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Consumo de sal na população brasileira

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O consumo de sal na população brasileira é preocupante – já até falei aqui no blog sobre este consumo exagerado. Agora, volto com um artigo recente, publicado na Ciência & Saúde Coletiva, que analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e identificou fatores demográficos, comportamentais e clínicos associados ao consumo elevado do sal. Aproximadamente 28% tinham uma ingestão estimada de sal superior a 10,56 g/dia. Vamos entender melhor?

 

O objetivo principal do estudo foi identificar os fatores associados ao consumo elevado de sal na população brasileira adulta. Para tal, foram feitas análises de dados de mais de 8 mil adultos, baseadas na excreção urinária de sódio de 24 horas, calculada pela relação sódio/creatinina em amostra de urina casual. Essa foi a primeira vez que a PNS permitiu estimar o consumo de sal na população brasileira por meio de análise de urina.

 

Resultados fora do recomendado

 

Na pesquisa, foram levados em consideração estilos de vida, fatores sociodemográficos, autoavaliação do estado de saúde e morbidade – e tudo isso foi analisado pelo cálculo das razões de prevalência brutas e ajustadas por idade e sexo.

 

No geral, constatou-se que o consumo de sal é elevado em todo o país e em todos os subgrupos da população, visto que apenas 3,4% do total apresentou consumo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que é de até 2 g de sódio/dia, equivalente a 5 g de sal de cozinha.

 

Entretanto, alguns pontos chamaram atenção: o consumo mais alto foi associado à presença de sobrepeso, obesidade ou diabetes; já o consumo mais baixo esteve associado com sexo feminino, escolaridade mais elevada, morar na região Norte do país e à presença de doença renal crônica.

 

O desafio para diminuir o consumo

 

Sabemos que mudar hábitos, geralmente, não é fácil. Portanto, é um grande desafio diminuir o consumo de sal e sódio nos sistemas fisiológicos, já que existe a necessidade contínua de eliminação do sódio da dieta ingerida pelos rins.

 

Contudo, é preciso que as pessoas realmente entendam o que o consumo de sal pode fazer com a nossa saúde, pois é um dos grandes fatores de risco para:

 

  • Problemas cardiovasculares;

  • Hipertensão arterial;

  • Acidente vascular cerebral;

  • Infarto do miocárdio;

  • Doença renal crônica.

 

Muitos problemas, não é mesmo? Então que tal começar a redução hoje mesmo? Como sempre digo: menos sal significa cuidado com a saúde e a descoberta de mais sabores!

Bebidas alcoólicas e seu conteúdo calórico

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As bebidas alcoólicas possuem um conteúdo calórico que, muitas vezes, não é questionado. E, de acordo com um artigo publicado na Obesity Reviews, liderado por Eric Robinson, PhD do Departamento de Psicologia da Universidade de Liverpool, Reino Unido, há descobertas significativas sobre o tema, já que ele pode estar ligado à obesidade.

 

Afinal, será que as bebidas alcoólicas deveriam mostrar seu conteúdo calórico nos rótulos?

 

Quantas calorias a bebida tem?

 

Pode ser que a maioria das pessoas nem se pergunte ou tenha conhecimento acerca do conteúdo calórico das bebidas que consome – aquela cervejinha, vinho ou destilado. A questão é: caso os rótulos com as informações calóricas fossem obrigatórios, será que eles apoiariam e mudariam seus hábitos de consumo, diminuindo assim a obesidade?

 

Os autores do estudo em questão dizem que isso não está claro, mas é confirmado que consumidores se surpreenderiam se soubessem que o álcool possui cerca de 7 calorias por grama.

 

O governo do Reino Unido, em 2020, fez um apelo por evidências científicas sobre o assunto, motivando o trabalho em questão. E por quê? Porque existe essa questão de planejamento, considerando uma política de rótulos de conteúdo calórico obrigatória em bebidas alcoólicas para um possível combate da saúde pública: diminuir o consumo excessivo e a obesidade.

 

De acordo com os autores, o valor de evidência ainda é muito baixo, portanto a incerteza também, principalmente por não trazerem dados mundiais. Ainda assim, eles garantem que esse é um passo importante até mesmo para encorajar a indústria a cortar calorias em bebidas.

 

Obesidade x Hipertensão

 

Sabemos que a obesidade e a hipertensão estão intimamente ligadas. Além disso, ambas são de alto risco para doenças cardiovasculares. Portanto, quanto menor o consumo de álcool e calorias consumidas, menores são os riscos.

 

Beba com moderação e cuide de você! Sua saúde não pode esperar. Já escrevi sobre o tema e, inclusive, as quantidades diárias adequadas que homens e mulheres hipertensos podem consumir: confira!

Estudo levanta dados sobre pressão alta pós-parto ligada à disparidade racial

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A pressão alta pós-parto, ou durante a gestação, tem sido responsável por boa parte dos casos de mortalidade e morbidade maternas – e que têm aumentado – nos Estados Unidos com disparidades raciais. Como há carência de pesquisas que descrevem a trajetória da pressão arterial após gestações com desenvolvimento de distúrbios hipertensivos, o site JAMA Network publicou um estudo realizado por diversos especialistas com esse objetivo.

 

Para tal, os pesquisadores fizeram avaliações de valores de pressão arterial durante as 6 primeiras semanas de pós-parto em mulheres que tiveram algum problema de hipertensão durante a gravidez, utilizando uma coorte prospectiva. O principal objetivo era descrever a trajetória da pressão arterial e verificar a existência de diferenças relacionadas à raça autorreferida pelas mulheres.

 

A realização do estudo

 

O estudo foi feito de 1º de janeiro de 2018 a 31 de dezembro de 2019, com um total de 1.017 mulheres que tiveram o diagnóstico clínico de transtornos hipertensivos desenvolvidos durante a gravidez. Desse total, 213 mulheres se declararam negras e 804 brancas. O monitoramento da pressão foi remoto, durante 6 semanas, e aferida de 3 a 5 vezes por semana.

 

A média de pressão arterial máxima na primeira consulta de pré-natal foi bastante similar comparando todas as pacientes: 118 x 72 mmHg; já na internação para o parto, foi de 150 x 98 mmHg para as mulheres negras, enquanto para as brancas foi de 145 x 94 mmHg.

 

Após o parto, nas primeiras 24 horas, a pressão máxima média foi de 140 x 88 mmHg para ambas as raças. Entretanto, após a primeira semana, as mulheres negras apresentaram um pico médio maior do que as mulheres brancas, mostrando essa mesma tendência após 3 e 6 semanas. Confira na tabela abaixo:

 

pressão alta pós-parto

 

O que aprendemos sobre hipertensão pós-parto?

 

Chegou-se à conclusão de que mulheres negras apresentaram maior probabilidade do que as brancas de manter a elevação de pressão durante as 6 primeiras semanas de pós-parto. Ao final, cerca de 51% das mulheres brancas e 68% das negras apresentaram resultados significativos para diagnósticos para hipertensão arterial de estágios 1 e 2.

 

Já falei aqui no blog sobre hipertensão na gestação e em como é necessário um acompanhamento médico durante esse período – afinal, há uma sobrecarga no sistema cardiovascular durante a gravidez.

 

Distúrbios hipertensivos que surgem durante a gestação aumentam as chances de desenvolvimento de hipertensão arterial crônica; portanto, não esqueça: todo cuidado é pouco!

Pesquisa e ciência pelo combate à hipertensão

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A pesquisa e a ciência são essenciais para a saúde de maneira geral, e agora podemos comemorar um novo avanço na área de hipertensão e diabetes. Como assim?

 

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), criou um software que apoia decisões clínicas nessas duas áreas.

 

Fatores de risco para doenças cardiovasculares

 

A hipertensão é uma doença silenciosa, ou seja, que requer visitas regulares ao médico para detecção precoce e, a partir disso, controle e tratamento para o resto da vida. Ela e o diabetes são os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. E, quando pensamos em como o tratamento funciona no Brasil, principalmente em áreas periféricas e rurais, a preocupação de controle e diagnóstico precoce é bastante alta.

 

Foi a partir desse pensamento que a pesquisa na área surgiu. Trata-se de um sistema de apoio à decisão clínica, já conhecido em outros países com a sigla CDSS (clinical decision support system). O intuito é conseguir melhorar o controle das duas doenças no quesito da atenção primária à saúde nessas regiões do país, em que o acesso a recursos médicos é carente e mais escasso.

 

Diagnósticos e acompanhamentos mais precisos

 

O sistema irá colaborar com diagnósticos e acompanhamentos mais precisos, e seu protótipo já foi testado em municípios de Minas Gerais. O objetivo é atender cidades pequenas, que apresentam um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) próximo ao de países africanos mais pobres, na região do Vale do Mucuri.

 

O software ajuda com perguntas básicas de consultas que podem ser esquecidas pelos médicos devido à rotina atarefada, além de corrigir falhas nos atendimentos. E o mais importante é que ele já foi aprovado pelos médicos que fizeram o uso.

 

Agora é aguardar os ajustes e a expansão para unidades de outros municípios e Estados, bem como a inclusão de outras doenças para auxílio de detecção.

 

Esse grande trabalho deu origem ao artigo Development and Implementation of a Decision Support System to Improve Control of Hypertension and Diabetes in a Resource-Constrained Area in Brazil: Mixed Methods Study, que integra o Projeto HealthRise Brasil – um estudo multinacional desenvolvido para implementar programas-piloto que melhoram o rastreamento, o diagnóstico, a gestão e o controle da hipertensão e do diabetes em comunidades carentes em todo o mundo. Comunidades dos Estados Unidos, Índia e África do Sul já tiveram implementação dessas intervenções.

 

Também por isso, precisamos valorizar e incentivar o desenvolvimento científico em nosso país. Viva a pesquisa e a ciência! Apoie essa causa – ela torna a nossa vida possível e melhor!

Atividade física e mudanças de peso influenciam no controle da pressão arterial?

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Você já parou para pensar que a atividade física e  e a manutenção do peso normal podem contribuir para prevenção da hipertensão? Pois um estudo publicado no American Journal of Hypertension mostrou exatamente essa relação. E, sim, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a atividade física regular contribui para a prevenção da hipertensão; já o mesmo não ocorre necessariamente com a manutenção do peso.

 

Como foi feita a avaliação

 

A pesquisa consistiu em investigar se a manutenção da atividade física, independentemente da mudança de peso, estaria associada a um risco reduzido de desenvolver hipertensão. Foram avaliados em um programa de triagem de saúde ocupacional, de janeiro de 2011 a dezembro de 2016, 195.045 coreanos com idade média de 37,7 anos (desvio padrão de 7,1 anos).

 

Para medir os níveis de atividade física, foi utilizada a versão coreana validada do questionário de atividade física internacional, e os participantes foram classificados em três categorias:

 

  • Inativos;

  • Ativos;

  • Fisicamente ativos para melhoria da saúde.

 

O peso foi monitorado e os participantes foram divididos em duas categorias:

 

  1. Aqueles cuja alteração de peso > 0

  2. Aqueles cuja alteração de peso ≤ 0

 

Risco de hipertensão pode cair com exercícios

 

Durante 616.326,5 pessoas-ano, 12.206 participantes desenvolveram hipertensão (19,8 por 1.000 pessoas-ano). Um maior nível de pressão arterial e maior redução no índice de massa corporal foram associados a um menor risco de hipertensão.

 

Já a razão de risco para hipertensão foi menor (0,83 – intervalo de confiança de 95%) em indivíduos fisicamente ativos e com peso reduzido do que naqueles nos grupos de peso aumentado e inativos após ajuste para fatores de confusão.

 

Mesmo no grupo de aumento de peso, a razão de risco para hipertensão incidente foi de 0,85 em indivíduos cuja atividade física foi mantida de forma consistente em níveis ativos durante o acompanhamento.

 

Nesta grande amostra de coreanos jovens e de meia-idade, a manutenção de níveis de pressão arterial das pessoas fisicamente ativas foi associada a um risco reduzido de desenvolver hipertensão, independentemente da mudança de peso. O que isso significa? Que, sim, a atividade física pode, de fato, influenciar no aparecimento  da hipertensão arterial.

Alongamento é melhor do que caminhada para redução de pressão arterial, aponta estudo

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O alongamento pode ser melhor do que a caminhada para a redução da pressão arterial em pessoas com pressão normal ou hipertensão no estágio I, de acordo com um estudo publicado no Human Kinetics Journal.

 

Vamos entender como os pesquisadores chegaram a essa conclusão?

 

Alongamento dos vasos sanguíneos

 

Sabemos que a hipertensão é o principal fator de risco para doença cardiovascular e renal crônica. Além disso, estima-se que ela seja responsável pelo maior número de mortes evitáveis nos Estados Unidos. Há evidências empíricas claras, e eu já comentei muito por aqui, de que o aumento da atividade física pode reduzir a pressão arterial em pessoas com pressão normal (<140/90 mm Hg) ou alta.

 

Entretanto, estudos recentes indicam que o alongamento pode reduzir a rigidez arterial, melhorar o fluxo sanguíneo e aumentar a ativação do sistema nervoso parassimpático, fazendo com que haja redução da pressão arterial.

 

Quando os músculos são alongados, os vasos sanguíneos também são e isso pode gerar mudanças estruturais ou liberar metabólitos vasodilatadores, acarretando redução de rigidez arterial, resistência ao fluxo sanguíneo e pressão arterial. Sendo assim, essa é uma nova opção para aquelas pessoas que precisam evitar ou reduzir a pressão arterial alta.

 

Comparação e comprovação do estudo

 

O estudo comparou programas de exercícios de caminhada e alongamento em pessoas com pressão arterial moderadamente elevada. Uma metanálise recente de programas de alongamento indica redução semelhante na pressão arterial sistólica (ou seja, -3,9 mm Hg), mas uma redução potencialmente maior na pressão arterial diastólica (ou seja, -2,7 mm Hg) em comparação com metanálises recentes de programas de caminhada (redução na pressão arterial sistólica de -3,1 a -4,1 mm Hg e redução na pressão arterial diastólica de -1,5 a -1,8 mm Hg).

 

A única pesquisa a comparar um programa de alongamento com caminhada (em gestantes sedentárias) descobriu que o alongamento foi superior para reduzir a pressão arterial (sistólica de −4 mm Hg e pressão arterial diastólica de −1 mm Hg) em comparação com a caminhada (pressão arterial sistólica de +5 mm Hg e diastólica de +4 mm Hg). Foi analisada também a frequência alimentar de cada um dos participantes nos dois meses antecedentes aos resultados.

 

Com isso, os pesquisadores formularam a hipótese de que exercícios de alongamento seriam mais benéficos do que exercícios de caminhada para reduzir a pressão arterial.

 

E você, já se alongou hoje?

5 mitos sobre a pressão arterial e pressão alta

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5 mitos sobre a pressão arterial e pressão alta: Será que a pressão alta tem cura? Doces também contêm sal? A doença só acomete os idosos? Sal embaixo da língua é bom para queda de pressão?

 

Hoje falaremos sobre alguns desses mitos que envolvem a hipertensão e a pressão como um todo; afinal, muito se ouve sobre o tema.

 

Sempre tem alguém dando alguma dica ou falando sobre algo que ouviu e nem tem certeza se faz sentido ou é verdadeiro. Além disso, com a internet, as informações vêm de todos os lados, e o mais importante é confiar no que um profissional da saúde tem a dizer.

 

Confira a seguir uma lista de cinco frases que já ouvi por aí e são mitos!

 

1. Pressão alta tem cura

 

Mito. Muito pelo contrário! A hipertensão NÃO TEM cura. A hipertensão hereditária, responsável por 95% dos casos, precisa de tratamento durante toda a vida. O que acontece é que existem algumas doenças que causam hipertensão, mas são consideradas raridade (menos de 5% dos casos), e essas, sim, podem ter cura.

 

2. Pressão alta é doença de idoso

 

Mito. A hipertensão é bastante democrática e acomete crianças, jovens e adultos, independentemente da idade. Atualmente, no Brasil, cerca de 30% da população adulta sofre com hipertensão.

 

3. Sal embaixo da língua é bom para queda de pressão

 

Mito. Conceito bastante difundido, mas que, na realidade, não faz com que a pressão suba rapidamente. É preciso se manter sempre hidratado(a) para que o rim retenha a quantidade de líquido necessária para manter o equilíbrio entre a água e o sal do organismo (ele demora horas ou dias para fazer isso, por isso, o ato imediato não resolve).

 

4. Se não sinto nada, não preciso medir a pressão

 

Mito. Mais um caso comum, mas que não deve ser levado em consideração! Muito pelo contrário: sabemos que a hipertensão é uma doença silenciosa, ou seja, não apresenta sintomas. É importante medir a pressão a cada seis meses, no máximo a cada ano, para pessoas que não são hipertensas. Já as que sofrem com pressão alta precisam medir regularmente.

 

5. Alimentos doces não têm sódio

 

Mito. Isso mesmo: o sal também está presente em biscoitos recheados, bolos, gelatinas, cereais de chocolate, sucos em pó e refrigerantes, entre outros. É claro que, nos doces, ele se apresenta em menor concentração, mas, ainda assim, é preciso atenção! O ideal é sempre ler os rótulos das embalagens e verificar a quantidade de sódio presente naquele alimento em questão.

 

Esses são apenas alguns mitos, existem muitos outros! Tome cuidado com o que ouve por aí e sempre busque a opinião de um especialista – com saúde não se brinca. E lembre-se: a pesquisa na internet não substitui uma avaliação médica!

Homens e mulheres: a trajetória da pressão arterial ao longo da vida

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Será que homens e mulheres têm diferenças na trajetória da pressão arterial ao longo da vida? A resposta é sim! De acordo com um estudo norte-americano publicado no JAMA (Jornal de Cardiologia da Associação Médica Americana), as mulheres, em comparação com os homens, exibiram um aumento mais acentuado nas medidas da pressão arterial, que começou já na terceira década e continuou ao longo da vida.

 

Em contraste com a noção de que processos de doenças vasculares importantes em mulheres ficam atrás dos homens em 10 a 20 anos, análises específicas por gênero indicam que as medidas de pressão arterial progridem mais rapidamente em mulheres do que em homens, começando no início da vida.

 

Foram analisadas mais de 32 mil participantes com idades entre 5 e 98 anos durante 43 anos (54% mulheres).

 

Esse dimorfismo de início precoce pode definir o cenário para doenças cardiovasculares posteriores que tendem a se apresentar de maneira diferente, não apenas mais tarde, nas mulheres em comparação com os homens.

 

Os números no Brasil preocupam

 

Em 2018, dados do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério da Saúde, revelaram prevalência da doença de 35,5% em homens e 30% em mulheres. Nelas, com a menopausa, há uma diminuição da produção de estrogênio (que protege o sistema arterial); a porcentagem em relação aos homens se inverte.

 

A verdade é que qualquer pessoa está sujeita a ter hipertensão com o passar dos anos. Por isso, o conselho é para todos: tenha bons hábitos, pratique atividades físicas, capriche na alimentação balanceada e cuide da sua saúde com visitas regulares ao seu médico! A hipertensão é silenciosa e pode estar lá quando você menos espera.

Pressão alta acelera declínio cognitivo em todas as idades

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A pressão alta aumenta a probabilidade de declínio cognitivo e piora de memória, de acordo com pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). O resultado do estudo foi divulgado em dezembro de 2020 na Revista Hypertension e mostrou que pessoas de qualquer idade podem apresentar essa maior probabilidade se sofrerem de hipertensão.

 

Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram dados do estudo multicêntrico ELSA-Brasil em andamento, examinando dados de 7.063 servidores públicos com idades entre 35 e 74 anos, sendo 55% mulheres, 15% negros. Foi levado em conta a duração do diagnóstico de hipertensão, se estava ou não sendo tratada e se havia controle da mesma. Fatores como raça, atividade física, sexo, educação, tabagismo, nível de colesterol total e índice de massa corporal também foram avaliados.

 

A avaliação durou seis anos, entre 2008 e 2014, e os participantes foram submetidos a um teste de memória, fluência verbal e de Trilha, Parte B. Assim, o pesquisador do estudo, Dr. Sandhi M. Barreto, também professor de medicina da UFMG, chegou à conclusão de que o controle da pressão pode ajudar a reduzir significativamente o efeito deletério da hipertensão no ritmo do declínio cognitivo.

 

Outro resultado demonstrou que a pré-hipertensão, definida como pressão sistólica de 120-139 mmHg ou diastólica de 80-89 mmHg, também estava relacionada a tal declínio. A maior dúvida é com qual idade ela e a hipertensão começam a afetar a cognição.

 

Hipertensão é para todos

 

Já falei diversas vezes que a hipertensão é democrática, ou seja, não escolhe raça, gênero ou classe social. Isso vale também para as idades.

 

Os jovens têm certa falta de preocupação com a pressão, mas todos nós estamos sujeitos à pressão alta. Portanto, é preciso levar uma vida saudável, com bons hábitos alimentares, atividades físicas e livre de tabagismo e álcool.

 

Lembre-se de que o jovem de hoje é o idoso de amanhã. Envelheça com saúde!

Hipertensão e o risco de AVC em pacientes com Covid-19

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A Covid-19 ainda está aí, firme e forte. Precisamos nos cuidar e cuidar das pessoas que amamos, além de ficarmos alertas para novas descobertas.

 

Uma pesquisa recente apresentada no congresso da Radiological Society of North America revela que a hipertensão aumenta o risco de AVC em pacientes com Covid-19. Ela mostrou que não somente a hipertensão, como também o diabetes favorece esse maior risco de complicações cerebrais. Tais complicações são um pouco mais raras, mas vêm sendo cada vez mais relatadas em pacientes contaminados pelo novo coronavírus.

 

Doença além do peito

 

Sabemos que o primeiro lugar afetado pela doença é o sistema respiratório; entretanto, outros sistemas e órgãos também têm sido afetados, e o cérebro está entre eles.

 

A pesquisa foi conduzida por especialistas e contou com 81 pacientes com média 66 anos de idade que realizaram tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio entre janeiro e abril de 2020. Tais exames foram feitos por questões de estado mental alterado, fala ou visão com dificuldades.

 

Resultados chamaram atenção

 

Os números resultantes entre os 81 participantes foram os seguintes:

 

  • 18 tiveram achados em imagens cerebrais considerados críticos; por exemplo, sangramentos cerebrais, derrames, encefalopatia ou vasos bloqueados;

  • A partir desses achados, 72,2% tinham hipertensão e 50% tinham diabetes tipo 2;

  • E dois terços desses 18 pacientes eram negros, sugerindo maior observação e monitoramento neste grupo.

 

É preciso citar também que muitos tinham marcadores sanguíneos elevados de inflamação, como dímero D.

 

A investigação não parou por aí e continuará verificando a incidência de complicações neurológicas em pacientes com covid-19 que requerem o uso de oxigenação por membrana extracorpórea.

 

O combate à doença não é novidade

 

É claro que, com o agravante da Covid-19, precisamos nos preocupar ainda mais. Entretanto, o cuidado com a saúde e combate às doenças devem ser prioridade hoje e sempre. Mesmo quando todo esse período de pandemia passar, a preocupação deve continuar com relação ao controle das doenças citadas.

 

Procure um especialista, alimente-se bem, pratique exercícios e se liberte dos maus hábitos.

 

Fonte: https://www.auntminnie.com/index.aspx?sec=rca&sub=rsna_2020&pag=dis&ItemID=130867