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Decio Mion

Quercetina reduz rigidez de artérias causada pela hipertensão

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Talvez você nunca tenha ouvido falar em quercetina, um flavonoide responsável por dar cor aos vegetais, mas recentemente descobriu-se que a substância oferece um enorme benefício para a saúde. Sua ingestão por meio de uma boa dieta já era recomendada; agora, com um estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, sabemos que ela também diminui os malefícios que a hipertensão provoca nas artérias.

 

Como todos os estudos que estão no inicio, os resultados ainda são experimentais. Isso significa que ainda não foram testados em humanos; os testes foram realizados em animais de laboratório hipertensos.

 

O tratamento com quercetina sobre as paredes das artérias aortas dos animais foi realizado durante três semanas, e então os pesquisadores puderam avaliar os resultados promissores. Sendo assim, não podemos concluir que os bons efeitos observados resultarão na reversão total da hipertensão.

 

Hipertrofia vascular

 

Um dos fatores analisados pelos pesquisadores foi o de uma metaloproteinase da matriz, chamada MMP-2. Trata-se de uma enzima que renova as células de diversos tecidos. Nos hipertensos, a enzima causa hipertrofia vascular, ou seja, o estreitamento da parede arterial. Como consequência, o coração precisa trabalhar mais para fazer com que o sangue circule pelo corpo. A boa notícia é que foi possível observar uma diminuição da atividade da MMP-2, causando um efeito de remodelamento da aorta dos ratos estudados.

 

O estudo é da professora Michele Mazzaron de Castro, do Departamento de Farmacologia da FMRP, e tem como objetivo investigar o remodelamento e as disfunções cardiovasculares que a hipertensão arterial provoca. Dentro disso, o foco é nas ações dos flavonoides no controles das disfunções.

 

Alimentos ricos em quercetina

 

Para já fazer a sua parte e ter uma alimentação rica em quercetina, você precisa caprichar nas frutas e vegetais! Exemplos:

 

  • Maçã;

  • Cebola;

  • Cereja;

  • Alcaparras

  • Brócolis;

  • Pimentão;

  • Uva;

  • Mirtilo.

 

Vale lembrar que não pode exagerar no sal!

 

Acesse o artigo completo, publicado em inglês na revista Aterosclerose, aqui.

Na saúde e na doença: hipertensão e diabetes em casais

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Em junho, foi publicado um estudo no site British Medical Journal open access sobre a concordância das principais doenças em casais no Japão, usando um banco de dados bastante representativo – o original em inglês está aqui.

 

Foi o primeiro estudo desse tipo naquele país. Ele foi estimulado pelo fato de que, ao compartilhar influências ambientais, os casais podem desenvolver doenças semelhantes. Assim, os autores buscaram determinar se haveria a concordância de hipertensão, diabetes e dislipidemia (colesterol alto ou gordura no sangue), que são os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, entre casais japoneses.

 

Mas então você vai questionar: justo no Japão, que propaga ter uma alimentação saudável e é um dos países com a maior longevidade do mundo? Pois é, mas nem tudo são flores: de fato, a hipertensão tem diminuído por lá devido à redução na ingestão de sal que pode ser atribuída a intervenções de saúde pública. No entanto, a ocidentalização da dieta tradicional japonesa aumentou as prevalências de obesidade, diabetes e dislipidemia.

 

Riscos se espelham, mas são evitáveis

 

Espera-se que não haja conexão genética entre um casal, mas o fato de morar junto faz com que compartilhe refeições e um influencie no estilo de vida do outro, com bebida, fumo, atividade física e rotinas em geral. Se um não come determinado alimento, raramente ele será preparado para o outro – a tendência é deixar de prepararmos, a não ser que seja algo que o outro faça questão.

 

E, por isso, quando um dos cônjuges tem hipertensão, diabetes ou dislipidemia, o estudo mostrou que o outro parece ter um risco maior de desenvolver a mesma doença, em comparação com alguém cujo cônjuge não foi afetado. Assim, ao determinar a concordância conjugal para essas doenças, foi possível identificar riscos evitáveis que poderiam ser reduzidos com a mudança de hábitos.

 

hipertensão e diabetes em casaisO estudo em questão foi feito com 86.941 – como disse, uma amostra muito representativa! – acima de 40 anos de idade.

 

E o resultado foi esse mesmo: se os homens têm hipertensão, diabetes ou dislipidemia, suas esposas são suscetíveis à mesma doença com probabilidade de 1,8 vezes para hipertensão, 1,4 vezes para diabetes e 2,5 vezes para dislipidemia. Isso mostra que nós, médicos, precisamos avaliar não apenas a saúde de familiares de uma pessoa, mas também de seu cônjuge. Para promovermos a saúde e a prevenção de doenças, devemos obter informações sobre o cônjuge e até mesmo a rotina do casal. E mais: se identificamos uma dessas doenças em um, podemos rapidamente incentivar que o outro procure fazer seus exames preventivos.

 

Watanabe T, Sugiyama T, Takahashi H, et al Concordance of hypertension, diabetes and dyslipidaemia in married couples: cross-sectional study using nationwide survey data in JapanBMJ Open 2020;10:e036281. doi: 10.1136/bmjopen-2019-036281

Relação entre hipertensão e doença renal crônica

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Os rins têm papel essencial em nossa saúde: são eles que filtram o sangue para eliminar substâncias que fazem mal ao nosso organismo, como ureia e ácido úrico. Eles mantêm equilibrados os níveis de sódio, potássio, cálcio, fósforo e magnésio, mantém o sangue com pH constante e contribuem para a produção de hormônios. Eles também são importantes na regulação da pressão arterial: se o indivíduo tem uma elevação de pressão porque comeu muito sal, seus rins, sendo saudáveis, ajudam a expelir sódio e água – o que reduz o volume do sangue e, assim, ajuda a manter a pressão dentro dos valores normais.

Por essa relação tão forte, o que ocorre com um pode influenciar no outro. Por isso, todo cuidado e atenção!Relação entre hipertensão e doença renal crônica

Causa e consequência

Sabe-se que a hipertensão arterial pode levar o paciente a desenvolver doença renal crônica. E quem tem algum problema renal tem grande probabilidade de ter hipertensão, que aumenta progressivamente conforme o rim se deteriora. Ou seja, um pode causar o outro, que piora o primeiro.

Os rins doentes retêm mais sal, produzem substâncias vasoconstritoras e aumentam a atividade do sistema nervoso simpático. Todos estes mecanismos ocasionam elevação da pressão. 

Portanto, há necessidade de manter a pressão controlada para preservar os rins e cuidar dos rins para prevenir a elevação da pressão arterial.

Como muitas das doenças de que falamos, a prevenção das doenças renais crônicas está ligada ao estilo de vida e hábitos. O ideal é manter boa alimentação, praticar atividades físicas e fugir dos vícios para não desenvolver diabetes, hipertensão, obesidade ou doenças cardiovasculares.

Racismo pode influenciar no risco de hipertensão

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Infelizmente, o racismo se mantém na moda. Continuamente, vemos notícias de injustiça e violência contra negros em todo o mundo – sem contar os episódios que vivenciamos na nossa rotina: racismo velado nos salários mais baixos, nos cargos subalternos, na falta de representatividade e de oportunidades.

E, como se não bastasse tudo isso, um estudo norte-americano nos mostra que afro-americanos têm mais risco de desenvolver hipertensão por causa da discriminação.

Parece pouco viável? Acompanhe comigo!

 

Discriminação e enfrentamento

O estudo foi publicado recentemente, em julho de 2020, e desenvolvido pelo Jackson Heart Study – o Jackson Heart é a maior investigação epidemiológica de um local já realizada; baseia-se na comunidade, em fatores ambientais e genéticos associados a doenças cardiovasculares entre afro-americanos.

O próprio estudo alerta que poucas pesquisas até hoje olharam para a associação entre discriminação e incidência de hipertensão – e eles fizeram um trabalho completo: avaliaram a discriminação cotidiana e a discriminação ao longo da vida. Ainda, se o estresse da discriminação estava associado à hipertensão incidente, e se essas associações diferiam por gênero, idade, atribuição de discriminação e respostas de enfrentamento à discriminação.

O estudo funcionou da seguinte forma:

  •       Foi feito com 1.845 afro-americanos entre 21 e 85 anos sem hipertensão no início;

  •       Eles receberam três visitas dos pesquisadores: em 2000 a 2004; 2005 a 2008; e 2009 a 2013;

  •       Usou-se a regressão de riscos proporcionais de Cox para estimar associações de discriminação com hipertensão incidente – trata-se de um tipo de análise de sobrevivência usada para estimar o tempo até a ocorrência de um evento, muito empregada pelas ciências da saúde, biológicas e engenharias.

Na primeira visita, os participantes que relataram experiência de discriminação no dia a dia, foram solicitados a identificar a estratégia que usaram para lidar com a discriminação de uma lista de 12 estratégias. As respostas foram usadas para atribuir a cada participante um dos três estilos de enfrentamento:

  •       Enfrentamento ativo (falar, tentar mudar, trabalhar mais para provar que estão errados ou orar);

  •       Enfrentamento passivo (aceitar, ignorar, guardar para si, evitar ou esquecer);

  •       Enfrentamento externo / outro (culpe-se, seja violento ou outro).

Os participantes que relataram discriminação ao longo da vida também foram convidados a identificar se usaram cada uma das 12 estratégias. Foi criada uma pontuação média (contínua) das respostas para cada um dos estilos de enfrentamento, somando o número de estratégias que os participantes relataram usar em cada estilo de enfrentamento.

E o resultado?

Durante o período de acompanhamento, 954 (52%) participantes desenvolveram hipertensão. Em comparação com participantes que não desenvolveram hipertensão, aqueles que desenvolveram hipertensão eram mais velhos, menos propensos a ter ensino superior, tinham um índice de massa corporal mais alto, eram mais propensos a serem fumantes ou ex-fumantes e praticavam menos atividades físicas. Os participantes que desenvolveram hipertensão, em comparação com aqueles que não desenvolveram, relataram mais estresse de discriminação ao longo da vida.

Por isso, convido todos a pensar nas suas atitudes. O racismo é irracional e, agora, se prova também que, além de fazer mal à saúde psicológica, afeta a hipertensão – doença que não tem cura. A pessoa que a desenvolve precisa se tratar pelo resto da vida.

Você já parou para pensar se você é o motivo de pressão alta em alguém?

 Black lives matter!

Referência: Forde AT, Sims M, Muntner P, et al. Discrimination and Hypertension Risk Among African Americans in the Jackson Heart Study. Hypertension. 2020;76:715–723

Sete indicadores para ter saúde!

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Podemos nos sentir bem e saudáveis, simplesmente porque não temos sintomas de nenhuma doença, crônica ou não, no momento. Mas há muitas doenças silenciosas, especialmente as cardiovasculares. Ainda recebo no consultório pacientes que não sabem se são hipertensos, porque não sentem nada.

A Universidade de São Paulo (USP) realiza um estudo de longo prazo com funcionários da USP, e constatou recentemente que só 7% dos paulistanos tinham saúde cardiovascular ideal – é muito pouco e estar em dia com ela reduz muito os riscos de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

Esse estudo é de longa duração: ele monitora, desde 2008, índices de hábitos de saúde de 15 mil adultos de faixa etária variada em todo o País. É chamado “Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto”, ou ELSA. Da cidade de São Paulo, há 4 mil participantes. E, para definir o que seria uma saúde cardiovascular ideal, o estudo acompanha sete indicadores para ter saúde, que trago hoje para você, e convido a se questionar: quais são os seus parâmetros para cada um deles?Set indicadores para ter saúde

1 – Pressão arterial

É a que eu sempre recomendo: 12 por 8.

2 – Açúcar no sangue

Em jejum, o indivíduo não deve ter glicemia maior do que 100 mg/dL.

3 – Colesterol

O colesterol total deve ser abaixo de 200 mg/dL.

4 – Tabagismo

O ideal é nunca ter sido fumante. Se você foi, para sua saúde estar melhor, é preciso que tenham se passado, pelo menos, dois anos sem fumar. Agora, se você ainda fuma… está na hora de parar!

5 – Peso

O índice de massa corpórea (IMC) deve ser de 18, 5 a 25. Seu cálculo se faz dividindo o seu peso por sua altura ao quadrado.Por exemplo: uma pessoa que pesa 60 quilos e mede 1,60 m (o quadrado de 1,60 será 2,56). Então, 60 dividido por 2,56 = 23,4 é o IMC, que está na faixa ideal.

6 – Exercícios físicos

Procure fazer 150 minutos por semana de atividade física, se for mais moderada, como caminhar, ou pelo menos 75 minutos por semana de uma atividade mais intensa. Não fique parado!

7 – Alimentação

Para consumir uma dieta ideal, você deve comer:

  • 4,5 porções de frutas e legumes por dia – cada porção é cerca de 80 gramas: uma banana ou uma pera, por exemplo;

  • 3 porções de grãos integrais por dia;

  • Até 5 gramas de sal por dia (equivale a 2 gramas de sódio/dia) – os sachês de restaurante têm, em média, 1 grama. Aqui, um alerta: a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda até 5 gramas de sal/dia, e o brasileiro consome 10 g de sal/dia! Já falei sobre isso aqui no blog – precisamos tomar muito cuidado com o sal e os alimentos industrializados e processados.

A tecnologia do seu celular pode salvar sua vida!

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As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte em todo o mundo – a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que mais de 17 milhões e meio de pessoas morreram de doenças cardiovasculares em 2017, o que corresponde a 31% dos falecimentos mundiais. Com estes números tão altos de pessoas que necessitam de auxílio para seguir o tratamento, tudo o que puder contribuir de modo fácil e barato para a adesão de milhões de pessoas é bem-vindo.

Pensando nisso, pesquisadores estudaram como aplicativos de celular, telemonitoramento e SMS permitem gerenciar as doenças cardiovasculares crônicas – inclusive a hipertensão -, bem como como conduzir e dar apoio à reabilitação cardíaca.

Na palma da sua mão

O celular – mais especificamente o smartphone – oferece  possibilidades para cuidar remotamente de pacientes com problemas cardíacos. Antes, a telemedicina exigia o fornecimento de equipamentos especializados para monitorar o paciente em casa. 

Agora, o celular e outros tipos de tecnologias “vestíveis”, como relógios, oferecem um potencial para monitorar a saúde por chamadas telefônicas, mensagens de texto, gravação de dados e monitoramento de atividades, que podem ser úteis para novos modelos de prestação de cuidados com a saúde.

Assim, um grande estudo, publicado em julho passado, na JMIR Publications, foi conduzido para verificar, entre outros objetivos, se as tecnologias de telefonia móvel podem reduzir os fatores de risco para eventos cardíacos, especificamente adesão à medicação e hipertensão.

Digo um “grande estudo” porque, na verdade, ele fez uma análise de trabalhos publicados em 12 países – da América do Sul, estava presente o Chile.

Menos internações e maior controle da pressão arterial

Essa metanálise demonstrou que, em pacientes com insuficiência cardíaca, a intervenção por aplicativos de celular reduziu a taxa de internações hospitalares, tanto em relação ao total de internações quanto em relação às internações por insuficiência cardíaca. Já em pacientes com hipertensão, aqueles que usaram os recursos do telefone tiveram uma pressão arterial sistólica significativamente mais baixa e se tornaram propensos a atingir a pressão ideal.

Dentre os tipos de tecnologia usados, estavam as mensagens recebidas por SMS, monitoramentos com avisos automáticos e aplicativos criados especificamente para a saúde.

Os pesquisadores concluíram que a tecnologia do celular pode melhorar a adesão à medicação em pacientes com doença cardíaca isquêmica, a pressão alta em indivíduos com hipertensão e as taxas de hospitalização em pacientes com insuficiência cardíaca. E que, devido ao risco e custo relativamente baixos dessas intervenções, elas devem ser consideradas como uma terapia auxiliar no tratamento dos pacientes.

Mobile Phone Technologies in the Management of Ischemic Heart Disease, Heart Failure, and Hypertension: Systematic Review and Meta-Analysis. JMIR Mhealth Uhealth 2020;8(7):e16695) doi: 10.2196/16695

Sou hipertenso: posso doar sangue?

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É muito bom que as pessoas se preocupem em saber se podem doar sangue porque, cada vez mais, precisamos de doação de sangue em todo o Brasil, especialmente após a chegada da pandemia. Afinal, uma doação, que pode chegar a 450 ml, pode salvar até quatro vidas.

Sabemos que, hoje, no Brasil, 1,6% da população doa regularmente, segundo o Ministério da Saúde, índice inferior aos 2% ideais definidos pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). A cada 1.000 brasileiros, 16 doam sangue. Ou seja, estamos abaixo do recomendado.

E, com o coronavírus, saíram notícias em todo o Brasil sobre a redução dessa já pequena fatia de doação – o “fique em casa” derrubou a quantidade de sangue doado, e foi preciso que as autoridades trabalhassem rapidamente em uma campanha que defendesse o sair de casa para doar sangue.

Então, se você tem pressão alta e está preocupado em saber se pode fazer a doação de sangue, eu só posso dizer: você pode doar sangue. Receba meus parabéns por agir assim!

 

Doar sangue não influencia sua pressão

Minha pressão vai cair? Vai subir? Não ocorrem grandes variações na pressão durante a doação de sangue. É claro que alguns fatores podem influenciar a pressão durante a doação. Até mesmo o medo da agulha, a ansiedade e a emoção podem ocasionar elevação da pressão nesta situação. Mas não é a doação do sangue que vai imediatamente interferir na sua pressão.

Os hipertensos poderão doar sangue se estiverem em uso de medicamento que não contraindique por si só a doação. Será necessário que o candidato à doação apresente relatório do seu médico assistente, comprovando o controle clínico adequado. Ou seja, se você não tem certeza da resposta sobre o medicamento que toma, consulte seu médico antes de se decidir pela doação.

No dia da doação, a pressão arterial será aferida e a doação apenas será realizada se a máxima estiver abaixo de 140mmHg e a mínima abaixo de 90 mmHg. Quem já tem, naturalmente, a pressão mais baixa, será avaliado pelo médico antes do procedimento, mas isso também não impede a doação.Doar sangue

 

Você terá seu sangue de volta!

Isso é uma das coisas fantásticas que o nosso corpo nos proporciona! O sangue que você doa é rapidamente reposto pelo organismo!

Temos sangue suficiente para doar de forma saudável. No dia seguinte ao da doação, o sangue já começa a ser reposto. Segundo a Fundação Pró-Sangue, a reposição do volume de plasma ocorre em 24 horas e a dos glóbulos vermelhos, em quatro semanas.

Confira a lista de hemocentros em todo o Brasil e agende-se para fazer este bem maior! Hipertenso, converse com seu médico antes para fazer a doação com certeza e tranquilidade.

 

Informações importantes do Ministério da Saúde

  •   Quais são os requisitos para doação de sangue?

Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos e que estejam pesando mais de 50 quilos. Além disso, é preciso apresentar documento oficial com foto e menores de 18 anos só podem doar com consentimento formal dos responsáveis.

Pessoas com febre, gripe ou resfriado, diarreia recente, grávidas e mulheres no pós-parto não podem doar temporariamente.

O procedimento para doação de sangue é simples, rápido e totalmente seguro. Não há riscos para o doador, porque nenhum material usado na coleta do sangue é reutilizado, o que elimina qualquer possibilidade de contaminação.

  •   Os requisitos para doar sangue é estar com bom estado de saúde e seguir os seguintes passos:

Estar alimentado. Evite alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação de sangue.

Caso seja após o almoço, aguardar 2 horas.

Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas.

Pessoas com idade entre 60 e 69 anos só poderão doar sangue se já o tiverem feito antes dos 60 anos.

A frequência máxima é de quatro doações de sangue anuais para o homem e de três doações de sangue anuais para a mulher.

O intervalo mínimo entre uma doação de sangue e outra é de dois meses para os homens e de três meses para as mulheres.

  •   Quais são os impedimentos temporários para doar sangue?

Gripe, resfriado e febre: aguardar 7 dias após o desaparecimento dos sintomas.

Período gestacional.

Período pós-gravidez: 90 dias para parto normal e 180 dias para cesariana.

Amamentação: até 12 meses após o parto.

Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação.

Tatuagem e/ou piercing nos últimos 12 meses (piercing em cavidade oral ou região genital impedem a doação).

Extração dentária: 72 horas.

Apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: 3 meses.

Colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem seqüelas graves, tireoidectomia, colectomia: 6 meses.

Transfusão de sangue: 1 ano.

Vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina.

Exames/procedimentos com utilização de endoscópio nos últimos 6 meses.

Ter sido exposto a situações de risco acrescido para infecções sexualmente transmissíveis (aguardar 12 meses após a exposição).

  •   Quais são os impedimentos definitivos para doar sangue?

Ter passado por um quadro de hepatite após os 11 anos de idade.

Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmissíveis pelo sangue: Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas

Uso de drogas ilícitas injetáveis.

Malária.

Cuidado com a saúde durante a pandemia

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O cuidado com a saúde é preocupação constante. Sempre falamos que é muito importante cuidar da saúde, mas nestes tempos de pandemia, essa é uma necessidade permanente. 

Hoje, 5 de agosto, é comemorado o Dia Nacional da Saúde, porque foi em 5 de agosto de 1872 que nasceu Oswaldo Cruz, grande médico, sanitarista e cientista paulista, consagrado pelo combate às epidemias brasileiras.

Nesta quarentena, o cuidar da mente e do corpo tomou conta das nossas atenções. Além do medo de ser vítima do coronavírus, as dificuldades impostas pelo isolamento social e a falta de vontade para cuidar do corpo se tornaram motivos de muita angústia. 

 

Exercícios são verdadeiros aliados

Os exercícios são aliados do corpo e da mente, pois fazem bem para ambos. Portanto, não deixe de praticar uma atividade física. 

Distraia-se, queime calorias e libere endorfina no seu cérebro. Isso ajuda tanto para nos sentirmos melhor quanto para diminuir riscos de outros problemas e doenças. 

A meditação é uma opção válida

Se você não acredita na meditação, saiba que ela tem comprovação científica. Medite. Tire um tempo para respirar fundo e entrar em contato consigo mesmo. Relaxe. Eu sei que estamos todos preocupados, mas o cuidado com a saúde é todos os dias.

 

Os tratamentos não podem parar

Seja o de hipertensão, ou de qualquer outra condição, os tratamentos médicos não podem parar. Agende consultas, mesmo que por teleconferência, e continue tomando seus medicamentos. Eles são parte do cuidado com a sua saúde; afinal, em meio a uma pandemia ou não, nenhuma doença espera ou entra em quarentena.

 

Os pacientes podem falar comigo a qualquer momento. O que me estressa é ficar desconectado!

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Eu presenciei a evolução da tecnologia empregada no contato entre médicos e pacientes desde o telefone fixo até o smartphone.

 

Há muitos anos os médicos e pacientes entravam em contato por telefone fixo. Na época que meu pai clinicava como otorrinolaringologista na década de 1950-60 o médico tinha telefone fixo no consultório e em casa. O paciente que não estava bem ligava e o médico ia até a casa do paciente para examiná-lo e levá-lo para o hospital se fosse necessário. Não se encaminhava o paciente para o pronto atendimento como hoje.

 

Quando comecei minha atividade clínica os médicos utilizavam o BIP, dispositivo que era colocado na cintura e transmitia o nome e o número de telefone de alguém que queria entrar em contato. Como não havia celular, eu sempre tinha fichas para telefone público, o chamado Orelhão. Recebia a mensagem, parava o carro e ia até o telefone público ligar para a pessoa que tinha enviado a mensagem. Depois o BIP foi aperfeiçoado com mensagens de texto e o paciente podia descrever em texto curto o que estava acontecendo.

 

Mais recentemente, com o aperfeiçoamento e maior disponibilidade das linhas telefônicas, muitas dúvidas eram esclarecidas com uma simples ligação telefônica. Principalmente entre os pediatras o telefone sempre exerceu uma função importante de orientar e acalmar mães desesperadas com, por exemplo, febre e dor de ouvido dos filhos. Também teve papel importante a secretária eletrônica. Eu tinha secretária eletrônica em casa, no consultório e no meu laboratório no Hospital das Clínicas. Desta maneira, imaginem o trabalho de recuperar os recados de três secretárias eletrônicas!

 

O celular, no início o chamado tijolão pelo tamanho que ele tinha, facilitou o contato entre médicos e pacientes. Aos poucos os celulares foram diminuindo de tamanho e se tornaram extremamente úteis. Eu sempre forneci o número do meu celular para todos pacientes porque acredito que o paciente precisa poder entrar em contato com seu médico quando for necessário. A minha experiência é que os pacientes respeitam muito o meu tempo e ligam somente quando é realmente necessário e eu atendo sempre que possível. Já atendi pacientes ao redor do mundo enquanto estava em congressos. Não dizia que não estava no Brasil para não os deixar com sensação de estarem desamparados. Lembro que ter atendido uma paciente quando estava visitando o Cabo da Boa Esperança. Ligou, falou sobre a pressão, eu orientei e continuei meu passeio. De outra feita, estava num congresso em Berlim e havia ensinado uma paciente a medir a pressão em casa e ela ligava toda noite para falar sobre a pressão. Consegui controlar a pressão que, segundo ela, ninguém conseguia controlar.

 

Há muitos anos já não sei mais o que é ficar sem celular e sem poder ser contactado pelos pacientes. Aliás, o que me estressa é ficar desconectado! Certa vez, fui passar uns dias num resort no sul da Bahia que informava que tinha antena para celular. Seriam uns dias de descanso num lugar paradisíaco. Quando cheguei, descobri que não tinha antena para a operadora do meu celular. Voltei para São Paulo no dia seguinte!

 

Com o aparecimento da internet o e-mail também foi utilizado para contato entre médicos e pacientes. No entanto, em pouco tempo, com o surgimento dos smartphones e do WhatsApp estas orientações passaram a ser feitas por escrita, por voz ou imagem, chegando imediatamente ao médico que pode responder naquele momento ou quando for possível dependendo da gravidade e da sua disponibilidade de tempo utilizando o celular e não mais o orelhão. A comunicação por imagem é menos comum, mas muitas vezes possibilita a análise de algum detalhe que o paciente quer mostrar ao médico. Assim, a comunicação entre médico e paciente se tornou muito simples e objetiva. Além disso, os smartphones estão ampliando a possibilidade do autocuidado, auxiliando na promoção da adesão ao tratamento. Existem aplicativos que auxiliam os pacientes lembrando da hora da medicação, do horário da consulta médica, registrando a pressão arterial e outras variáveis.

 

Com a pandemia da covid-19, a telemedicina passou ter destaque. Afinal, com as recomendações de isolamento social, a saúde não pode parar. O Conselho Federal de Medicina (CFM), liberou, temporariamente, os atendimentos médicos à distância. Agora, a telemedicina foi incorporada na minha rotina. Na minha prática a consulta a distância funciona muito bem. Logo no início me adaptei com este tipo de contato com o paciente. Como sou especialista em hipertensão e os pacientes medem a pressão em casa, a consulta a distância fica muito prática e adequada.

 

Você já passou por consulta à distância? Espero que a sua experiência tenha sido positiva.

Sódio causa 15% das mortes por doenças cardiovasculares

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Um novo estudo na minha área médica foi publicado no início deste mês de julho especificamente sobre o Brasil, e eu gostaria muito de compartilhar com vocês as conclusões que ele traz. Isso porque ele está completamente relacionado à quantidade de vezes que você pega o saleiro para dar aquela ‘enfeitada’ na sua refeição… Sim, lá vamos nós falar novamente do sódio, ou do sal – novamente porque eu já falei aqui sobre o uso exagerado que o brasileiro faz do condimento.

 

Para fazer o estudo – confira o texto original em inglês -, os autores do Brasil, Costa Rica e Canadá levaram em consideração dois fatores:

 

  • sódio doenças cardiovasculares

    As doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte entre as doenças não transmissíveis no Brasil e têm alto impacto econômico nos sistemas de saúde;

  • A maioria das populações do mundo, incluindo os brasileiros, consome sódio em excesso, o que aumenta a pressão arterial e o risco de desenvolver essas doenças.

 

Isso tudo já sabemos – é uma triste realidade, considerando-se que poderíamos evitá-la, desenvolvendo bons hábitos, por exemplo.

 

Assim, os autores resolveram mostrar como ocorrem mortes e os custos estimados associados às doenças cardiovasculares, devido ao aumento da pressão arterial por causa especificamente do consumo excessivo de sódio em adultos – isso tudo levando em conta a perspectiva do sistema público de saúde brasileiro em 2017.

 

Em um ano, 46 mil mortes poderiam ser evitadas no Brasil

 

Para desenvolver o trabalho, eles estimaram a mortalidade e os custos de doença relacionados à ingestão excessiva de sódio e mediados pela hipertensão para adultos com mais de 30 anos em 2017. Os dados dos custos de saúde (internação, ambulatório e medicamentos) foram extraídos das informações do Ministério da Saúde.

 

Assim, identificaram que, naquele ano, 46.651 mortes por esse tipo de doença poderiam ter sido evitadas se o consumo médio de sódio tivesse sido reduzido para 2 g/dia (5g de sal) no Brasil.

 

Também, que essas mortes prematuras causaram mais de 575 mil anos de vida perdidos e um custo de 752 milhões de dólares em perdas de produtividade para a economia. No mesmo ano, os custos de hospitalizações, atendimento ambulatorial e medicamentos para hipertensão atribuídos pelo Sistema Nacional de Saúde totalizaram 192 milhões de dólares. As principais causas de morte e custos associados às doenças cardiovasculares foram doença cardíaca coronária e acidente vascular cerebral, seguidos por doença hipertensiva, insuficiência cardíaca e aneurisma da aorta.

 

Dessa forma, os autores conseguiram chegar a um índice assustador: o uso excessivo de sódio representa, possivelmente, 15% das mortes por doenças cardiovasculares e 14% dos custos de internação e ambulatório associados a essas doenças. Também possui altos custos sociais em termos de mortes prematuras.

 

Então, agora, eu pergunto a você: tem certeza de que vai pegar aquele saleiro novamente?