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Decio Mion

Não deixe a pressão subir: os exercícios não podem parar

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Estar “confinado” em casa pode causar estresse! Entretanto, os exercícios não podem parar. É preciso desestressar e evitar que a pressão suba. Sempre enfatizo a importância dos exercícios físicos para hipertensos: caminhada, ciclismo e natação estão entre as atividades recomendadas aos hipertensos. Entretanto, no momento em que vivemos agora, elas ficam mais difíceis de serem realizadas, certo?

 

Quem mora em prédio, provavelmente, está com a academia e a piscina fechadas e não tem um quintal, então é preciso ser criativo e dar um jeito de se mexer, mesmo que em um espaço pequeno.

 

exercíciosPrimeiro, devo lembrá-los de que é preciso dosar na intensidade. Em longo prazo, a prática regular de exercícios ajuda na hipertensão, mas durante os exercícios ela sobe um pouco. Então nada de forçar muito. Recomendo o foco em atividades aeróbicas, ao menos três vezes por semana, durante 30 minutos, no mínimo.

 

Dicas de exercícios aeróbicos para fazer em casa:

 

  • Pular corda: se você tiver uma corda em casa, esse é um dos exercícios mais simples e que mais queimam caloria;

  • Subir e descer escadas: simples e dinâmico, coloque uma música e voilá! A ressalva é para quem tem problema nos joelhos, dependendo do problema, esse exercício não é recomendado;

  • Dançar (existem muitos vídeos na internet): quer algo mais divertido? Hoje em dia, você pode encontrar aulas de dança online das suas músicas favoritas. Além disso, o exercício é muito prazeroso;

  • Polichinelos: para lembrar os tempos de educação física na escola! Não exigem equipamentos, só disposição;

  • Agachamento: o foco aqui é fortalecimento, mas quem tem problema nos joelhos também precisa tomar cuidado;

  • Cooper parado: que tal simular uma corrida? Acredite: você irá se cansar.

 

Esses são apenas alguns exercícios que podem ser realizados em casa. O ideal é não ficar parado e não deixar o sedentarismo e a fadiga se aproveitarem do momento de quarenta. Vamos manter sua pressão no lugar, bem estável, para que os dias sejam mais tranquilos. O cuidado com a sua saúde é todos os dias – tome as rédeas dela!

Adesão às recomendações: você é parte do processo para evitar o coronavírus COVID 19

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O conceito de adesão é sempre muito atual porque, quando o paciente segue as orientações do médico, o resultado é melhor. Sabemos que os pacientes não aderentes gastam mais e têm um resultado pior. O segredo da adesão é o paciente cumprir a sua parte no processo, ou seja, ter um papel ativo em seu tratamento.

 

Paralelamente, vivemos em uma sociedade que cobra muito, o tempo todo, resultados rápidos – novamente, a atuação do paciente em seu próprio tratamento será essencial para resultados eficientes e possivelmente mais rápidos do que se não houver adesão.

 

Para começar e conquistar a adesão do paciente, o médico precisa conversar com ele e entender não só o seu quadro médico, mas também suas condições de corpo e mente. Afinal, nossos hábitos se refletem em nossa saúde e em como vamos reagir às orientações médicas, não é?

 

Feito esse entendimento, agora é a vez do paciente – ele precisa entender que o médico não fará milagre: se ele não tomar os remédios indicados, não fizer os procedimentos e exames solicitados e cumprir tudo aquilo que o médico recomenda, não vai adiantar. Por isso, médicos, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais da área da saúde devem ter uma boa relação com o paciente. É necessário trabalharmos em conjunto.

 

Quando essa equipe multidisciplinar entra em cena, os resultados são geralmente bastante positivos. Procedimentos complementares são indicados por diversos profissionais para que, ao mesmo tempo em que o paciente trate o corpo, trate também a mente. Além disso, a relação entre médico e paciente muda, tornando-se mais estreita – deixando de ser, em muitos casos, distante e fria, como tantos pacientes reclamam.

 

Adesão nunca foi tão importante!

 

No momento atual, em que o coronavírus chegou ao Brasil e ainda terá seu pico em número de casos, esse conceito é ainda mais importante. Adesão ao isolamento e à higiene pessoal é fundamental para que o menor número possível de pessoas entre em contato com o vírus – refletindo-se, assim, em um menor número de óbitos.

 

Combater a propagação do COVID-19 é responsabilidade dos governos, dos órgãos de saúde e dos profissionais de medicina? Sim! E é, também, uma responsabilidade de cada cidadão!

O brasileiro e o consumo de sal exagerado

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Sim, é isso mesmo o que você leu no título: o brasileiro consome sal de forma exagerada. Basicamente, consumimos quase o dobro de sal recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Vamos entender melhor?

 

O brasileiro e o consumo de sal exageradoA quantidade recomendada pela OMS é de 5 gramas por dia; entretanto, os brasileiros consomem 9,34 gramas de sal por dia. Para referência, aquele sachê de sal que, geralmente, fica nas mesas das lanchonetes e restaurantes tem, em média, 1 grama – ou seja, poderíamos usar cinco desses por dia, e estamos usando quase dez!

 

Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Ministério da Saúde, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Hospital Sírio-Libanês chegou à conclusão de que os homens e os jovens são a parte da população que mais abusa do sal.

 

Realizado entre 2013 e 2014, o estudo utilizou amostras de sangue e urina de, aproximadamente, 9 mil adultos, coletados como parte da PEsquisa Nacional de Saúde (PNS). Ainda, identificou-se que mulheres e pessoas mais velhas consomem menos sal, mas não se iluda! A população brasileira, de modo geral, consome mais sal. Algumas pessoas chegam a consumir mais de 12 gramas por dia. O mais alarmante é que muitas pessoas não se dão conta de que consomem uma quantidade elevada, achando que está tudo bem.

 

Para aqueles que me acompanham, sabem o que isso pode causar, entre outros problemas: hipertensão, doenças cardiovasculares e renais. Só a hipertensão atinge quase 30 milhões de brasileiros. E, nas últimas décadas, a doença renal crônica praticamente triplicou no país.

 

Separei, aqui, dicas para diminuir a quantidade de sal na comida:

 

  • Substitua o sal por outros temperos (limão, ervas, cebola, alho);

  • Leia embalagens e verifique a quantidade de sódio;

  • Diminua o sal na comida aos poucos, para não estranhar tanto;

  • Evite alimentos congelados e com conservantes;

  • Evite alimentos industrializados, lights, processados e enlatados.

 

Que tal começar hoje mesmo? Menos sal significa, também, a descoberta de mais sabores!

Coronavírus e os remédios para pressão alta

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Ouvi dizer que alguns remédios que são usados para tratar pressão alta favorecem a proliferação do coronavírus. Devo parar de tomar o meu remédio de pressão?

Dados obtidos na China sugerem que a pressão alta pode estar associada a aumento do risco de mortalidade em pacientes hospitalizados infectados com coronavírus COVID-19.

Alguns sites divulgaram que os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) e os Bloqueadores de Receptores de Angiotensina (BRA), medicamentos comumente usados para tratar pressão alta, podem aumentar o risco infecção e gravidade da infecção pelo coronavírus (SARS-CoV2). O mesmo acontece com o ibuprofeno e as tiazolidinodionas.

A hipótese surge da observação de que o vírus COVID-19 liga-se a uma enzima específica chamada ACE2 para infectar as células, e os níveis de ACE2 aumentam após o tratamento com os medicamentos IECA e BRA.

No entanto, esta especulação sobre a segurança do tratamento com IECA ou BRA em relação ao COVID-19 não possui base científica sólida para apoiá-la.

As sociedades nacionais e internacionais publicaram documentos enfatizando que não há indicação para suspensão destes medicamentos e recomendam fortemente que os médicos e pacientes continuem o tratamento com seus medicamentos habituais porque não há evidência científica que suporte a hipótese de que estes medicamentos devam ser interrompidos devido a infecção pelo  vírus COVID-19.

Portanto, você não deve parar os medicamentos IECA ou BRA. No entanto, caso tenha dúvida, consulte seu médico.

BRA – candesartana, ibersatana, losartana, olmesartana, telmisartana, valsartana.

IECA –captopril, enalapril, lisinopril, perindopril, ramipril, trandolapril.

Existe pressão ideal?

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Sempre brinco que desejo a todos um pressão 12×8, mas será que existe pressão ideal?

 

pressão idealPrimeiro, preciso explicar o que são esses números: apesar de falarmos “doze por oito” os números são, na verdade, 120×80. Esses valores correspondem a uma medida de pressão em milímetros de mercúrio (mmHg). O primeiro é sempre maior e é chamado de pressão sistólica; ele corresponde à pressão da artéria no momento em que o coração bombeou o sangue. Já o segundo, de menor valor, é a pressão diastólica, que representa a pressão também da artéria, mas quando o coração está relaxado após uma contração.

 

Dito isto, realmente consideramos a pressão ideal a 12×8; entretanto, a pressão deriva de uma combinação de medidas, ou seja, pode ser normal mesmo tendo outros valores. Depende de cada indivíduo. Medidas de até 140 mmHg para a pressão sistólica e de 90 mmHg para a diastólica são aceitas como normais.

Com as mudanças de hábitos e de alimentação, em 2017, novos limites para pressão foram estabelecidos pela Associação Americana do Coração e o Colégio Americano de Cardiologia. De acordo com estas recomendações os valores baixaram para igual ou acima de 130/80 mmHg. Há divergência de opiniões quanto a isso; alguns médicos concordam, outros acham muito radical.

 

Eu, particularmente, continuo considerando os valores iguais ou acima de 140/90 para diagnosticar hipertensão arterial. No entanto, considero também outros fatores como a presença de diabetes e a presença de comprometimento dos órgãos pela hipertensão.

 

Para controlar a hipertensão, hábitos mais saudáveis são fundamentais. A prática de exercícios físicos, uma alimentação balanceada, noites de sono bem dormidas, beber água para se hidratar adequadamente, entre outros, ajudam a diminuir diversos riscos, como o acidente vascular cerebral. O importante não é se “existe pressão ideal” e, sim, que ela seja ideal para você, dentro dos padrões normais.

Uso de remédios caseiros para pressão alta

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O uso de remédios caseiros para pressão alta é bastante difundido na internet. Basta uma pesquisa rápida para encontrar receitas com diversos ingredientes diferentes que prometem acabar com o problema de maneira natural.

Entretanto, saúde é coisa séria! Será que esses “remédios” realmente funcionam?

Bom, primeiro precisamos entender quais são os ingredientes indicados em sites que indicam esse tipo de tratamento:

  • Berinjela com laranja: ajuda a eliminar as placas de gordura do interior das artérias; assim, equilibra a pressão do sangue nos vasos;

  • Goiaba: a fruta tem vitaminas B2, A e C e é fonte de licopeno e fibras solúveis; tais substâncias ajudam na diminuição do colesterol e da pressão sanguínea. Além disso, ajuda a diminuir a resistências nos vasos sanguíneos e melhora a circulação;

  • Laranja com beterraba: a beterraba tem açúcar, sódio e potássio, e essas substâncias normalizam a pressão sanguínea;

  • Água com limão: a vitamina C funciona como antioxidante, ou seja, em dose dupla ajuda mais;

  • Banana: rica em potássio, ajuda a prevenir a doença.

“Então posso fazer receitas com esses ingredientes para tratar a pressão alta?”, você deve estar se perguntando. E a resposta é: poder, pode – para auxiliar no tratamento. Tais alimentos podem ajudar na prevenção e melhorar a qualidade de vida, mas lembre-se de que não podem ser utilizados como tratamento.

É preciso acompanhamento médico e outros cuidados com a alimentação (não exagerar no sal), a prática de atividades físicas e evitar o tabaco, entre outros, ou seja, o uso de remédios caseiros para pressão alta não deve ser um tratamento.

A consulta com o médico é indispensável. Hipertensão é um problema sério e a negligência pode levar a graves consequências. É preciso acompanhamento e tratamento, sendo que o paciente deve levar consigo a responsabilidade em dar continuidade a esse tratamento fora do consultório. Lembre-se a hipertensão deve ser tratada todo dia – já falei sobre isso aqui no blog; confira!

Hipertensão na gestação merece acompanhamento contínuo

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A hipertensão na gestação é algo que devemos acompanhar. Ela pode ser classificada em quatro categorias: hipertensão arterial crônica; hipertensão arterial crônica superposta por pré-eclâmpsia; hipertensão gestacional; e pré-eclâmpsia e eclâmpsia. O tema é complexo e exige bastante atenção e durante a gestação.

 

Vamos falar de cada uma delas:

 

  • Hipertensão arterial crônica: é aquela hipertensão arterial presente antes da gestação ou que é diagnosticada antes da 20ª semana de gestação;

  • Hipertensão arterial crônica superposta por pré-eclâmpsia: se dá em dois casos – a) a gestante hipertensa crônica sem proteinúria (perda de proteína pela urina) antes da 20ª semana de gestação manifesta proteinúria na segunda metade da gestação; b) gestante hipertensa crônica com proteinúria na primeira metade da gestação que após a 20ª semana tem aumento repentino do valor da proteinúria ou pressão arterial (previamente controlada), com trombocitopenia ou aumento de enzimas hepáticas;

  • Hipertensão gestacional: hipertensão sem proteinúria após 20 semanas de gestação em gestante sem histórico de hipertensão arterial;

  • Pré-eclâmpsia/eclâmpsia: hipertensão arterial acompanhada de proteinúria após a 20ª semana de gestação (em casos de doença trofoblástica gestacional, pode ser antes), em paciente sem histórico de hipertensão arterial. Também se considera pré-eclâmpsia na ausência de proteinúria quando o aumento da pressão arterial vem acompanhado de sintomas como cefaleia, borramento da visão ou dor abdominal, ou por testes laboratoriais com valores anormais (principalmente contagem baixa de plaquetas e aumento de enzimas hepáticas). Os exames laboratoriais incluem: hemograma, exame de urina, ácido úrico, TGO, TGP, DHL.

 

hipertensão na gestaçãoDito isto, é importante entender os riscos maternos e fetais com a hipertensão na gravidez. Para a mãe, pode haver indução de alterações metabólicas e vasculares em longo prazo, com aumento de risco cardiovascular. É preciso estar atenta: mulheres com pré-eclâmpsia têm quatro vezes mais probabilidade de desenvolver hipertensão arterial crônica e quase duas vezes mais risco de doença arterial coronariana, AVC e tromboembolismo venoso em até 14 anos após a gestação, ou seja, todo cuidado é pouco, mesmo após um longo período. É preciso realizar check ups e cuidar da saúde.

 

Já para o bebê, o grande fator de risco nesse processo de restrição de crescimento intrauterino é o desenvolvimento de aterosclerose precoce. Além disso, crianças que passaram por pré-eclâmpsia na gestação podem ter a saúde comprometida na vida adulta e, talvez, síndrome da resistência à insulina. Por isso, recém-nascidos com pouco peso precisam ser avaliados precocemente e orientados a manter um estilo de vida saudável desde a infância.

 

Sabe-se que a hipertensão gestacional atinge cerca de 5 a 7% das gestantes no Brasil – parece pouco, mas muda completamente a vida da gestante afetada. É preciso cuidar, acompanhe sua gravidez e faça a sua parte: alimente-se bem!

Quanto mais chocolate, mais prêmios Nobel

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O texto de hoje é baseado em uma curiosidade, contida em um estudo publicado no The New England Journal of Medicine. Descobriu-se que os flavonoides presentes na dieta ajudam a melhorar a função cognitiva – eles são os compostos bioativos do grupo dos polifenois encontrados em hortaliças, frutas, cereais, chás, café, cacau, vinho, suco de frutas e soja. E uma subclasse desses flavonoides, presente no cacau, chá verde, vinho tinto e algumas frutas, parece ser ainda mais eficaz.

 

A partir do dado de que o consumo de chocolate poderia, hipoteticamente, melhorar a função cognitiva não apenas em indivíduos, mas também em populações inteiras, o autor decidiu estudar a relação entre o consumo de chocolate de um país e a função cognitiva de sua população.

 

E foi assim que ele descobriu que, quanto mais um país consome chocolate, mais prêmios Nobel ele conquista. É claro que alguns fugiram à regra ou não estavam exatamente na colocação correta, mas resumidamente, quanto mais chocolate, mais prêmios Nobel.

 

Consumo no Brasil

 

Você já parou para averiguar como é o consumo de nós, brasileiros?

 

quanto mais chocolate, mais prêmios nobel

Considerando-se outros países, como reino Unido, Suíça e Alemanha, em que o consumo médio per capita é de mais de 8 quilos por ano, o Brasil está bem atrás. Aqui, o consumo por pessoa é de cerca de 1,2 quilo ao ano. E, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), 75% da população brasileira o consome, sendo que as mulheres representam 56% desse montante.

 

O chocolate preferido do brasileiro é ao leite e o segundo é o chocolate branco. Em terceiro lugar, está o meio amargo.

 

Chocolate e a pressão arterial

 

Se você é fã de chocolate, mas sofre de hipertensão, saiba que o chocolate amargo pode ajudar a diminuir a pressão arterial. O amargo é aquele que contém entre 65% e 80% de cacau e tem menos gordura e açúcar. Ele também é responsável por outros benefícios à saúde.

 

Mas é preciso cuidado. O consumo excessivo de chocolate pode causar problemas e, até mesmo, o aumento da pressão arterial. Portanto, coma com moderação e, sempre que possível, opte pelo meio amargo.

Ao hipertenso tratado, é melhor fazer exercícios físicos de manhã ou à noite?

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O nosso grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), liderado pela Profa. Claudia Forjaz, publicou em dezembro de 2018, estudo que comparou os efeitos do treinamento aeróbico, de exercícios físicos de manhã e à noite na pressão arterial das pessoas que têm hipertensão, mas que estão devidamente tratadas.

 

Para realizar o estudo, houve o acompanhamento de 50 homens hipertensos tratados alocados aleatoriamente em três grupos:

 

  • Treinamento matinal;

  • Treinamento noturno; e

  • Controle.

 

Os grupos fizeram treinamentos em bicicleta, por 45 minutos em intensidade moderada (progredindo da frequência cardíaca do limiar anaeróbio para 10% abaixo da frequência cardíaca do ponto de compensação respiratória), enquanto o grupo controle fez alongamentos por 30 min.

 

As intervenções foram realizadas três vezes por semana durante dez semanas. Foi avaliada a pressão arterial no consultório e pela MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), além dos mecanismos hemodinâmicos e autonômicos antes e após as intervenções.

 

A diminuição da pressão arterial aguda foi maior após exercícios realizados à noite do que de manhã. Ou seja, o artigo sugere que exercícios físicos noturnos podem ter um efeito hipotensor maior.

 

O estudo concluiu que em homens hipertensos tratados, o treinamento aeróbico realizado à noite diminui a pressão arterial clínica e na MAPA, devido a reduções na resistência do sistema vascular e na modulação simpática vasomotora.

 

Que preguiça de treinar à noite!

 

hipertenso treinar à noiteNão tenha! Pense que é possível, depois de um dia com suas atividades regulares, jogar energias pra fora, reduzir estresse e ainda perder peso.

 

Além do melhor controle da pressão aos hipertensos, praticar exercícios físicos oferece muitos benefícios a todos em geral: inicialmente, dorme-se melhor, o que ajuda a combater a insônia – já falamos do assunto neste blog.

 

Manter o treino no mesmo período do dia ajuda a criar a rotina; em pouco tempo, o seu corpo e mente estarão acostumados a treinar naquele horário, e, mesmo que você não goste tanto assim da atividade, sentirá falta dela. Então, se é para escolher um período, já dê preferência para a noite.

 

E, por falar em não gostar da atividade, sejamos espertos: não insista em correr se você odeia correr. Procure opções – esportes, como futebol ou tênis, andar de bicicleta, fazer atividades na água e até treinamento circense são possíveis, também em academias e centros de esporte. Pesquise e escolha o que te dá prazer!

 

Informações adicionais sobre o efeito dos exercícios físicos na pressão arterial

 

Os autores do artigo citado relatam que o efeito hipotensor do treinamento aeróbico tem sido amplamente relatado na literatura. Uma metanálise clássica, que incluiu 26 ensaios clínicos randomizados com hipertensos, concluiu que o treinamento aeróbico diminui a pressão sistólica em -8 (-11 a -6) mmHg e a pressão diastólica em -5 (-7 a -3) mmHg, com as maiores reduções obtidas com as sessões de treinamento realizadas 2-3 vezes por semana, com duração de 30 a 45 minutos e com intensidade moderada.

 

No entanto, apesar desse conhecido efeito hipotensor crônico, as reduções da pressão arterial após o treinamento aeróbico variam entre os estudos, e alguns fatores, como pressão arterial inicial mais alta, intensidades de treinamento moderadas a altas e redução de peso concomitante induzido pela dieta, foram identificados como promotores de maior diminuição da pressão arterial. Além disso, até 25% dos hipertensos parecem não responder ao exercício e não demonstram diminuição da pressão arterial devido a características genéticas e/ou outros fatores não reconhecidos. Por esses motivos, outros fatores que potencializam o efeito hipotensivo do treinamento aeróbico devem ser investigados.

Dieta rica em proteínas pode prejudicar até mesmo rins saudáveis

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Dois estudos recentes revelam que uma uma dieta rica em proteínas pode prejudicar até mesmo rins saudáveis de acordo com um artigo publicado no portal médico Medscape, em novembro do ano passado. Dietas desse tipo são, frequentemente, recomendadas por diversos profissionais para a perda de peso e até mesmo saudabilidade.

 

Os estudos são da Holanda e Coreia e foram publicados online, originalmente, no Nephrology Dialysis Transplantation. Estudos anteriores já haviam sinalizado que uma dieta rica em proteínas poderia prejudicar os rins e, por isso, nefrologistas já recomendavam uma dieta com pouca proteína a pacientes com tendência a ter doença renal crônica.

 

O artigo diz que acreditava-se que obter muita proteína ajudaria a manter o músculo magro e reduzir a massa gorda. Entretanto, de acordo com esses dois estudos e outros dados coletados, é o momento de quebrarmos esse tabu e esclarecer que uma dieta rica em proteínas não é tão segura como diziam, e que pode sim prejudicar rins saudáveis, resultando em declínio mais rápido da função renal.

 

carne proteínas rinsAlém disso, é preciso evitar a recomendação da alta ingestão de proteínas para perda de peso em pacientes obesos ou diabéticos ou, ainda, àqueles com problemas cardiovasculares ou com apenas um rim.

 

De acordo com o estudo holandês, o risco de doença renal crônica é ainda maior em indivíduos com diabetes. Já o estudo coreano explica que a alta ingestão de proteínas aumenta o risco de hiperfiltração renal que pode ir lesando o rim.

 

Por fim, o próprio artigo destaca que países ocidentais consomem mais proteínas do que o necessário, principalmente a população adulta. Em média, o consumo é de 20% a 25% ou mais do consumo total de energia, enquanto o recomendado pela maior parte das diretrizes é de 10% a 15% do consumo total.

 

Confira o artigo em inglês.

 

Fique de olho na sua proteína!

 

A proteína é, na verdade, uma substância formada de um conjunto de aminoácidos ligados entre si; são feitas de moléculas de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio.

 

Ela está amplamente presente no cardápio do brasileiro:

  • Proteínas animais: carne vermelha;peixes; ovos; leite; queijo e iogurte;

  • Proteínas vegetais: feijão; ervilha; soja; lentilha; nozes e grão-de-bico;

  • Proteína sintética: suplemento alimentar, como o Whey Protein.

 

Fique atento à composição das suas refeições: quanto mais equilíbrio no prato, mais equilíbrio na vida!