se trata de uma doença, não há risco de contágio e não precisamos nos afastar de um autista ou excluí-lo da sociedade. Muito pelo contrário, precisamos dar condições para que, cada vez mais, eles possam ter inclusão e ajuda, ou seja, o abril azul é muito mais do que um mês.

 

Lei Romeo Mion

 

Em janeiro deste ano, foi sancionada a Lei Romeo Mion, voltada para pessoas com autismo, com nome inspirada no nome do meu neto.

 

abril azul

A Lei 13.977 criou a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), que passará a assegurar atenção integral, pronto atendimento e prioridade no atendimento e no acesso aos serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social.

 

Ficamos muito felizes com essa conquista e por todas as pessoas que por ela serão beneficiadas. Essa foi uma conquista que teve participação importante do meu filho Marcos, um dos melhores pais que conheço, incansável na batalha para que esse projeto fosse aprovado, juntamente com outros pais e associações ligadas ao autismo.

 

É com orgulho e muito amor que publico este texto, e peço a todos: vamos olhar com amor e cuidado para o autismo. Não só no Abril Azul, mas sempre!

Hipertensão tem base genética?

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Uma questão bastante comum é se a hipertensão tem base genética. A resposta é sim. Na maior parte das pessoas, a hipertensão é hereditária, ou seja, você pode herdar a hipertensão do pai, da mãe ou de ambos de tal modo que a hipertensão aparece com mais frequência em algumas famílias do que em outras. Por quê? Porque os genes são segregados em padrão complexo de herança nas famílias que têm hipertensão. A probabilidade de ter hipertensão é maior para quem tem pai e mãe hipertensos do que quem tem só um deles.

Mas a hereditariedade não é a única causa. A hipertensão surge pela interação do componente genético do indivíduo com os seus hábitos ou estilo de vida.

Com relação a hábitos de vida, há fatores importantes no aparecimento da hipertensão: a quantidade de sal, potássio e de bebidas alcoólicas, o peso e a atividade física. Assim, se a pessoa ingere muito sal, pouco potássio, ou exagera nas bebidas alcoólicas, ou ainda se está obesa, ou é sedentária, a probabilidade da parte genética da hipertensão se manifestar é maior. Por outro lado, se você não come muito sal, come bastante potássio, não ingere bebidas alcoólicas em excesso, está dentro do peso ideal e não é sedentário, a probabilidade do componente genético da hipertensão se manifestar é menor.

Controle seus hábitos

hipertensão tem base genéticaAo contrário da parte genética, os hábitos de vida podem ser controlados. Então é importante saber o que são hábitos de vida saudáveis. O que é comer muito ou pouco sal? Ou potássio? O que é ingerir bebidas alcoólicas em excesso? O que é estar no peso ideal? E, finalmente, o que é não ser sedentário?

Em termos de quantidades, o que é recomendado para evitar o aparecimento da hipertensão, ou seja, as medidas preventivas são:

  • Comer menos do que 5 gramas de sal/dia o que equivale a 5 colheres de café rasas de sal. O brasileiro ingere, em média, 12 gramas de sal/dia;

  • Aumentar a ingestão de potássio com dieta rica em vegetais e frutas, tais como banana, beterraba, batata doce, molho de tomate, espinafre, aveia e abacate;

  • Ingerir no máximo duas doses de álcool/dia para homens (30 g de álcool), o que equivale a duas latas de cerveja (350 ml/lata) ou dois copos de vinho de 150 ml ou duas doses de 50 ml de destilados como uísque, vodca ou aguardente; para mulheres, no máximo uma dose de álcool/dia (15 g de álcool);

  • Estar no peso ideal, ou seja, o seu índice de massa corpórea deve estar entre 20 e 25. O índice de massa corpórea é calculado pela divisão do peso sobre o quadrado da altura;

  • Praticar exercícios dinâmicos (caminhada, corrida, ciclismo, dança, natação) de 3-5 vezes/semana durante 30 a 60 minutos.

É lógico que seguir dieta saudável complementa tudo o que comentamos. A dieta saudável deve conter baixo teor de gordura, principalmente saturadas, baixo teor de colesterol, elevado teor de potássio e fibras e baixo teor de sódio. O valor calórico total deve ser ajustado para obtenção e manutenção do peso ideal.

Numa pequena parcela das pessoas que têm hipertensão, a causa não é hereditária e nem ligada a hábitos de vida. São pessoas que têm, por exemplo, um tumor da glândula adrenal que produz catecolaminas, substâncias que elevam a pressão. Neste caso, a retirada do tumor leva à cura da hipertensão.

Nos casos em que a hipertensão tem base genética, ou é hereditária, não há cura, mas existe tratamento eficaz para controlar a pressão e reduzir as complicações da doença.

Portanto, quando não há cura, o importante é tratar a doença. Assim, tomando os medicamentos prescritos e realizando mudanças de hábitos, podemos controlar a hipertensão e evitar suas consequências desastrosas. É importante lembrar que hipertensos não devem interromper o tratamento devido à pandemia pelo coronavírus.

Não deixe a pressão subir: os exercícios não podem parar

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Estar “confinado” em casa pode causar estresse! Entretanto, os exercícios não podem parar. É preciso desestressar e evitar que a pressão suba. Sempre enfatizo a importância dos exercícios físicos para hipertensos: caminhada, ciclismo e natação estão entre as atividades recomendadas aos hipertensos. Entretanto, no momento em que vivemos agora, elas ficam mais difíceis de serem realizadas, certo?

 

Quem mora em prédio, provavelmente, está com a academia e a piscina fechadas e não tem um quintal, então é preciso ser criativo e dar um jeito de se mexer, mesmo que em um espaço pequeno.

 

exercíciosPrimeiro, devo lembrá-los de que é preciso dosar na intensidade. Em longo prazo, a prática regular de exercícios ajuda na hipertensão, mas durante os exercícios ela sobe um pouco. Então nada de forçar muito. Recomendo o foco em atividades aeróbicas, ao menos três vezes por semana, durante 30 minutos, no mínimo.

 

Dicas de exercícios aeróbicos para fazer em casa:

 

  • Pular corda: se você tiver uma corda em casa, esse é um dos exercícios mais simples e que mais queimam caloria;

  • Subir e descer escadas: simples e dinâmico, coloque uma música e voilá! A ressalva é para quem tem problema nos joelhos, dependendo do problema, esse exercício não é recomendado;

  • Dançar (existem muitos vídeos na internet): quer algo mais divertido? Hoje em dia, você pode encontrar aulas de dança online das suas músicas favoritas. Além disso, o exercício é muito prazeroso;

  • Polichinelos: para lembrar os tempos de educação física na escola! Não exigem equipamentos, só disposição;

  • Agachamento: o foco aqui é fortalecimento, mas quem tem problema nos joelhos também precisa tomar cuidado;

  • Cooper parado: que tal simular uma corrida? Acredite: você irá se cansar.

 

Esses são apenas alguns exercícios que podem ser realizados em casa. O ideal é não ficar parado e não deixar o sedentarismo e a fadiga se aproveitarem do momento de quarenta. Vamos manter sua pressão no lugar, bem estável, para que os dias sejam mais tranquilos. O cuidado com a sua saúde é todos os dias – tome as rédeas dela!

Adesão às recomendações: você é parte do processo para evitar o coronavírus COVID 19

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O conceito de adesão é sempre muito atual porque, quando o paciente segue as orientações do médico, o resultado é melhor. Sabemos que os pacientes não aderentes gastam mais e têm um resultado pior. O segredo da adesão é o paciente cumprir a sua parte no processo, ou seja, ter um papel ativo em seu tratamento.

 

Paralelamente, vivemos em uma sociedade que cobra muito, o tempo todo, resultados rápidos – novamente, a atuação do paciente em seu próprio tratamento será essencial para resultados eficientes e possivelmente mais rápidos do que se não houver adesão.

 

Para começar e conquistar a adesão do paciente, o médico precisa conversar com ele e entender não só o seu quadro médico, mas também suas condições de corpo e mente. Afinal, nossos hábitos se refletem em nossa saúde e em como vamos reagir às orientações médicas, não é?

 

Feito esse entendimento, agora é a vez do paciente – ele precisa entender que o médico não fará milagre: se ele não tomar os remédios indicados, não fizer os procedimentos e exames solicitados e cumprir tudo aquilo que o médico recomenda, não vai adiantar. Por isso, médicos, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais da área da saúde devem ter uma boa relação com o paciente. É necessário trabalharmos em conjunto.

 

Quando essa equipe multidisciplinar entra em cena, os resultados são geralmente bastante positivos. Procedimentos complementares são indicados por diversos profissionais para que, ao mesmo tempo em que o paciente trate o corpo, trate também a mente. Além disso, a relação entre médico e paciente muda, tornando-se mais estreita – deixando de ser, em muitos casos, distante e fria, como tantos pacientes reclamam.

 

Adesão nunca foi tão importante!

 

No momento atual, em que o coronavírus chegou ao Brasil e ainda terá seu pico em número de casos, esse conceito é ainda mais importante. Adesão ao isolamento e à higiene pessoal é fundamental para que o menor número possível de pessoas entre em contato com o vírus – refletindo-se, assim, em um menor número de óbitos.

 

Combater a propagação do COVID-19 é responsabilidade dos governos, dos órgãos de saúde e dos profissionais de medicina? Sim! E é, também, uma responsabilidade de cada cidadão!

O brasileiro e o consumo de sal exagerado

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Sim, é isso mesmo o que você leu no título: o brasileiro consome sal de forma exagerada. Basicamente, consumimos quase o dobro de sal recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Vamos entender melhor?

 

O brasileiro e o consumo de sal exageradoA quantidade recomendada pela OMS é de 5 gramas por dia; entretanto, os brasileiros consomem 9,34 gramas de sal por dia. Para referência, aquele sachê de sal que, geralmente, fica nas mesas das lanchonetes e restaurantes tem, em média, 1 grama – ou seja, poderíamos usar cinco desses por dia, e estamos usando quase dez!

 

Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Ministério da Saúde, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Hospital Sírio-Libanês chegou à conclusão de que os homens e os jovens são a parte da população que mais abusa do sal.

 

Realizado entre 2013 e 2014, o estudo utilizou amostras de sangue e urina de, aproximadamente, 9 mil adultos, coletados como parte da PEsquisa Nacional de Saúde (PNS). Ainda, identificou-se que mulheres e pessoas mais velhas consomem menos sal, mas não se iluda! A população brasileira, de modo geral, consome mais sal. Algumas pessoas chegam a consumir mais de 12 gramas por dia. O mais alarmante é que muitas pessoas não se dão conta de que consomem uma quantidade elevada, achando que está tudo bem.

 

Para aqueles que me acompanham, sabem o que isso pode causar, entre outros problemas: hipertensão, doenças cardiovasculares e renais. Só a hipertensão atinge quase 30 milhões de brasileiros. E, nas últimas décadas, a doença renal crônica praticamente triplicou no país.

 

Separei, aqui, dicas para diminuir a quantidade de sal na comida:

 

  • Substitua o sal por outros temperos (limão, ervas, cebola, alho);

  • Leia embalagens e verifique a quantidade de sódio;

  • Diminua o sal na comida aos poucos, para não estranhar tanto;

  • Evite alimentos congelados e com conservantes;

  • Evite alimentos industrializados, lights, processados e enlatados.

 

Que tal começar hoje mesmo? Menos sal significa, também, a descoberta de mais sabores!