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Decio Mion

Mudanças comportamentais e a redução de riscos cardiovasculares

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mudanças comportamentais que podem trazer grandes benefícios para a saúde, como a redução dos riscos de doenças cardiovasculares (DCV). Portanto, é papel do médico aconselhar e encaminhar o paciente para que ele possa promover uma dieta mais saudável e incluir a prática de atividades físicas em sua rotina. Pelo menos, essa é a recomendação da Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos em sua declaração de recomendação mais recente.

 

A força-tarefa revisou 94 ensaios clínicos randomizados que avaliaram intervenções de aconselhamento comportamental para melhorar a dieta e a atividade física em 52.174 adultos com fatores de risco para DCV (JAMA).

 

Novo comportamento, mais saúde

 

mudanças comportamentaisNeste estudos de aconselhamento comportamental em adultos, com risco para DCV, para melhorar a dieta e a atividade física, as intervenções comportamentais de contato de 31 a 360 min e as de mais de 360 min visando dieta e atividade física foram eficazes na redução de eventos de DCV.

 

Além disso, as intervenções comportamentais também foram associadas a reduções pequenas, mas estatisticamente significativas, nos níveis de pressão arterial, lipoproteínas de baixa densidade, glicose de jejum e adiposidade, que foram medidas continuamente em 12 a 24 meses de acompanhamento. As intervenções foram associadas “com pouco ou nenhum risco de danos graves”, diz a força-tarefa.

 

Embasamento para os médicos

 

Tal estudo é importante, pois nos dá embasamento para aquilo que sempre falamos em consultório para os pacientes (e eu sempre reforço aqui no blog!). Sabemos que, muitas vezes, parece mais do mesmo e que a mudança de hábitos e rotina nem sempre é fácil, mas ela é realmente significativa para uma vida mais saudável, com menos riscos para a saúde.

 

O seu corpo é o seu bem mais precioso – por que não cuidar dele? Uma boa alimentação e a prática de atividades são exatamente isso: autocuidado. Se você acessar outras áreas do blog, encontrará dicas de exercícios e alimentação, mas o ideal é sempre consultar um médico para fazer tudo da melhor maneira possível.

 

Envelheça com saúde para aproveitar toda a sua vida da melhor forma!

As nossas conexões sociais podem influenciar a pressão arterial?

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As conexões sociais e a hipertensão parecem temas distantes, mas será que eles podem estar ligados?

 

Hoje, com a pandemia do novo coronavírus no mundo, percebemos de maneira mais marcante o quanto as outras pessoas são importantes e o quanto precisamos delas em nosso dia a dia. Porém, olhando para a nossa saúde, as conexões entre os laços sociais e a pressão alta em mulheres e homens ainda são mal compreendidas.

 

Por isso, trago informações de um estudo que aborda o tema, realizado na América do Norte; sua publicação está no Journal of Hypertension.

 

Doenças cardiovasculares afetam mais mulheres na América do Norte

 

As doenças cardíacas e derrames são as principais causas de morte entre as mulheres na América do Norte, e isso gera um impacto econômico substancial na região.

 

Sabemos que a hipertensão é um fator de risco bem estabelecido para doenças cardiovasculares (DCV), e é mais prevalente entre as mulheres do que homens em idades mais avançadas.

 

Embora as causas de DCV sejam complexas, a influência dos determinantes sociais em seus fatores de risco, em particular a hipertensão, permanece mal compreendida e, além disso, investigações de uma perspectiva de gênero são raras.

 

Viver só é diferente para homens e mulheres

 

conexões sociais hipertensãoAssim, os pesquisadores investigaram a associação entre o estado civil, estilo de vida, tamanho da rede de contatos, participação social e a hipertensão por gênero. O objetivo era determinar quais tipos de laços sociais afetam mais a pressão alta entre os canadenses mais velhos (mulheres e homens) e se os diferentes tipos interagem entre si para produzir um efeito combinado.

 

As análises foram feitas com 28.238 pessoas de meia-idade e adultos idosos (45-85 anos), usando o Estudo Longitudinal Canadense de Envelhecimento de base (dados abrangentes de coorte).

 

Verificaram que mulheres sem parceiros, com participação social limitada (cerca de 2 atividades sociais por mês) ou uma rede social pequena tiveram maior probabilidade de ter hipertensão. Curiosamente, essas chances eram ainda maiores entre as viúvas quando comparadas às casadas.

 

Já para os homens, viver sozinho (versus conviver com alguém) teve uma associação menor com a hipertensão. Já ao considerar dois laços sociais simultâneos, as associações adversas entre não ter parceiro, falando em solteiros e divorciados, e pressão arterial foram menores com o aumento da participação social, principalmente entre as mulheres.

 

Idosas sofrem mais

 

Em mulheres idosas, as conexões sociais associadas à hipertensão parecem ser mais fortes do que nos homens. Mulheres que não têm parceiros ou que se envolvem em poucas atividades sociais e homens que vivem sozinhos representam grupos de risco para hipertensão.

 

Tais dados podem servir para que os profissionais de saúde considerem esses fatores na abordagem do risco de hipertensão e prevenção de doenças cardiovasculares durante as consultas.

 

Apesar de ainda não termos esses dados, saberemos após a pandemia se houve aumento de hipertensão e doenças cardiovasculares na população, levando em conta não só o sedentarismo, mas também o isolamento.

 

Como anda seu ciclo social? Como você se sente quanto a isso?

Dietas inflamatórias podem causar pressão alta e doenças cardiovasculares?

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Você sabia que inflamações têm um papel importante em doenças cardiovasculares e também para a pressão alta? As inflamações são moduladas pela dieta. E, apesar de não sabermos ainda se padrões alimentares com maior potencial inflamatório estão associados ao risco de doenças cardiovasculares em longo prazo, precisamos nos atentar ao que comemos.

 

Foi desenvolvido um estudo chamado Dietary Inflammatory Potential and Risk of Cardiovascular Disease Among Men and Women in the U.S. (Potencial inflamatório alimentar e risco de doença cardiovascular entre homens e mulheres nos EUA) e publicado neste mês de novembro de 2020 no Journal of the American College of Cardiology (JACC). O estudo durou 32 anos e foi feito com:

 

  • 74.578 mulheres (1984–2016);

  • 91.656 mulheres (1991–2015);

  • 43.911 homens (1986–2016).

 

No início do estudo, nenhum deles apresentava problemas cardiovasculares ou câncer. A forma de avaliar a alimentação de cada foi por meio de questionários de frequência alimentar a cada 4 anos. E o potencial inflamatório foi medido com base em uma pontuação de padrão inflamatório alimentar empírico pré-definido a partir de níveis de 3 biomarcadores inflamatórios sistêmicos.

 

Doenças cardiovasculares: as conclusões são um alerta

 

Ao fim do estudo, os padrões alimentares com maior potencial inflamatório foram, sim, associados a maior risco de doenças cardiovasculares. Inclusive, a prevenção dessas doenças pode ser potencializada a partir de uma redução do potencial inflamatório da dieta, tornando-se uma estratégia eficaz!

Dietas inflamatórias

A pressão alta não fica para trás

 

Em junho, outro estudo já tinha sido publicado na área, dessa vez, focado na hipertensão. Ele foi feito na França e intitulado Dietary Inflammatory Index, Risk of Incident Hypertension, and Effect Modification from BMI (Índice Inflamatório Alimentar, Risco de Hipertensão Incidente e Modificação do Efeito do IMC – índice de massa corporal).

 

Além de avaliar a associação entre o índice inflamatório alimentar e o risco de hipertensão, este também verificou os efeitos que o IMC possa oferecer à questão.

 

O estudo começou em 1990, na França, e reuniu 46.652 mulheres que completaram um questionário detalhado sobre o histórico de dieta. Nenhuma delas apresentava hipertensão ou doença cardiovascular prevalente no início do estudo. A regressão spline foi utilizada para determinar as possíveis relações dose-resposta. Além disso, os casos de hipertensão foram autorrelatados e verificados por meio de um banco de dados com reembolsos dos medicamentos. Por fim, modelos de risco proporcional de Cox foram usados para calcular as razões de risco.

 

A conclusão foi de associações positivas fracas entre uma uma dieta altamente pró-inflamatória e o risco de hipertensão, particularmente em mulheres saudáveis e magras. Um alto índice inflamatório alimentar foi associado aos alimentos previamente implicados com resultados adversos à saúde (carnes processadas, fast food e açúcares, por exemplo). Ou seja, pessoas com risco de hipertensão e doenças cardiovasculares precisam fazer escolhas alimentares mais saudáveis para reduzir esse potencial inflamatório da dieta.

 

O que se deve comer? 

 

Quem acompanha o blog semanalmente, já está careca de saber, mas vou reforçar:

 

  • Alimentos in natura;

  • Frutas;

  • Vegetais;

  • Legumes;

  • Fibras.

 

E, é claro, não pode exagerar no sal e é preciso praticar atividades físicas! Nunca é tarde para mudar um hábito. Comece agora mesmo!

Há mais risco de derrame para quem tem pressão alta?

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Será que o derrame pode ser decorrente da pressão alta? Hoje falarei sobre isso e já adianto: sim, há contribuição da hipertensão tanto para o AVC (Acidente Vascular Cerebral) hemorrágico quanto para o isquêmico. Cerca de 90% dos AVCs ocorrem em pacientes com hipertensão não controlada. E não adianta tomar remédios e continuar com a pressão não controlada porque a hipertensão é considerada o fator de risco mais importante para AVC e sua incidência crescente pode ser atribuída ao controle inadequado da hipertensão. Portanto, motivos não faltam para cuidar da pressão, não é mesmo?

derrame

Fonte: Rede Brasil AVC

Primeiro, precisamos entender o que é o derrame, ou AVC. Pode ser definido como o surgimento de um déficit neurológico súbito causado por um problema nos vasos sanguíneos do sistema nervoso central.

 

Tipos de derrame

 

O AVC hemorrágico ocorre quando uma artéria cerebral sofre uma ruptura e há hemorragia cerebral e o AVC isquêmico quando uma artéria sofre uma obstrução que leva à interrupção do suprimento de sangue que vai para alguma região do cérebro, privando os neurônios de oxigênio e nutrientes. A maioria dos AVCs é isquêmica (quase 90%), restando 10% para os hemorrágicos.

derrame

Fonte: Rede Brasil AVC

E o que pode causar essas duas situações? A contínua agressão da pressão alta nas paredes das artérias, deixando-as endurecidas, estreitadas e ocasionando dilatações chamadas de aneurismas. É isso mesmo: ela é um dos motivos do AVC. Além da hipertensão, existem outras causas menos frequentes como a ruptura de um aneurisma.

 

Danos para a vida inteira

 

Os dois tipos são graves e podem levar a consequências em longo prazo e até à morte. Entre os danos causados, pode haver comprometimento à visão, movimentação, coordenação motora e fala, entre outros.

 

Sendo assim, todo cuidado é pouco. É preciso ter hábitos saudáveis, rotina de exames anuais e se atentar aos sinais do corpo.

 

Segundo a Rede Brasil AVC, é importante que todos aprendam a reconhecer o AVC porque tempo perdido é cérebro perdido. Assim, o início súbito de qualquer dos sintomas abaixo:

 

  • Fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo;

  • Confusão, alteração da fala ou compreensão;

  • Alteração na visão (em um ou ambos os olhos);

  • Alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar;

  • Dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.

 

Se você ou alguém que você conhece estiver com um destes sintomas, NÃO ESPERE MELHORAR!!! CORRA!!! Cada segundo é importante.

 

Ligue imediatamente para o número 192 (SAMU), ou para o serviço de ambulância de emergência da sua cidade, para que possam enviar o atendimento a você.

 

Outro dado importante é observar / checar / anotar a hora em que os primeiros sintomas apareceram. Se houver rapidez no atendimento do AVC, até 4,5 horas do início dos sintomas um medicamento que dissolve o coágulo pode ser dado aos pacientes com AVC isquêmico, o tipo mais comum de AVC, diminuindo a chance de sequelas.

 

Portanto, não fume, não use drogas, controle a pressão, o peso e o colesterol. Esses já são pequenos passos rumo a uma vida mais saudável e com menos riscos de derrame.

Combate à obesidade é dever de todos: quando a pessoa ganha peso, a pressão sobe

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A obesidade tem sido um problema cada vez maior em todo o mundo; dados recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) trazem essa preocupação à tona também no Brasil, visto que os números cresceram consideravelmente. Apesar de parecer pontual, o combate à obesidade é um dever de todos nós; como sociedade, precisamos estar mais atentos ao que comemos.

 

Divulgada em 21 de outubro, a Pesquisa Nacional de Saúde revelou que 60% dos brasileiros com 18 anos ou mais estavam acima do peso em 2019, ou seja, cerca de 96 milhões de pessoas. Desses, 41 milhões – ou 26% – estavam obesos. Tais números representam um aumento de quatro vezes nas taxas de obesidade em 16 anos. São índices alarmantes, que mostram grande aumento da população obesa.

 

Pandemia silenciosa

 

Já falei aqui no blog sobre o sedentarismo ser uma pandemia silenciosa e preocupante. Mas o que isso significa? Que as pessoas não se cuidam? Não, trata-se de uma doença crescente com um combate “fraco”; as medidas preventivas não são suficientes e, muito menos, efetivas, pois não chegam a toda a população.

 

Vemos manchetes todos os dias sobre emagrecimento rápido e sem esforço, que “basta fechar a boca e comer menos” ou que “só não emagrece quem não quer”, mas não é bem assim. Se fosse fácil, todos conseguiriam. Estamos diante de um problema muito maior e que precisa de um esforço da sociedade como um todo.

 

Além disso, precisamos levar em consideração o que nos oferecem. Cada vez mais, os alimentos in natura têm menos incentivo, com a crescente oferta de dos processados nos supermercados. Precisamos de ação de todos, comunidade, sociedades médicas e governo.

 

O estômago também está no cérebro

 

Outro fator é a base genética de cada um de nós.

 

Grande quantidade dos genes desta doença está relacionada ao cérebro que faz com que tenhamos mais ou menos fome e que deixemos de comer ou não. Assim, se aquelas pessoas que têm propensão a engordar não fossem bombardeadas diariamente por uma oferta excessiva de alimento, não engordariam. Entretanto, levando-se em consideração as gôndolas, a maioria das pessoas engorda, sim. E, após o ganho de peso, o próprio cérebro encontra formas de se sabotar para que não ocorra a perda. Por isso é tão difícil emagrecer.

 

obesidade

Jovens também sofrem

 

O problema não atinge somente os adultos. A pesquisa mostrou que 19% dos adolescentes entre 15 e 17 anos também estão acima do peso; e quase 7% deles estão obesos. Isso fez com que o país como um todo caísse na avaliação do serviço de Atenção Primária à Saúde. Nossa nota nacional foi de 5,9, enquanto a nota de corte é de 6,6. Preocupante.

 

Tratamento e prevenção são o caminho

 

As estratégias para o tratamento e prevenção são a melhor maneira de combate à obesidade. Por isso, precisamos de ações governamentais e acesso a tratamentos na própria rede pública. É um processo que envolve diversas áreas, além da área médica:

 

  • Psicologia;

  • Nutrição;

  • Condicionamento físico.

 

Por isso, é importante que defendamos o SUS e lutemos para que melhorias sejam feitas. Só assim poderemos caminhar para que esses números caiam no futuro.

 

Dentro de casa, claro, cada um pode fazer a sua parte, principalmente comprando mais alimentos in natura e menos processados. É mais difícil cairmos na tentação quando ela não existe. É como dizem: descasque mais, desembale menos!

Otimismo pode estar associado à maior expectativa de vida?

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Será que o otimismo está associado à maior expectativa de vida? O otimismo é um atributo psicológico caracterizado como uma expectativa geral de que coisas boas acontecerão, ou a crença de que o futuro será favorável porque desfechos importantes podem ser calculados. Hoje falarei sobre um estudo que fez essa análise e me foi apresentado pela Dra. Lucélia Magalhães.

 

A maioria das pesquisas sobre longevidade excepcional tem investigado fatores biomédicos associados à sobrevivência. Entretanto, os trabalhos mais recentes sugerem que os fatores não biológicos, ou seja, fatores psicossociais, também são importantes. Entre eles, o otimismo.

 

Os pesquisadores trabalharam com a hipótese de que maior otimismo estaria associado à maior expectativa de vida e maior probabilidade de longevidade excepcional.

 

“Mas de onde vem o otimismo?”, você pode se perguntar. Pode não parecer, mas cerca de 25% da carga de otimismo é hereditária. O restante é moldado por fatores sociais e estruturais e, também, podem ser aprendidos.

 

Longevidade, sim!

 

Os resultados foram surpreendentes, pois mostraram que o otimismo pode estar relacionado de 11 a 15% a uma vida útil mais longa, em média. Ainda, há maiores chances da “longevidade excepcional”, aquela que vai além dos 85 anos. É importante salientar que essas relações foram consideradas independentes de status socioeconômico, condições de saúde, depressão, integração e comportamentos de saúde, tais como, fumo, dieta e consumo de álcool.

 

A pesquisa foi feita com 2 coortes, mulheres do Nurses’ Health Study (NHS) e homens do Veterans Affairs Normative Aging Study (NAS), com acompanhamento de 10 anos (2004 a 2014) e 30 anos (1986 a 2016), respectivamente. O otimismo foi avaliado com o Teste de Orientação de Vida e a Escala Revisada de Otimismo – Pessimismo do Minnesota Multiphasic Personality Inventory. Foram analisadas mais de 65 mil mulheres do NHS e mais de 1.400 homens do NAS.

 

Nas mulheres, o resultado foi de 86% delas vivendo até os 85 anos ou além, enquanto nos homens essa porcentagem foi de 56%.

 

Os resultados sugerem que o otimismo pode ser um importante recurso psicossocial para prolongar a expectativa de vida em idosos. Por isso, é preciso tentar, ao máximo, ser otimista e levar a vida com mais leveza.

 

Isso só prova o quanto o nosso organismo está totalmente interligado, físico e psíquico agindo em conjunto. Portanto, respire fundo, sorria e seja otimista!

Paulistas não controlam hipertensão, diabetes e colesterol, de acordo com estudo

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Os paulistas não controlam os principais fatores de risco para o coração, de acordo com o Epico (Estudo Epidemológico de Informações da Comunidade), da SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo). Para tal constatação, foram avaliados quase 9 mil pacientes, de 32 municípios em 300 unidade básicas de saúde. O mais alarmante é saber que a hipertensão, o diabetes e o colesterol chegam a ter índices de controle zero.

 

Os números assustam

 

Até os pesquisadores foram pegos de surpresa com os números revelados pelo estudo. Cerca de 48% dos pacientes não controlavam a pressão arterial, apenas 25% estavam com a glicemia dentro dos valores considerados normais e somente 16% dos que apresentaram colesterol alto, preocupavam-se em controlá-lo.

 

Tais dados refletem-se diretamente no fato de que, na última década, o Estado de São Paulo não teve queda no número de mortes cardiovasculares. Esses dados são ainda mais preocupantes em meio à pandemia do novo coronavírus, já que a covid-19 causa mais impacto nos cardiopatas, ou seja, eles se enquadram nos grupos de risco da doença.

 

O perigo está em todo o mundo

 

Não é só em São Paulo que as doenças cardiovasculares preocupam. Elas matam milhares de pessoas no Brasil e no mundo todos os anos. Em nosso país, estima-se que 400 mil pessoas vão a óbito devido à doença e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo, esse número é de 17,9 milhões.

 

É preciso cuidar do coração

 

Mudanças de hábitos já são grande parte da resolução do problema. É claro que idas regulares ao médico também são necessárias, mas mudar os hábitos é, com certeza, um primeiro passo. Lembre-se de:

 

  • Praticar atividades físicas regulares;

  • Levar uma vida balanceada;

  • Focar em uma dieta saudável;

  • Não fumar;

  • Não exagerar no sal, açúcar e gordura.

 

Se você mora com outras pessoas, incentive-as! Em grupo, essas escolhas se tornam bem mais fáceis.

Novo rótulo de alimentos: o que muda na sua casa?

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Você lê os rótulos nas embalagens dos alimentos?

 

Sabia que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou um novo rótulo para alimentos industrializados? Sim, aquela parte da embalagem que nós batemos o olho de primeira, a frontal, terá um sinal de alerta muito importante a partir de agora.

 

E, hoje, dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, é o melhor dia para falarmos sobre isso.

 

O que muda para o consumidor

 

Foram seis anos para que a decisão fosse tomada, mas no último dia 7 de outubro houve o veredito unânime e a Anvisa aprovou a nova rotulagem nutricional para os alimentos industrializados. A mudança em nossas casas é a escolha que faremos; afinal, agora teremos exposto nas embalagens, de forma clara, um alerta quando houver quantidade exagerada de gordura, sal ou açúcar naquele alimento.

 

A escolha do formato desse alerta se deu por meio de um levantamento realizado pelo Datafolha, em outubro de 2019. 1.384 adultos, entre 18 e 55 anos, votaram. O alerta será feito por um desenho de lupa, ao lado da descrição desses ingredientes (imagem a seguir), apesar de discussões científicas sobre o símbolo ser ou não a melhor opção.

 

novos rótulosHaverá mudança também no padrão das tabelas presentes nas embalagens, visto que as atuais são consideradas de difícil compreensão.

 

É importante saber o que sua família consome

 

Os alertas de hipertensão, colesterol, diabetes e obesidade só aumentam. Portanto, é essencial sabermos o que consumimos, para termos mais controle sobre a saudabilidade dos alimentos em nossas mesas.

 

É claro que a recomendação principal ainda é a alimentação in natura, mas para os momentos em que a única opção é o alimento industrializado, é nosso direito saber o que está presente em sua fórmula.

 

Somente após 24 meses da publicação das normas é que a resolução entrará em vigor; portanto, fique de olho!

Hipertensão pode afetar o envelhecimento da função cognitiva

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Os fatores de risco cerebrovasculares (hipertensão, hipercolesteremia, tabagismo, diabetes e obesidade) aumentam a probabilidade de demência em idosos, mas seu impacto no envelhecimento cognitivo ainda não está bem estabelecido.

 

função cognitivaDe acordo com um novo estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra, a estrutura do cérebro e a função cognitiva podem ser afetadas pela pressão alta.

 

O estudo foi publicado na Nature communications1.

 

A memória é afetada

 

O Biobanco do Reino Unido tem medidas de cognição e imagens cerebrais na maior coorte populacional estudada até o momento. Foi possível demonstrar que as habilidades cognitivas de indivíduos saudáveis (N = 22.059) são prejudicadas por fatores de risco cerebrovasculares.

 

Além disso, verificou-se que o risco cerebrovascular está associado à redução da integridade da substância cinzenta cerebral e da substância branca. É importante notar que a pressão arterial sistólica mais elevada foi associada a uma pior função cognitiva na meia-idade (44-69 anos). Essas descobertas sugerem que os fatores de risco cerebrovasculares impactam a estrutura do cérebro e a função cognitiva em pessoas saudáveis.

 

Mantenha-se ativo e cuide da saúde

 

Por mais que o estudo tenha revelado mudanças sutis, elas tendem a piorar com o avanço da idade e ninguém quer um declínio na cognição, certo?

 

Alimentação saudável, atividades físicas frequentes (mínimo de 150 minutos por semana) e idas regulares ao médico são medidas para uma pressão controlada e envelhecimento com qualidade de vida.

 

O maior segredo é a prevenção: consulte seu médico e siga as orientações em relação ao tratamento e exames.

 

Acesse o estudo completo aqui.

 

Quer dicas para exercícios em casa? Já falei sobre isso aqui no blog, acesse. É importante saber que o sedentarismo é um problema silencioso, como a hipertensão. Fique atento!

 

  1.  Veldsman, M., Tai, X., Nichols, T. et al. Cerebrovascular risk factors impact frontoparietal network integrity and executive function in healthy ageing. Nat Commun 11, 4340 (2020). https://doi.org/10.1038/s41467-020-18201-5

Alerta: consulte seu médico e faça os exames de rotina durante a pandemia

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Nos últimos seis meses, as consultas e os exames de rotina foram deixados de lado por muitos brasileiros e pessoas ao redor do mundo.  Assim, cabe a mim, como médico, reforçar a importância de retomar as consultas e os exames para cuidar da saúde mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus. É de suma importância que você agende suas consultas e exames o mais breve possível.

 

Doenças não esperam

 

Nós sabemos que existe risco de contágio da covid-19, mas é preciso ter em mente que as doenças silenciosas, como câncer e hipertensão, não esperam. Imagine uma pessoa que teve um câncer e que precisa dos exames de rotina para saber se a doença voltou ou não. Se ele volta nesse intervalo de exames, as chances de cura são menores, com a descoberta tardia.

 

Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Oncologia (SBOC), com 120 médicos em todo o Brasil, revelou que 74% dos especialistas tiveram um ou mais pacientes que interromperam ou adiaram o tratamento por mais de um mês durante a pandemia. Isso compromete o tratamento. Ainda, a entidade estima que quase 60 mil pessoas estão com câncer sem saber, ou seja, sem diagnóstico e, consequentemente, sem tratamento também.

 

Mortes em casa

 

Entre março e agosto de 2020, o número de mortes em casa por doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, aumentou quase 30%. Como são problemas que poderiam ser evitados com tratamento correto, é assustador que tenham crescido tanto – e isso ocorre também porque muitas pessoas pararam, inclusive, de praticar exercícios físicos.

Foi publicado no New England Journal of Medicine1 que a incidência de Infarto do coração caiu a metade no início da pandemia comparado ao mesmo período de 2019, indicando que as pessoas não estavam indo para o Hospital e provavelmente, morreram em casa.

 

Incidência de infarto na pandemia Covid-19

Precauções devidas

 

Não podemos ignorar a covid-19. Assim, todos os cuidados recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Anvisa devem ser seguidos:

 

  • Use máscara;

  • Carregue álcool gel e passe nas mãos sempre que encostar em alguma superfície;

  • Não fique próximo de outras pessoas; mantenha, no mínimo, 1,5 m de distância;

  • Não tire a máscara para falar ao telefone ou espirrar;

  • Evite aglomerações;

  • Tire toda a roupa e acessórios e tome um banho ao chegar em casa.

 

  1. Solomon, Matthew et al. – The Covid-19 Pandemic and the Incidence of Acute Myocardial Infarction 10.1056/NEJMc2015630 [doi]4100 https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc2015630