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Decio Mion

morte depois da relação sexual

Estudo avalia morte depois da relação sexual

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A relação sexual tem muitos benefícios para a saúde, como a redução da pressão arterial. Então por que há rumores de morte depois da relação sexual? Alguns casos já foram parar na mídia, e as causas podem ser diferentes entre si.

Durante a ação, o organismo libera o hormônio oxitocina, chamado “hormônio do amor”, que intensifica a ligação entre os parceiros. Mesmo assim, há um lado que merece atenção: algumas pessoas podem morrer durante ou depois de uma relação sexual. A porcentagem de casos é baixa, e atinge apenas 0,6% de todos os casos de morte súbita, mas há pesquisas que continuam estudando estes eventos.

Estudos anteriores já associaram a morte súbita com homens de meia idade (média de 59 anos), por exemplo, principalmente por ataque cardíaco, mas uma nova pesquisa descobriu que o fato pode acontecer também com os mais jovens.

Morte relacionada entre os mais jovens

A descoberta de morte depois da relação sexual, ou até mesmo durante, entre os mais jovens é de pesquisadores da St George’s, da Universidade de Londres. O estudo, publicado no JAMA Cardiology, contou com a inclusão de 6.847 casos de patologias entre janeiro de 1994 e agosto de 2020 – e todos os casos eram de mortes súbitas cardíacas. 

A descoberta é que 17 casos (0,2%) aconteceram em até uma hora da atividade sexual. Os homens são maioria neste tipo de caso, mas as mulheres atingiram 35% – percentual maior que o registrado em outros estudos. 

A média de idade das pessoas em relação à morte depois da relação sexual foi de 38 anos. Ao contrário do que aconteceu entre os mais velhos, em que as mortes ocorreram por ataques cardíacos, nos mais jovens (53%) a fatalidade aconteceu após o ritmo cardíaco anormal súbito, chamado síndrome da morte súbita.

A segunda causa de morte depois da relação sexual foi a dissecção da aorta (12%). Já o restante ficou por conta de anomalias estruturais, como cardiomiopatia e problemas genéticos.

O risco de morte entre os mais jovens é baixo, sugere o estudo, mas se você tiver alguma das condições acima, o ideal é buscar aconselhamento médico. Lembre-se: mesmo no caso das doenças sem cura, o acompanhamento e controle são fundamentais para viver mais e melhor.

Inclusive, você sabia que o tratamento da hipertensão não está associado à piora da saúde sexual? Leia meu artigo sobre o assunto!

hipertensão na gestação

Hipertensão na gestação merece acompanhamento contínuo

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A hipertensão na gestação é algo que devemos acompanhar. Ela pode ser classificada em quatro categorias: hipertensão arterial crônica; hipertensão arterial crônica superposta por pré-eclâmpsia; hipertensão gestacional; e pré-eclâmpsia e eclâmpsia. O tema é complexo e exige bastante atenção.

 

Vamos falar de cada uma delas:

 

  • Hipertensão arterial crônica: é aquela hipertensão arterial presente antes da gestação ou que é diagnosticada antes da 20ª semana de gestação;
  • Hipertensão arterial crônica superposta por pré-eclâmpsia: se dá em dois casos – a) a gestante hipertensa crônica sem proteinúria (perda de proteína pela urina) antes da 20ª semana de gestação manifesta proteinúria na segunda metade da gestação; b) gestante hipertensa crônica com proteinúria na primeira metade da gestação que após a 20ª semana tem aumento repentino do valor da proteinúria ou pressão arterial (previamente controlada), com trombocitopenia ou aumento de enzimas hepáticas;
  • Hipertensão gestacional: hipertensão sem proteinúria após 20 semanas de gestação em gestante sem histórico de hipertensão arterial;
  • Pré-eclâmpsia/eclâmpsia: hipertensão arterial acompanhada de proteinúria após a 20ª semana de gestação (em casos de doença trofoblástica gestacional, pode ser antes), em paciente sem histórico de hipertensão arterial. Também se considera pré-eclâmpsia na ausência de proteinúria quando o aumento da pressão arterial vem acompanhado de sintomas como cefaleia, borramento da visão ou dor abdominal, ou por testes laboratoriais com valores anormais (principalmente contagem baixa de plaquetas e aumento de enzimas hepáticas). Os exames laboratoriais incluem: hemograma, exame de urina, ácido úrico, TGO, TGP, DHL.

 

Dito isto, é importante entender os riscos maternos e fetais com a hipertensão na gravidez. Para a mãe, pode haver indução de alterações metabólicas e vasculares em longo prazo, com aumento de risco cardiovascular. É preciso estar atenta: mulheres com pré-eclâmpsia têm quatro vezes mais probabilidade de desenvolver hipertensão arterial crônica e quase duas vezes mais risco de doença arterial coronariana, AVC e tromboembolismo venoso em até 14 anos após a gestação, ou seja, todo cuidado é pouco, mesmo após um longo período. É preciso realizar checkups e cuidar da saúde.

Já para o bebê, o grande fator de risco nesse processo de restrição de crescimento intrauterino é o desenvolvimento de aterosclerose precoce. Além disso, crianças que passaram por pré-eclâmpsia na gestação podem ter a saúde comprometida na vida adulta e, talvez, síndrome da resistência à insulina. Por isso, recém-nascidos com pouco peso precisam ser avaliados precocemente e orientados a manter um estilo de vida saudável desde a infância.

 

Sabe-se que a hipertensão gestacional atinge cerca de 5 a 7% das gestantes no Brasil – parece pouco, mas muda completamente a vida da gestante afetada. É preciso cuidar, acompanhe sua gravidez e faça a sua parte: alimente-se bem!

casais hipertensos

“Na saúde e na doença”: os jovens casais hipertensos

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Recente pesquisa descobriu que jovens casais recém-casados podem compartilhar, além do amor e felicidade pela união, fatores de riscos cardiovasculares – são os jovens casais hipertensos, que correm o risco de desenvolver ainda colesterol e triglicerídeos

 

O estudo torna ainda mais real o significado de na “saúde e na doença”, que merece atenção nos cuidados da saúde do casal. A pesquisa foi justamente motivada por diversos estudos que afirmavam também existir semelhança nos fatores de riscos cardiovasculares nos cônjuges mais velhos.

 

Mesmo com a descoberta, o motivo de haver casais hipertensos, ou seja, de ambos compartilharem a condição e outras doenças, ainda não é claro. Entre as possibilidades estão o ambiente doméstico, estilo de vida compartilhado ou acasalamento seletivo – quando o casal acaba se relacionando com base nas escolhas ou comportamentos de estilo de vida. 

 

Outro ponto que chama atenção é a idade média dos participantes:  24 anos no caso das mulheres e 26 para os homens. Ou seja, como eu sempre reforço, a hipertensão não escolhe idade! 

 

O recrutamento se deu a partir de mulheres que afirmavam o desejo de engravidar nos próximos seis meses e, então, foram incluídos os seus parceiros. O estudo contou também com avaliação inicial de  medidas de peso, altura, circunferência da cintura e pressão arterial, e amostras de sangue em jejum. Ao todo, fizeram parte do levantamento 800 casais recém-casados ​​na China.

 

Casais hipertensos: tratamento em conjunto

O estudo ainda avaliou que o acompanhamento da saúde em conjunto poderia ser uma boa opção. “Essas descobertas em cônjuges recém-casados ​​podem apoiar a consideração de cuidados baseados no casal quando um adulto jovem apresenta um fator de risco, ou fatores de risco, para o desenvolvimento futuro de doenças cardiovasculares, como hipertensão ou dislipidemia”, avaliou o principal autor Ravi Retnakaran, MD, professor de medicina da Universidade de Toronto, Canadá. 

 

Sendo assim, deixo aqui uma recomendação: se o seu parceiro tiver pressão alta ou hábitos que auxiliam no risco de hipertensão, você também deve investigar o seu caso – vocês podem compor esse grupo de casais hipertensos. De maneira geral, a recomendação é medir a pressão pelo menos a cada seis meses e, em caso de irregularidade, procurar um especialista. 

 

Hipertensão é uma doença que, se não tratada, pode levar a graves complicações irreversíveis e até à morte. Ela é também assintomática, o que faz a medida de pressão regularmente ser ainda mais importante! 

 

relação entre hipertensão e epilepsia

A relação entre hipertensão e epilepsia

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A hipertensão é uma doença que, atualmente, atinge 30 milhões de brasileiros. Sua relação com o AVC já é conhecida, mas um recente estudo, publicado no jornal da Liga Internacional Contra a Epilepsia, fez uma descoberta sobre a relação entre hipertensão e epilepsia.

A pesquisa, publicada no ano passado, concluiu que pacientes diagnosticados com hipertensão têm duas vezes mais chances de desenvolver epilepsia, em relação àqueles sem a doença. Ou seja, há relação entre hipertensão e epilepsia. 

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores acompanharam 2.986 norte-americanos, com faixa etária média de 58 anos; os dados demonstraram que os pacientes com hipertensão tiveram casos de epilepsia com incidência de 2,44 vezes maior. A publicação ainda menciona que os pacientes foram acompanhados durante 19 anos. 

Com estes resultados, os médicos querem continuar as descobertas e identificar os pacientes que podem receber o tratamento de hipertensão e não terem o risco de ter um quadro de epilepsia na terceira idade. 

O que é epilepsia?

A epilepsia é causada por sinais incorretos enviados pelos neurônios – que são as células que compõem o cérebro. Essas mensagens equivocadas podem ser enviadas para uma parte ou todo o cérebro, e os sintomas variam muito de pessoa para pessoa.  

As crises epilépticas podem ter cura completa ou, quando não é possível, podem ser controladas por meio de tratamento. A descoberta da doença é fundamental para iniciar o tratamento e buscar mais qualidade de vida. 

O diagnóstico da epilepsia acontece por meio de imagens do cérebro – entre os exames que podem ser úteis para a descoberta estão a ressonância magnética e  o eletroencefalograma. Quem já é diagnosticado com epilepsia, além do tratamento recomendado pelo especialista, é importante  não ficar sem dormir por muito tempo ou beber álcool em excesso.  

Apesar da relação entre hipertensão e epilepsia, isso não significa que todo paciente hipertenso desenvolverá também a doença. Claro que é preciso ficar atento, mas o autodiagnóstico nunca foi – e nunca será – o ideal.

O que eu sempre recomendo por aqui é fazer um checkup geral regularmente e realizar os exames de rotinas, sempre que solicitado por um especialista.  Cuide da sua saúde e mantenha as consultas e exames em dia!

Hipertensão na infância e adolescência é comum?  

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Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a hipertensão na infância e na adolescência pode sim acontecer, apesar de ser mais rara. É preciso ficar alerta, já que a pressão alta pode causar complicações como Acidente Vascular Cerebral (AVC), além de comprometer os órgãos caso não seja tratada. 

 

A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) é de que crianças maiores de três anos tenham a pressão arterial medida pelo menos uma vez por ano. Outras situações podem fazer com que a medida de pressão seja necessária antes mesmo dos três anos, tais como:

 

  • Histórico neonatal (prematuros com menos 32 semanas, cateterismo umbilical ou outras complicações com internação em UTI);

  • Histórico de doenças cardíacas;

  • Histórico de doenças renais;

  • Transplantes de órgãos sólidos ou medula óssea. 

 

 

De acordo com a SBP, a pressão alta está atingindo cada vez pessoas mais jovens – entre as crianças e adolescentes, 3% a 5% são hipertensas. Mas o que causa a hipertensão na infância e adolescência? Não há um motivo único, mas a doença pode estar relacionada à má alimentação, sedentarismo, fatores genéticos e obesidade.

 

 

 

Sem sintomas, sem hipertensão na infância? 

 

“Mas Dr., meus filhos não têm sintomas, logo não são hipertensos, certo?”É aí que está o engano! A hipertensão na infância, ou mesmo na fase adulta, é silenciosa e só manifesta sinais quando os órgãos do paciente já estão comprometidos – avanço que poderia ser evitado com o tratamento precoce. 

Para determinarmos a hipertensão nas crianças de 1 a 13 anos, utilizamos tabelas baseadas pelo percentil de acordo com o sexo, peso e altura. Já quando falamos das crianças com mais de 13 anos, consideramos pressão alta quando a medida está acima de 130 por 80 mmHg. 

 

Importante lembrar que a descoberta e o tratamento da hipertensão na infância ou adolescência auxilia a ter uma vida normal. Se a doença for descoberta somente na fase adulta, os riscos de vida e restrições podem ser muitos maiores – por isso, é necessário o acompanhamento da saúde neste aspecto. 

 

A medida de pressão em crianças e adolescentes é igual à realizada no adultos, com as mesmas recomendações, como não praticar exercícios físicos 60 minutos antes e estar com a bexiga vazia. O paciente também deve estar com os dois pés apoiados no chão e com as costas encostadas em uma cadeira. E uma dica: é recomendado medir a circunferência do braço para a escolha do manguito – a seguir, confira uma tabela da SBP sobre a indicação correta para algumas faixas etárias: 

 

O tamanho do manguito é importante, já que, se este estiver largo, pode influenciar na medida da pressão e comprometer o resultado. O ideal é que esteja no tamanho adequado ao braço da criança ou adolescente. Além disso, os aparelhos devem estar sempre bem calibrados e é possível conferir se o aparelho é válido no site: www.dableducational.org.

 

 

Hipertensão na infância e adolescência é coisa séria; faça medições de rotina na idade indicada e realize o tratamento, quando for o caso do pequeno, para evitar as complicações futuras!

hipertensão na pandemia

Como foi o controle da hipertensão na pandemia?

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O controle da hipertensão na pandemia foi uma preocupação frequente tanto para médicos como para pacientes. Será que os pacientes teriam tido a sua pressão arterial aumentada durante o isolamento? Como ficaria esse monitoramento? Neste cenário, um estudo nacional, com amostra de mais de 50 mil pacientes, trouxe respostas. 

 

O estudo identificou que, mesmo com a Covid-19,  o monitoramento da pressão arterial em casa felizmente não foi afetado significativamente. Outra descoberta é de que não foram registradas diferenças no uso medicamentos anti-hipertensivos antes e durante a pandemia.

 

O estudo contou com 57.768 pacientes com idade superior a 18 anos, e levou em consideração o controle da pressão arterial em consultório (OBP) e no controle da monitoração residencial da pressão arterial (MRPA). Ou seja, houve controle da hipertensão na pandemia. 

 

Para chegar ao resultado, foram realizadas duas análises independentes:

 

  • A primeira observou participantes independentes que não foram tratados (24.227) ou tratados (27.699) com medicamentos anti-hipertensivos, com valor de MRPA de 1º de janeiro de 2019 a 31 de dezembro de 2020.

 

  • Já a segunda análise contou com 495 participantes não tratados e 987 tratados, com medições de PA disponíveis antes e durante a pandemia. 

 

“O OBP foi calculado como a média de duas leituras de escritório, e MRPA foi calculado como a média de três medições de PA em casa, feitas pela manhã e à noite por 4 dias consecutivos usando dispositivos validados”, explica a pesquisa nacional. 

Hipertensão é coisa séria!

 

Importante lembrar que o tratamento hipertensivo é para vida toda – ou seja, mesmo que tenha sido registrado controle da hipertensão na pandemia, não é indicativo para deixar de se cuidar. 

 

Alguns hábitos também fazem toda a diferença no dia a dia: 

 

 

  • Evitar alimentos cheios de gorduras e processados; 

  • Reduzir a quantidade de uso do sal diário; 

  • Não faltar às consultas médicas; 

  • Praticar atividades físicas regularmente – já que o sedentarismo entre adultos é preocupante

 

Se você ainda não leu, recomendo, por fim, o primeiro artigo deste ano que publiquei: “Três fatos sobre hipertensão que talvez você não saiba”. A informação é a melhor aliada na hora de cuidar da sua saúde!

Três fatos sobre hipertensão que talvez você não saiba 

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Quando comecei a pensar no primeiro blog de 2022, me deparei com um questionamento interno: “o que eu gostaria que todos os meus leitores soubessem neste início de ano?”. 

 

E foi aí que cheguei à resposta: três questões da hipertensão que muita gente não sabe, se confunde e tem até quem nunca tenha ouvido falar. Não importa que tipo de rotina você tem; o essencial é que você se mantenha informado sobre esse tema tão importante. 

 

Hipertensão é coisa séria, tanto que em 2018, 24,7% da população que vive nas capitais brasileiras afirmaram ter diagnóstico de hipertensão, segundo dados do VIGITEL. Dados do Ministério da Saúde, também mostram que, em 2017, o Brasil registrou 141.878 mortes devido à hipertensão ou a causas relacionadas a ela. Esse número revela uma realidade preocupante: todos os dias 388,7 pessoas se tornam vítimas fatais da doença, o que significa 16,2 óbitos a cada hora. Se você se espantou, provavelmente não é o único, e esse é mais um motivo para que se atente a cada detalhe do texto. Vamos aos fatos! 

 

1) Hipertensão é uma doença silenciosa 

 

Muita gente pensa que sintomas como mal-estar e dor de cabeça são os grandes indicativos da hipertensão – o que é um mito popular. Muitos deixam para medir a pressão quando tem algum sintoma, o que pode ser tarde demais. A hipertensão é assintomática em seu início. Você pode estar com a pressão alta agora mesmo e não sentir nada – sim, isso é possível! 

 

Na realidade, quando aparecem os sintomas a doença está avançada e, provavelmente, já comprometeu algum órgão. Saiba que a pressão normal em casa é abaixo de 13 por 8 e, no consultório, abaixo de 14 por 9. 

 

Sabe-se que cerca de 50% das pessoas com hipertensão não sabem que têm a doença, o que causa grande risco à vida.

2) Hipertensão não tem cura 

 

Na maioria dos casos, cerca de 95%, a hipertensão é herdada dos pais e não tem cura, mas tem um tratamento extremamente eficaz em controlar a pressão e evitar as consequências da doença como AVC, infarto do miocárdio e paralisação dos rins. Com o tratamento o paciente não tem sua vida encurtada pela hipertensão. 

 

Só tem cura a hipertensão chamada de secundária, quando existe, por exemplo, um tumor que fabrica catecolaminas, que causam vasoconstrição e ocasionam elevação da pressão. Num caso como este, a hipertensão é secundária ao tumor que quando retirado, leva a cura da hipertensão. 

 

 E se engana quem acredita no antigo mito “hipertensão é doença de idoso” – a pressão alta pode acometer até crianças. Anote: hipertensão não escolhe gênero e nem idade. 

3) Tratamento é para a vida toda

 

Há muitos pacientes em tratamento que comemoram quando o remédio está fazendo efeito – e, claro, é motivo para se animar, mas isso não é sinônimo de “agora posso parar de tomar todos os medicamentos”, ou “vou tomar os remédios só quando minha pressão estiver alta”. 

 

O tratamento é para a vida toda e, se sua pressão está controlada, significa que os remédios estão fazendo efeito. Você não pode – e nem deve – parar de tomar qualquer medicamento sem a recomendação do seu médico. 

 

A hipertensão é uma doença crônica e o acompanhamento médico é fundamental. Não deixe sua saúde de lado e meça a pressão com a regularidade recomendada para o seu caso – clique aqui e descubra qual a frequência da medição para o seu caso. 

Não espere complicações graves para descobrir que é hipertenso – alerte amigos e familiares também!

Você sabe o que é Hipertensão Arterial Resistente? 

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Cerca de 12 a 15% das pessoas diagnosticadas com pressão alta têm o quadro chamado de Hipertensão Arterial Resistente (HAR). O termo, por vezes, gera dúvida no consultório, por isso este é o tema do blog desta semana. 

HAR é classificada quando os níveis de pressão continuam altos, mesmo depois do uso de três a quatro medicamentos anti-hipertensivos, em suas doses máximas indicadas e toleradas pelo organismo – confira o artigo especial da área. 

As causas primárias, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, passam por:

  • Sensibilidade a sal;

  • Hipervolemia (decorrente de maior ingestão de sódio, nefropatia crônica ou inadequada terapêutica diurética);

  • Substâncias exógenas (anti-inflamatórios não hormonais, corticosteroides, contraceptivos orais, simpatomiméticos, quimioterápicos, antidepressivos, imunodepressores, descongestionantes nasais, anorexígenos, álcool e cocaína).

Vale lembrar que a HAR só é considerada quando o tratamento recomendado pelo médico é seguido à risca e já foi descartada a hipótese do efeito do avental branco – quando o nervosismo pela presença do médico é tão grande que a pressão aumenta.

Seja persistente em seu tratamento!

Depois do diagnóstico, é preciso continuar o tratamento e não abandonar. É necessário ser persistente. Tratar continuamente é essencial, já que o risco de complicações como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, doença renal crônica e morte súbita chegam a aumentar em 47% se nada for feito. A descoberta é de um estudo da  Associação Americana do Coração (American Heart Association). 

Abandonar o tratamento nunca é a melhor alternativa: o médico é o único que pode te ajudar a controlar a Hipertensão Arterial Resistente e investigar seu caso profundamente. Siga todas as recomendações médicas e, na hora da consulta, seja sincero. Entender os hábitos e problemas do paciente é fundamental para um diagnóstico assertivo.

Hipertenso tratado vive mais e melhor!

Sal Rosa do Himalaia

Estudo compara o sal de mesa ao sal rosa do Himalaia

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Com uma onda midiática e cheia de marketing, o sal rosa do Himalaia foi popularmente eleito o melhor e mais puro sal do mundo – mas será mesmo que é verdade? Um recente estudo, que compara o sal de mesa ao sal rosa do Himalaia mostra que não é bem assim!

 

A pesquisa concluiu que não há de fato diferenças significativas para o organismo de quem consome um dos dois sais em relação a pressão arterial e o sódio urinário. A concentração do sódio da urina e a pressão arterial não apresentaram diferenças entre os grupos que receberam sal de mesa e sal rosa do Himalaia.

 

Desta forma, concluiu-se que não há como consumir o sal rosa do Himalaia e esperar a redução da pressão arterial.

 

Algumas limitações na pesquisa podem ser consideradas, como o pequeno tamanho da amostra e o não controle da ingestão alimentar dos participantes no período do estudo. Por outro lado, vale lembrar que não há nenhum estudo já realizado que comprove que o sal rosa do Himalaia realmente é o melhor do mundo.

 

Assim, fica fácil dizer que não, não há evidências na ciência para trocar o sal de mesa pelo sal rosa do Himalaia que, geralmente, é mais caro. O que eu recomendo é a ingestão do Zerosódio, indicado para hipertensos que não tenham insuficiência renal. Essa opção tem somente cloreto de potássio na sua composição e não cloreto de sódio, e o gosto também é muito parecido com o do sal refinado.

 

Lembre-se: o potássio relaxa as artérias e ajuda a baixar a pressão arterial. Alimentos com esse mineral também podem contribuir para a redução da pressão arterial.

 

 

Tratamento responsável da hipertensão!

Não saia por aí testando dietas mirabolantes, alimentos milagrosos e nem outros tipos de hábitos que prometem auxiliar na redução da pressão alta do dia para noite. Só tratamentos cientificamente comprovados devem ser levados em consideração.

 

Fuja de “truques” difundidos nas redes sociais, como se fossem a melhor alternativa. O tratamento da hipertensão é coisa séria, e para isso é necessário um acompanhamento médico.

 

“Mas Dr., até quando precisarei tomar os remédios e ir ao médico?” Provavelmente a vida toda, já que a hipertensão é uma doença que não tem cura, mas o tratamento é extremamente eficaz em evitar as complicações da doença. Tratando a doença da forma correta, a pessoa leva uma vida normal.

 

Invista também numa dieta balanceada e na prática de exercícios físicos – e nada de exagerar no sal, seja ele do Himalaia, ou não!

Você tem certeza de que não é hipertenso? 

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Você sabia que 30% da população é hipertensa, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)? Pois é. Mesmo assim, um dos problemas ainda está na falta de informação e conhecimento sobre a doença. 

 

Ao contrário do que se pensa, a doença não produz sintomas, é silenciosa. Os indícios podem se manifestar apenas quando os  órgãos do paciente estão comprometidos pela pressão alta que endurece os vasos, o que é problema. Um risco grande para a pessoa hipertensa é o Acidente Vascular Cerebral (AVC), que causa risco de morte e de sequelas.

 

Por isso eu te pergunto: você tem certeza mesmo de que não tem pressão alta? Você pode ter hipertensão e nem saber. Pergunto não para te assustar, pelo contrário, mas para auxiliar no diagnóstico e tratamento. Hipertenso tratado pode ter uma vida normal. Por esse motivo, o diagnóstico é tão importante. 

 

Um dos fatores para hipertensão é a genética, que aumenta o risco de desenvolver a doença, principalmente quando você tem os dois ou um dos pais com o diagnóstico. Mas saiba que, mesmo para quem não tem o fator genético, hábitos e estilos podem gerar pressão alta. Ninguém está livre da doença!

 

Pressão alta não escolhe idade, raça e nem sexo. Fique atento e cuidado com o mito que hipertensão é coisa de gente idosa!

 

Os quatro tipos de pressão

 

Talvez você não saiba, mas existem quatro tipos possíveis de diagnósticos para pressão. Conto aqui para que você entenda que a investigação pode ser diferente em cada caso. 

 

  • Normotensão: esse diagnóstico se dá quando a pressão é considerada normal tanto no consultório quanto no exame Mapa (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial). Ou seja, o paciente tem a pressão considerada nos níveis normais e não precisa iniciar um tratamento, apenas apostar na prevenção. 

 

Saiba que em casa a pressão normal é abaixo de 13 por 8 e no consultório abaixo de 14 por 9.

 

  • Hipertensão: termo mais conhecido e significa que a pessoa apresenta pressão anormal tanto no consultório quanto na MAPA.

 

Em casa, pressão igual ou acima de 13 por 8 já é considerada pressão alta e você deve procurar um médico para investigar o seu caso. A pressão é considerada anormal no consultório quando é igual ou acima de 14 por 9. Este valor é mais alto do que em casa porque no consultório existe o chamado efeito do avental branco, ansiedade ocasionada pela presença do médico, que eleva um pouco a pressão.

 

 

  • Hipertensão Mascarada: acontece quando a pressão é normal no consultório e atinge níveis anormais na MAPA. Cria-se a falsa ideia que o paciente é normotenso, por isso, carrega este nome. 


 

  • Hipertensão do Avental Branco: neste caso é um quadro de hipertensão apenas durante a consulta médica, devido ao nervosismo, ocasionado pela presença do médico, sendo que na Mapa os níveis de pressão são considerados normais. Neste caso a pressão sobe tanto na presença do médico que não se trata do efeito do avental branco, mas sim, da hipertensão do avental branco.

 

Se você for diagnosticado com hipertensão ou hipertensão mascarada, deve iniciar o tratamento e não abandonar. O acompanhamento médico é fundamental para uma vida normal e com mais qualidade. 

 

Agora se você ainda tem dúvida, o que eu recomendo é que você marque uma consulta e faça um check-up, principalmente se tiver base genética para ser uma pessoa hipertensa. 

 

O acompanhamento médico é fundamental, jamais se automedique ou acredite que pode controlar sua pressão sozinho!